{"id":915,"date":"2011-05-27T11:32:22","date_gmt":"2011-05-27T14:32:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/?page_id=915"},"modified":"2011-05-27T12:13:12","modified_gmt":"2011-05-27T15:13:12","slug":"clarice-lispector","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/cultura\/personalidades\/clarice-lispector\/","title":{"rendered":"Clarice Lispector"},"content":{"rendered":"<h2><a rel=\"lightbox[slb_915]\" href=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/claricelispector-nova.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-926\" title=\"claricelispector nova\" src=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/claricelispector-nova.jpg\" alt=\"\" width=\"252\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/claricelispector-nova.jpg 252w, https:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/claricelispector-nova-221x300.jpg 221w\" sizes=\"(max-width: 252px) 100vw, 252px\" \/><\/a>1920<\/h2>\n<p>Clarice Lispector nasce em Tchetchelnik, na Ucr\u00e2nia, no dia 10 de dezembro, tendo recebido o nome de Haia Lispector, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. Seu nascimento ocorre durante a viagem de emigra\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica.<\/p>\n<h2>1922<\/h2>\n<p>Seu pai consegue, em Bucareste, um passaporte para toda a fam\u00edlia no consulado da R\u00fassia. Era fevereiro quando foram para a Alemanha e, no porto de Hamburgo, embarcam no navio &#8220;Cuyaba&#8221; com destino ao Brasil. Chegam a Macei\u00f3 em mar\u00e7o desse ano, sendo recebidos por Zaina, irm\u00e3 de Mania, e seu marido e primo Jos\u00e9 Rabin, que viabilizara a entrada da biografada e de sua fam\u00edlia no Brasil mediante uma &#8220;carta de chamada&#8221;.  Por iniciativa de seu pai, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de Tania \u2014 irm\u00e3, todos mudam de nome: o pai passa a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia \u2014 irm\u00e3, Elisa; e Haia, em Clarice. Pedro passa a trabalhar com Rabin, j\u00e1 um pr\u00f3spero comerciante.<\/p>\n<h2>1925<\/h2>\n<p>A fam\u00edlia muda-se para Recife, Pernambuco, onde Pedro pretende construir uma nova vida. A doen\u00e7a de sua m\u00e3e, Marieta, que ficou paral\u00edtica, faz com que sua irm\u00e3 Elisa se dedique a cuidar de todos e da casa.<\/p>\n<h2>1928<\/h2>\n<p>Passa a freq\u00fcentar o Grupo Escolar Jo\u00e3o Barbalho, naquela cidade, onde aprende a ler. Durante sua inf\u00e2ncia a fam\u00edlia passou por s\u00e9rias crises financeiras.<\/p>\n<h2>1930<\/h2>\n<p>Morre a m\u00e3e de Clarice no dia 21 de setembro. Nessa \u00e9poca, com nove anos, matricula-se no Collegio Hebreo-Idisch-Brasileiro, onde termina o terceiro ano prim\u00e1rio. Estuda piano, hebraico e i\u00eddiche. Uma ida ao teatro a inspira e ela escreve &#8220;Pobre menina rica&#8221;, pe\u00e7a em tr\u00eas atos, cujos originais foram perdidos.  Seu pai resolve adotar a nacionalidade brasileira.<\/p>\n<h2>1931<\/h2>\n<p>Inscreve-se para o exame de admiss\u00e3o no Gin\u00e1sio Pernambucano. J\u00e1 escrevia suas historinhas, todas recusadas pelo Di\u00e1rio de Pernambuco, que \u00e0quela \u00e9poca dedicava uma p\u00e1gina \u00e0s composi\u00e7\u00f5es infantis. Isso se devia ao fato de que, ao contr\u00e1rio das outras crian\u00e7as, as hist\u00f3rias de Clarice n\u00e3o tinham enredo e fatos \u2014 apenas sensa\u00e7\u00f5es. Convive com in\u00fameros primos e primas.<\/p>\n<h2>1932<\/h2>\n<p>\u00c9 aprovada no exame de admiss\u00e3o e, junto com sua irm\u00e3 Tania e sua prima Bertha, ingressa no tradicional Gin\u00e1sio Pernambucano, fundado em 1825. Passa a visitar a livraria do pai de uma amiga. L\u00ea  &#8220;Reina\u00e7\u00f5es de Narizinho&#8221;, de Monteiro Lobato, que pegou emprestado, j\u00e1 que n\u00e3o podia compr\u00e1-lo.<\/p>\n<h2>1933<\/h2>\n<p>Seu pai prospera e mudam-se para casa pr\u00f3pria, no mesmo bairro.<\/p>\n<h2>1934<\/h2>\n<p>Pedro, pai de Clarice, em Dezembro desse ano, decide transferir-se para a cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<h2>1935<\/h2>\n<p>Viaja para o Rio, em companhia de sua irm\u00e3 Tania e de seu pai, na terceira classe do vapor ingl\u00eas &#8220;Highland Monarch&#8221;. V\u00e3o morar numa casa alugada perto do Campo de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. Ainda nesse ano, mudam-se para uma casa na Tijuca, na rua Mariz e Barros. No col\u00e9gio S\u00edlvio Leite, na mesma rua de sua casa, cursa o quarta s\u00e9rie ginasial. L\u00ea romances adocicados, pr\u00f3prios para sua idade.<\/p>\n<h2>1936<\/h2>\n<p>Termina o curso ginasial. Inicia-se na leitura de livros de autores nacionais e estrangeiros mais conhecidos, alugados em uma biblioteca de seu bairro. Conhece os trabalhos de Rachel de Queiroz, Machado de Assis, E\u00e7a de Queiroz, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Dostoi\u00e9vski e J\u00falio Diniz.<\/p>\n<h2>1937<\/h2>\n<p>Matricula-se no curso complementar (dois \u00faltimos anos do curso secund\u00e1rio) visando o ingresso na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n<h2>1938<\/h2>\n<p>Transfere-se para o curso complementar do col\u00e9gio Andrews, na praia de Botafogo. \u00c0s voltas com dificuldades financeiras, d\u00e1 aulas particulares de  portugu\u00eas e matem\u00e1tica. A rela\u00e7\u00e3o professor\/aluno seria um dos temas preferidos e recorrentes em toda a sua obra \u2014 desde o primeiro romance: Perto do Cora\u00e7\u00e3o Selvagem. Ao mesmo tempo, aprende datilografia e faz ingl\u00eas na Cultura Inglesa.<\/p>\n<h2>1939<\/h2>\n<p>Inicia seus estudos na Faculdade Nacional de Direito. Faz tradu\u00e7\u00f5es de textos cient\u00edficos para revistas em um laborat\u00f3rio onde trabalha como secret\u00e1ria. Trabalha, tamb\u00e9m como secret\u00e1ria, em um escrit\u00f3rio de advocacia.<\/p>\n<h2>1940<\/h2>\n<p>Seu conto, Triunfo, \u00e9 publicado em 25 de maio no seman\u00e1rio &#8220;Pan&#8221;, de Tasso da Silveira. Em outubro desse ano, \u00e9 publicado na revista &#8220;Vamos Ler!&#8221;, editada por Raymundo Magalh\u00e3es J\u00fanior, o conto Eu e Jimmy. Esses trabalhos n\u00e3o fazem parte de nenhuma de suas colet\u00e2neas. Ap\u00f3s a morte de seu pai, no dia 26 de agosto, a escritora \u2014 talvez motivada por esse acontecimento \u2014 escreve diversos contos: A fuga, Hist\u00f3ria interrompida e O del\u00edrio. Esses contos ser\u00e3o publicados postumamente em A bela e a fera, de 1979. Passa a morar com a irm\u00e3 Tania, j\u00e1 casada, no bairro do Catete. Consegue um emprego de tradutora no temido Departamento de Imprensa e Propaganda &#8211; DIP, dirigido por Lourival Fontes. Como n\u00e3o havia vaga para esse trabalho, Clarice ganha o lugar de redatora e rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Nacional. Inicia-se, ai, sua carreira de jornalista. No novo emprego, convive com Antonio Callado, Francisco de Assis Barbosa, Jos\u00e9 Cond\u00e9 e, tamb\u00e9m, com L\u00facio Cardoso, por quem nutre durante tempos uma paix\u00e3o n\u00e3o correspondida: o escritor era homossexual. Com seu primeiro sal\u00e1rio, entra numa livraria e compra &#8220;Bliss &#8211; Felicidade&#8221;, de Katherine Mansfield, com tradu\u00e7\u00e3o de Erico Verissimo, pois sentiu afinidade com a escritora neozelandesa.<\/p>\n<h2>1941<\/h2>\n<p>Em 19 de janeiro, publica a reportagem &#8220;Onde se ensinar\u00e1 a ser feliz&#8221;, no jornal &#8220;Di\u00e1rio do Povo&#8221;, de Campinas (SP), sobra a inaugura\u00e7\u00e3o de um lar para meninas carentes realizada pela primeira-dama Darcy Vargas. Al\u00e9m de textos jornal\u00edsticos, continua a publicar textos liter\u00e1rios. Cursando o terceiro ano de direito, colabora com a revista dos estudantes de sua faculdade, &#8220;A \u00c9poca&#8221;, com os artigos Observa\u00e7\u00f5es sobre o fundamento do direito de punir e Deve a mulher trabalhar? Passa a freq\u00fcentar o bar &#8220;Recreio&#8221;, na Cinel\u00e2ndia, centro do Rio de Janeiro, ponto de encontro de autores como L\u00facio Cardoso, Vinicius de Moraes, Rachel de Queiroz, Ot\u00e1vio de Faria, e muitos mais.<\/p>\n<h2>1942<\/h2>\n<p>Come\u00e7a a namorar com Maury Gurgel Valente, seu colega de faculdade. Com 22 anos de idade, recebe seu primeiro registro profissional, como redatora do jornal &#8220;A Noite&#8221;. L\u00ea Drummond, Cec\u00edlia Meireles, Fernando Pessoa e Manuel Bandeira. Realiza cursos de antropologia brasileira e psicologia, na Casa do Estudante do Brasil. Nesse ano, escreve seu primeiro romance, Perto do cora\u00e7\u00e3o selvagem.<\/p>\n<h2>1943<\/h2>\n<p>Casa-se com o colega de faculdade Maury Gurgel Valente e termina o curso de Direito. Seu marido, por concurso, ingressa na carreira diplom\u00e1tica.<\/p>\n<h2>1944<\/h2>\n<p>Muda-se para Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA), acompanhando seu marido. Fica por l\u00e1 apenas seis meses. Seu livro recebe cr\u00edticas favor\u00e1veis de Guilherme Figueiredo, Breno Accioly, Dinah Silveira de Queiroz, Lauro Escorel, L\u00facio Cardoso, Antonio C\u00e2ndido e Ledo Ivo, entre outros. \u00c1lvaro Lins publica resenha com reparos ao livro mesmo antes de sua publica\u00e7\u00e3o, baseado na leitura dos originais. Qualifica o livro de &#8220;experi\u00eancia incompleta&#8221;. H\u00e1 os que pretendem n\u00e3o compreender o romance, os que procuram influ\u00eancias \u2014 de Virg\u00ednia Wolf e James Joyce, quando ela nem os tinha lido \u2014 e ainda os que invocam o temperamento feminino. Nas palavras de Lauro Escorel, as caracter\u00edsticas do romance revelam uma &#8220;personalidade de romancista verdadeiramente excepcional, pelos seus recursos t\u00e9cnicos e pela for\u00e7a da sua natureza inteligente e sens\u00edvel.&#8221; O casal volta ao Rio e, em 13\/07\/44, muda-se para N\u00e1poles, em plena Segunda Guerra Mundial, onde o marido da escritora vai trabalhar. J\u00e1 na sa\u00edda do Brasil, Clarice mostra-se dividida entre a obriga\u00e7\u00e3o de acompanhar o marido e ter de deixar a fam\u00edlia e os amigos. Quando chega \u00e0 It\u00e1lia, depois de um m\u00eas de viagem, escreve: &#8220;Na verdade n\u00e3o sei escrever cartas sobre viagens, na verdade nem mesmo sei viajar.&#8221; Termina seu segundo romance, O lustre. Recebe o pr\u00eamio Gra\u00e7a Aranha com Perto do cora\u00e7\u00e3o selvagem, considerado o melhor romance de 1943. Conhece Rubem Braga, ent\u00e3o correspondente de guerra do jornal &#8220;Di\u00e1rio Carioca&#8221;.<\/p>\n<h2>1945<\/h2>\n<p>D\u00e1 assist\u00eancia a brasileiros feridos na guerra, trabalhando em hospital americano. O pintor italiano Giorgio De Chirico pinta-lhe um retrato. Viaja pela Europa e conhece o poeta Giuseppe Ungaretti. O lustre \u00e9 publicado no Brasil pela Livraria Agir Editora.<\/p>\n<h2>1946<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s o lan\u00e7amento do livro, Clarice vem ao Brasil como correio diplom\u00e1tico do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, aqui ficando por quase tr\u00eas meses. Nessa \u00e9poca, apresentado por Rubem Braga, conhece Fernando Sabino que a introduz a Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e, posteriormente, a H\u00e9lio Pellegrino. De volta \u00e0 Europa, vai morar com a fam\u00edlia em Berna, Su\u00ed\u00e7a, para onde seu marido havia sido designado como segundo-secret\u00e1rio. Sua correspond\u00eancia com amigos brasileiros a mantinha a par das novidades, em especial as trocadas com Fernando Sabino. A troca de cartas com o escritor, quase que diariamente, duraria at\u00e9 janeiro de 1969. A convite, passam as festas de fim de ano com Bluma e Samuel Wainer, em Paris.<\/p>\n<h2>1947<\/h2>\n<p>Em carta \u00e0s irm\u00e3s, em janeiro de 47, de Paris, Clarice exp\u00f5e seu estado de inadapta\u00e7\u00e3o:&#8221;Tenho visto pessoas demais, falado demais, dito mentiras, tenho sido muito gentil. Quem est\u00e1 se divertindo \u00e9 uma mulher que eu detesto, uma mulher que n\u00e3o \u00e9 a irm\u00e3 de voc\u00eas. \u00c9 qualquer uma.&#8221;  Em carta a L\u00facio Cardoso, que havia lhe enviado seu livro &#8220;Anfiteatro&#8221;, demonstra sua admira\u00e7\u00e3o pelas personagens femininas da obra.<\/p>\n<h2>1948<\/h2>\n<p>Clarice fica gr\u00e1vida de seu primeiro filho. Para ela, a vida em Berna \u00e9 de mis\u00e9ria existencial. A Cidade Sitiada, ap\u00f3s tr\u00eas anos de trabalho, fica pronto. Terminado o \u00faltimo cap\u00edtulo, d\u00e1 \u00e0 luz. Nasce ent\u00e3o um complemento ao m\u00e9todo de trabalho. Ela escreve com a m\u00e1quina no colo, para cuidar do filho. Na cr\u00f4nica &#8220;Lembran\u00e7a de uma fonte, de uma cidade&#8221;, Clarice afirma que, em Berna, sua vida foi salva por causa do nascimento do filho Pedro, ocorrido em 10\/09\/1948, e por ter escrito um dos livros &#8220;menos gostados&#8221; (a editora Agir recusara a publica\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<h2>1949<\/h2>\n<p>Clarice volta ao Rio. Seu marido \u00e9 removido para a Secretaria de Estado, no Rio de Janeiro. A cidade sitiada \u00e9 publicado pela editora &#8220;A Noite&#8221;. O livro n\u00e3o obt\u00e9m grande repercuss\u00e3o entre o p\u00fablico e a cr\u00edtica.<\/p>\n<h2>1950<\/h2>\n<p>Escrevendo contos e convivendo com os amigos (Sabino, Otto, L\u00facio e Paulo M. Campos), v\u00ea chegar a hora de partir: seguindo os passos de seu marido, retorna \u00e0 Europa, onde mora por seis meses na cidade de Torquay, Inglaterra. Sofre um aborto espont\u00e2neo em Londres. \u00c9 atendida pelo vice-c\u00f4nsul na capital inglesa, Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto.<\/p>\n<h2>1951<\/h2>\n<p>A escritora retorna ao Rio de Janeiro, em mar\u00e7o. Publica uma seleta com seis contos na cole\u00e7\u00e3o &#8220;Cadernos de cultura&#8221;, editada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade. Falece sua grande amiga Bluma, ex-esposa de Samuel Wainer.<\/p>\n<h2>1952<\/h2>\n<p>Cola grau na faculdade de direito, depois de muitos adiamentos. Volta a trabalhar em jornais, no per\u00edodo de maio a outubro, assinando a p\u00e1gina &#8220;Entre Mulheres&#8221;, no jornal &#8220;Com\u00edcio&#8221;, sob o pseud\u00f4nimo de &#8220;Tereza Quadros&#8221;. Atendeu a um pedido do amigo Rubem Braga, um dos fundadores do jornal. Nesse setembro, j\u00e1 gr\u00e1vida, embarca para a capital americana onde permanecer\u00e1 por oito anos. Clarice inicia o esbo\u00e7o do romance A veia no pulso, que viria a ser A Ma\u00e7\u00e3 no Escuro, livro publicado em 1961.<\/p>\n<h2>1953<\/h2>\n<p>Em 10 de fevereiro, nasce Paulo, seu segundo filho. Ela continua a escrever A Ma\u00e7\u00e3 no Escuro, em meio a conflitos dom\u00e9sticos e interiores. M\u00e3e, Clarice Lispector divide seu tempo entre os filhos, A Ma\u00e7\u00e3 no Escuro, os contos de La\u00e7os de Fam\u00edlia e a literatura infantil. Nos Estados Unidos, Clarice conhece o renomado escritor Erico Ver\u00edssimo e sua esposa Mafalda, dos quais torna-se grande amiga. O escritor ga\u00facho e sua esposa s\u00e3o  escolhidos para padrinhos de Paulo. N\u00e3o tem sucesso seu projeto de escrever uma cr\u00f4nica semanal para a revista &#8220;Manchete&#8221;. Tem a agrad\u00e1vel not\u00edcia de que seu romance Perto do cora\u00e7\u00e3o selvagem seria traduzido para o franc\u00eas.<\/p>\n<h2>1954<\/h2>\n<p>\u00c9 lan\u00e7ada a primeira edi\u00e7\u00e3o francesa de Perto do cora\u00e7\u00e3o selvagem, pela Editora Plon, com capa de Henri Matisse, ap\u00f3s in\u00fameras reclama\u00e7\u00f5es da escritora sobre erros na tradu\u00e7\u00e3o. Em julho, com os filhos, viaja para o Brasil, aqui ficando at\u00e9 setembro. De volta aos Estados Unidos, interrompe a elabora\u00e7\u00e3o de A ma\u00e7\u00e3 no escuro e se dedica, por cinco meses, a escrever seis contos encomendados por Sime\u00e3o Leal.<\/p>\n<h2>1955<\/h2>\n<p>Retorna a escrever o novo romance e contos. Sabino, que leu os seis contos feitos sob encomenda, os acho &#8220;obras de arte&#8221;.<\/p>\n<h2>1956<\/h2>\n<p>Termina de escrever A Ma\u00e7\u00e3 no Escuro (at\u00e9 ent\u00e3o com o titulo de A veia no pulso). \u00c9rico Ver\u00edssimo e fam\u00edlia retornam ao Brasil, n\u00e3o sem antes aceitarem serem os padrinhos de Pedro e Paulo. Entre os escritores, inicia-se uma vasta correspond\u00eancia. A escritora e filhos v\u00eam passar as f\u00e9rias no Brasil e Clarice aproveita para tentar a publica\u00e7\u00e3o de seu novo romance e os novos contos. Apesar de todo o empenho de Fernando Sabino e Rubem Braga, os livros n\u00e3o s\u00e3o editados. A escritora d\u00e1 sinais de sua indisposi\u00e7\u00e3o para com o tipo de vida que leva.<\/p>\n<h2>1957<\/h2>\n<p>Rompe unilateralmente o contrato com Sime\u00e3o Leal e autoriza Sabino e Braga a encaminharem seus contos \u2014 nessa altura em n\u00famero de quinze \u2014 para serem publicados no &#8220;Suplemento Cultural&#8221; do jornal &#8220;O Estado de S\u00e3o Paulo&#8221;. Seu casamento vive momentos de tens\u00e3o.<\/p>\n<h2>1958<\/h2>\n<p>Conhece e se torna amiga da pintora Maria Bonomi. \u00c9 convidada a colaborar com a revista &#8220;Senhor&#8221;, prevista para ser lan\u00e7ada no in\u00edcio do ano seguinte. Erico Verissimo escreve informando estar autorizado a editar seu romance e, tamb\u00e9m, seus contos pela Editora Globo, de Porto Alegre. 1.000 exemplares \u2014 dos mais de 1.700 remanescentes \u2014 de &#8220;Pr\u00e8s du coeur sauvage&#8221; s\u00e3o incinerados, por falta de espa\u00e7o de armazenamento. O casamento de Clarice d\u00e1 sinais de seu final.<\/p>\n<h2>1959<\/h2>\n<p>Separa-se do marido e, em julho, regressa ao Brasil com seus filhos. Seu livro continua in\u00e9dito. A escritora resolve comprar o apartamento onde est\u00e1 residindo, no bairro do Leme, e, para isso, busca aumentar seus ganhos. Sob o pseud\u00f4nimo de &#8220;Helen Palmer&#8221;, inicia, em agosto, uma coluna no jornal &#8220;Correio da Manh\u00e3&#8221;, intitulada &#8220;Correio feminino \u2014 Feira de utilidades&#8221;.<\/p>\n<h2>1960<\/h2>\n<p>Publica, finalmente, La\u00e7os de Fam\u00edlia, seu primeiro livro de contos, pela editora Francisco Alves. Come\u00e7a a assinar a coluna &#8220;S\u00f3 para Mulheres&#8221;, como &#8220;ghost-writer&#8221; da atriz Ilka Soares, no &#8220;Di\u00e1rio da Noite&#8221;, a convite do jornalista Alberto Dines. Assina, com a Francisco Alves, novo contrato para a publica\u00e7\u00e3o de A ma\u00e7\u00e3 no escuro. Torna-se amiga da escritora N\u00e9lida Pi\u00f1on.<\/p>\n<h2>1961<\/h2>\n<p>Publica o romance A ma\u00e7\u00e3 no escuro. Recebe o Pr\u00eamio Jabuti, da C\u00e2mara Brasileira do Livro, por La\u00e7os de fam\u00edlia.<\/p>\n<h2>1962<\/h2>\n<p>Passa a assinar a coluna &#8220;Children&#8217;s Corner&#8221;, da se\u00e7\u00e3o &#8220;Sr. &amp; Cia.&#8221;, onde publica contos e cr\u00f4nicas. Visita, com os filhos, seu ex-marido que se encontra na Pol\u00f4nia. Recebe o pr\u00eamio Carmen Dolores Barbosa (oferecido pela senhora paulistana de mesmo nome), por A ma\u00e7\u00e3 no escuro, considerado o melhor livro do ano.<\/p>\n<h2>1963<\/h2>\n<p>A convite, profere no XI Congresso Bienal do Instituto Internacional de Literatura Ibero-Americana, realizado em Austin &#8211; Texas, confer\u00eancia sobre o tema &#8220;Literatura de vanguarda no Brasil. Conhece Gregory Rabassa, mais tarde tradutor para o ingl\u00eas de A ma\u00e7\u00e3 no escuro. A paix\u00e3o segundo G. H. \u00e9 escrito em poucos meses, sendo entregue \u00e0 Editora do Autor, de Sabino e Braga, para publica\u00e7\u00e3o. Compra um apartamento em constru\u00e7\u00e3o no bairro do Leme.<\/p>\n<h2>1964<\/h2>\n<p>Publica o livro de contos A legi\u00e3o estrangeira e o romance A Paix\u00e3o Segundo G. H., ambos pela Editora do Autor. Em dezembro, o juiz profere a senten\u00e7a que poria fim ao processo de separa\u00e7\u00e3o de Clarice e Maury.<\/p>\n<h2>1965<\/h2>\n<p>Em maio, muda-se para o apartamento comprados em 1963. Sua obra passa a ser vista com outros olhos \u2014 pela cr\u00edtica e pelo p\u00fablico leitor \u2014 ap\u00f3s A paix\u00e3o segundo G. H. Resultado de uma seleta de trechos de seus livros, adaptados por Fauzi Arap, \u00e9 encenada no Teatro Maison de France o espet\u00e1culo Perto do cora\u00e7\u00e3o selvagem, com Jos\u00e9 Wilker, Glauce Rocha e outros. Dedica-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos filhos e com a sa\u00fade de Pedro, que apresenta um quadro de esquizofrenia, exigindo cuidados especiais. Apesar de traduzida para diversos idiomas e da republica\u00e7\u00e3o de diversos livros, a situa\u00e7\u00e3o financeira de Clarice \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<h2>1966<\/h2>\n<p>Na madrugada de 14 de setembro a escritora dorme com um cigarro aceso , provocando um inc\u00eandio. Seu quarto ficou totalmente destru\u00eddo. Com in\u00fameras queimaduras pelo corpo, passou tr\u00eas dias sob o risco de morte \u2014 e dois meses hospitalizada. Quase tem sua m\u00e3o direita \u2014 a mais afetada \u2014 amputada pelos m\u00e9dicos. O acidente mudaria em definitivo a vida de Clarice.<\/p>\n<h2>1967<\/h2>\n<p>&#8211; As in\u00fameras e profundas cicatrizes fazem com que a escritora caia em depress\u00e3o, apesar de todo o apoio recebido de seus amigos. N\u00e3o foi s\u00f3 um ano de acontecimentos ruins. Come\u00e7a a publicar em agosto \u2014 a convite de Dines \u2014 cr\u00f4nicas no &#8220;Jornal do Brasil&#8221;, trabalho que mant\u00e9m por seis anos. Lan\u00e7a o livro infantil O mist\u00e9rio do coelho pensante, pela Jos\u00e9 \u00c1lvaro Editor. Em dezembro, passa a integrar o Conselho Consultivo do Instituto Nacional do Livro.<\/p>\n<h2>1968<\/h2>\n<p>Em maio, o livro O mist\u00e9rio do coelho pensante \u00e9 agraciado com a &#8220;Ordem do Calunga&#8221;, concedido pela Campanha Nacional da Crian\u00e7a. Entrevista personalidades para a revista &#8220;Manchete&#8221; na se\u00e7\u00e3o &#8220;Di\u00e1logos poss\u00edveis com Clarice Lispector&#8221;. Participa da manifesta\u00e7\u00e3o contra a ditadura militar, em junho, chamada &#8220;Passeata dos 100 mil&#8221;. Morrem seus amigos e escritores L\u00facio Cardoso e S\u00e9rgio Porto (Stanislaw Ponte Preta). \u00c9 nomeada assistente de administra\u00e7\u00e3o do Estado. Profere palestras na Universidade Federal de Minas Gerais e na Livraria do Estudante, em Belo Horizonte. Publica A mulher que matou os peixes, outro livro infantil, ilustrado por Carlos Scliar.<\/p>\n<h2>1969<\/h2>\n<p>Publica seu &#8220;hino ao amor&#8221;: Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, pela Editora Sabi\u00e1. O romance ganha o pr\u00eamio &#8220;Golfinho de Ouro&#8221;, do Museu da Imagem e do Som. Viaja \u00e0 Bahia onde entrevista para a &#8220;Manchete&#8221; o escritor Jorge Amado e os artistas M\u00e1rio Cravo e Genaro. Em 14\/08 \u00e9 aposentada pelo INPS &#8211; Instituto Nacional de Previd\u00eancia Social. Seu filho Paulo, mora nos Estados Unidos desde janeiro, num programa de interc\u00e2mbio cultural. Seu irm\u00e3o Pedro, em tratamento psiqui\u00e1trico, esteve internado por um m\u00eas, em junho.<\/p>\n<h2>1970<\/h2>\n<p>Come\u00e7a a escrever um novo romance, com o t\u00edtulo provis\u00f3rio de Atr\u00e1s do pensamento: mon\u00f3logo com a vida. Mais adiante, \u00e9 chamado Objeto gritante. Foi lan\u00e7ado com o t\u00edtulo definitivo de \u00c1gua viva. Conhece Olga Borelli, de que se tornaria grande amiga.<\/p>\n<h2>1971<\/h2>\n<p>Publica a colet\u00e2nea de contos Felicidade clandestina, volume que inclui O ovo e a galinha, escrito sob o impacto da morte do bandido Mineirinho, assassinado pela pol\u00edcia com treze tiros, no Rio de Janeiro. H\u00e1, tamb\u00e9m, um conjunto de escritos em que rememora a inf\u00e2ncia em Recife. Encarrega o professor Alexandre Severino da tradu\u00e7\u00e3o, para o ingl\u00eas, de Atr\u00e1s do pensamento: mon\u00f3logo com a vida. Dez de seus contos j\u00e1 publicados constam de &#8220;Elenco de cronistas modernos&#8221;, lan\u00e7ado pela Editora Sabi\u00e1.<\/p>\n<h2>1972<\/h2>\n<p>Retoma a revis\u00e3o de Atr\u00e1s do pensamento, com o qual n\u00e3o estava satisfeita. Faz in\u00fameras altera\u00e7\u00f5es no texto e passa a cham\u00e1-lo Objeto gritante. Repensando o romance, procura distrair-se. Durante um m\u00eas posa para o pintor  Carlos Scliar, em Cabo Frio (RJ).<\/p>\n<h2>1973<\/h2>\n<p><a rel=\"lightbox[slb_915]\" href=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/aguaviva-clarice.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-927\" title=\"aguaviva clarice\" src=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/aguaviva-clarice.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/aguaviva-clarice.jpg 300w, https:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/aguaviva-clarice-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a>Publica o romance \u00c1gua viva, ap\u00f3s tr\u00eas anos de elabora\u00e7\u00e3o, pela Editora Artenova, que lan\u00e7aria tamb\u00e9m, nesse ano, A imita\u00e7\u00e3o da rosa, quinze contos j\u00e1 publicados anteriormente em outras colet\u00e2neas. Alberto Dines, em carta \u00e0 escritora, diz sobre \u00c1gua viva: &#8220;[&#8230;] \u00c9 menos um livro-carta e, muito mais, um livro m\u00fasica. Acho que voc\u00ea escreveu uma sinfonia&#8221;. Viaja \u00e0 Europa com a amiga Olga Borelli. Clarice deixa de colaborar com o &#8220;Jornal do Brasil&#8221;, face \u00e0 demiss\u00e3o de Alberto Dines, no m\u00eas de dezembro.<\/p>\n<h2>1974<\/h2>\n<p>Para manter seu n\u00edvel de renda, aumenta sua atividade como tradutora. Verte, entre outros, &#8220;O retrato de Dorian Gray&#8221;, de Oscar Wilde, adaptado para o p\u00fablico juvenil, pela Ediouro. Publica, pela Jos\u00e9 Olympio Editora, outro livro infantil, A vida \u00edntima de Laura e dois livros de contos, pela Artenova: A via crucis do corpo e Onde estivestes de noite. Uma curiosidade: a primeira edi\u00e7\u00e3o de Onde estivestes de noite foi recolhida porque foi colocado, erroneamente, um ponto de interroga\u00e7\u00e3o no t\u00edtulo. Seu c\u00e3o, Ulisses, lhe morde o rosto, fazendo com que se submeta a cirurgia pl\u00e1stica reparadora reparadora realizada por seu amigo Dr. Ivo Pitanguy. L\u00ea, em Bras\u00edlia (DF), a convite da Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Distrito Federal, a confer\u00eancia &#8220;Literatura de vanguarda no Brasil&#8221;, que j\u00e1 apresentara no Texas. Participa, em Cali \u2014 Col\u00f4mbia, do IV Congresso da Nova Narrativa Hispano-americana. Seu filho, Paulo, vai morar sozinho, em um apartamento pr\u00f3ximo ao da escritora. Pedro vai morar com o pai, em Montevid\u00e9u \u2014 Uruguai.<\/p>\n<h2>1975<\/h2>\n<p>Tendo como companheira de viagem a amiga Olga Borelli, participa do I Congresso Mundial de Bruxaria, em Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia. No dia de sua apresenta\u00e7\u00e3o sente-se indisposta e pede a algu\u00e9m que leia o conto O ovo e a galinha, n\u00e3o apresentando a fala sobre a magia que havia preparado para a introdu\u00e7\u00e3o da leitura. Muito embora minimizada, essa participa\u00e7\u00e3o tem muito a ver com as palavras ditas por Otto Lara Resende, conhecido escritor, em um bate-papo com Jos\u00e9 Castello: &#8220;Voc\u00ea deve tomar cuidado com Clarice. N\u00e3o se trata de literatura, mas de bruxaria.&#8221; Otto se baseava em estudos feitos por Claire Varin, professora de literatura canadense que escreveu dois livros sobre a biografada. Segundo ela, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ler Clarice tomando seu lugar \u2014 sendo Clarice.  &#8220;N\u00e3o h\u00e1 outro caminho&#8221;, ela garante.  Para corroborar sua tese, Claire cita um trecho da cr\u00f4nica A descoberta do mundo, onde a escritora diz: &#8220;O personagem leitor \u00e9 um personagem curioso, estranho. Ao mesmo tempo que inteiramente individual e com rea\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, \u00e9 t\u00e3o terrivelmente ligado ao escritor que na verdade ele, o leitor, \u00e9 o escritor.&#8221; Traduz romances, como &#8220;Luzes acesas&#8221;, de Bella Chagall, &#8220;A rendeira&#8221;, de Pascal Lain\u00e9, e livros policiais de Agatha Christie. Ao longo da d\u00e9cada, faz adapta\u00e7\u00f5es de obras de Julio Verne, Edgar Allan Poe, Walter Scott e Jack London e Ibsen. Lan\u00e7a Vis\u00e3o do esplendor, com trabalhos j\u00e1 publicados na coluna &#8220;Children&#8217;s Corner&#8221;, da revista &#8220;Senhor&#8221; e tamb\u00e9m no &#8220;Jornal do Brasil&#8221;. Publica De corpo inteiro, com algumas entrevistas que fizera anteriormente para revistas cariocas. \u00c9 muito elogiada quando visita Belo Horizonte, fato que a deixa contrariada. Passa a dedicar-se \u00e0 pintura. Morre, dia 28 de novembro, seu grande amigo e compadre Erico Verissimo. Re\u00fane trabalhos de Andr\u00e9a Azulay num volume artesanal ilustrado por S\u00e9rgio Mata, intitulado &#8220;Meus primeiros contos&#8221;. Andr\u00e9a tinha, ent\u00e3o, dez anos de idade.<\/p>\n<h2>1976<\/h2>\n<p>Seu filho Paulo casa-se com Ilana Kauffmann. Participa, em Buenos Aires, Argentina, da Segunda Exposici\u00f3n \u2014 Feria Internacional del Autor al Lector, onde recebe muitas homenagens. \u00c9 agraciada, em abril, com o pr\u00eamio concedido pela Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Distrito Federal, pelo conjunto de sua obra. Grava depoimento no Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, em outubro, conduzido por Affonso Romano de Sant&#8217;Anna, Marina Colasanti e por Jo\u00e3o Salgueiro, diretor do MIS. Em maio, corre o boato de que a escritora n\u00e3o mais receberia jornalistas. Jos\u00e9 Castello, bi\u00f3grafo e escritor, nessa \u00e9poca trabalhando no jornal &#8220;O Globo&#8221;, mesmo assim telefona e consegue marcar um encontro. Ap\u00f3s muitas idas e vindas \u00e9 recebido. Trava ent\u00e3o o seguinte di\u00e1logo com Clarice:<\/p>\n<p>J.C. &#8220;\u2014 Por que voc\u00ea escreve?<\/p>\n<p>C.L. &#8220;\u2014 Vou lhe responder com outra pergunta: \u2014 Por que voc\u00ea bebe \u00e1gua?&#8221;<\/p>\n<p>J.C. &#8220;\u2014 Por que bebo \u00e1gua? Porque tenho sede.&#8221;<\/p>\n<p>C.L. &#8220;\u2014 Quer dizer que voc\u00ea bebe \u00e1gua para n\u00e3o morrer. Pois eu tamb\u00e9m: escrevo para me manter viva.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto escreve A hora da estrela com a a ajuda da amiga Olga, toma notas para o novo romance, Um sopro de vida. Rev\u00ea Recife e visita parentes. Em dezembro, &#8220;Fatos e Fotos Gente&#8221;, revista do grupo &#8220;Manchete&#8221;, publica entrevista feita com a artista Elke Maravilha, a primeira de uma s\u00e9rie que se estenderia at\u00e9 outubro de 1977.<\/p>\n<h2>1977<\/h2>\n<p>A revista &#8220;Fatos e Fotos Gente&#8221; publica, em janeiro, entrevista feita pela escritora com M\u00e1rio Soares, primeiro-ministro de Portugal. O jornal &#8220;\u00daltima Hora&#8221; passa a publicar, a partir de fevereiro, semanalmente, as suas cr\u00f4nicas. Ainda nesse m\u00eas, \u00e9 entrevistada pelo jornalista J\u00falio Lerner para o programa &#8220;Panorama Especial&#8221;, TV Cultura de S\u00e3o Paulo, com o compromisso de s\u00f3 ser transmitida ap\u00f3s a sua morte. Escreve um livro para crian\u00e7as, que seria publicado em 1978, sob o t\u00edtulo Quase de verdade. Escreve, ainda, doze hist\u00f3rias infantis para o calend\u00e1rio de 1978  da f\u00e1brica de brinquedos &#8220;Estrela&#8221;, intitulado Como nasceram as estrelas. Vai \u00e0 Fran\u00e7a e retorna inesperadamente. Publica A hora da estrela, pela Jos\u00e9 Olympio, com introdu\u00e7\u00e3o \u2014 &#8220;O grito do sil\u00eancio&#8221; \u2014 de Eduardo Portella. Esse livro seria adaptado para o cinema, em 1985, por Suzana Amaral. A editora \u00c1tica lan\u00e7a nova edi\u00e7\u00e3o de A legi\u00e3o estrangeira, com pref\u00e1cio de Affonso Romano de Sant&#8217;Anna. Clarice morre, no Rio, no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes do seu 57\u00b0 anivers\u00e1rio vitimada por uma s\u00fabita obstru\u00e7\u00e3o intestinal, de origem desconhecida que, depois, veio-se a saber, ter sido motivada por um adenocarcinoma de ov\u00e1rio irrevers\u00edvel.  O enterro aconteceu no Cemit\u00e9rio Comunal Israelita, no bairro do Caju, no dia 11. Vai ao ar, pela TV Cultura, no dia 28\/12, a entrevista gravada em fevereiro desse ano.<\/p>\n<h2>1978<\/h2>\n<p>Tr\u00eas livros p\u00f3stumos s\u00e3o publicados: o romance Um sopro de vida \u2014 Pulsa\u00e7\u00f5es, pela Nova Fronteira, a partir de fragmentos em parte reunidos por Olga Borelli; o de cr\u00f4nicas  Para n\u00e3o esquecer, e o infantil,  Quase de verdade, em volume aut\u00f4nomo, pela \u00c1tica. Para n\u00e3o esquecer \u00e9 composto de cr\u00f4nicas que haviam sido publicadas na segunda parte do livro A legi\u00e3o estrangeira, em 1964, que compunham a se\u00e7\u00e3o &#8220;Fundo de Gaveta&#8221; do citado livro. A hora da estrela \u00e9 agraciada com o pr\u00eamio Jabuti de &#8220;Melhor Romance&#8221;. A paix\u00e3o sendo G. H. \u00e9 publicada na Fran\u00e7a, com tradu\u00e7\u00e3o de Claude Farny.<\/p>\n<h2>1979<\/h2>\n<p>\u00c9 publicado A bela e a fera, pela Nova Fronteira, contendo contos publicados esparsamente em jornais e revistas. Estr\u00e9ia, no teatro Ruth Escobar, em S\u00e3o Paulo, Um sopro de vida, baseado em livro de mesmo nome, com adapta\u00e7\u00e3o de Marilena Ansaldi e dire\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Possi Neto.<\/p>\n<h2>1981<\/h2>\n<p>&#8220;Clarice Lispector \u2014 Esbo\u00e7o para um retrato&#8221;, de Olga Borelli, \u00e9 lan\u00e7ado pela Nova Fronteira.<\/p>\n<h2>1984<\/h2>\n<p>Reunindo a quase totalidade de cr\u00f4nicas publicadas no Jornal do Brasil, no per\u00edodo de 1967 a 1973, \u00e9 lan\u00e7ado &#8220;A descoberta do mundo&#8221;, organiza\u00e7\u00e3o de Paulo Gurgel Valente, filho da autora. A \u00c9ditions des Femmes, da Fran\u00e7a, lan\u00e7a, em sua cole\u00e7\u00e3o &#8220;La Bibliot\u00e8que des voix&#8221;, fita cassete com trechos de La passion selon G. H., lidos pela atr\u00edz Anouk Aim\u00e9e.<\/p>\n<h2>1985<\/h2>\n<p>A hora da estrela recebe dois pr\u00eamios na 36\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival de Berlim: da Confedera\u00e7\u00e3o Internacional de Cineclubes \u2014 Cicae, e da Organiza\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Internacional do Cinema e do Audiovisual \u2014 Ocic. O longa-metragem de mesmo nome, dirigido por Suzana Amaral, com roteiro de Alfredo Oros tamb\u00e9m \u00e9 premiado: Marc\u00e9lia Cartaxo recebe o Urso de Prata de &#8220;Melhor Atriz&#8221;.<\/p>\n<h2>Outros acontecimentos<\/h2>\n<p>Os 10 anos da morte da escritora s\u00e3o lembrados com diversas homenagens em sua mem\u00f3ria. \u00c9 aberto ao p\u00fablico o conjunto de documentos que viria a constituir o Arquivo Clarice Lispector do Museu de Literatura Brasileira da Funda\u00e7\u00e3o Casa de Rui Barbosa &#8211; FCRB, no Rio de Janeiro, constitu\u00eddo de documentos doados por Paulo Gurgel Valente.<\/p>\n<p>Em 1990, a Francisco Alves Editora inicia a reedi\u00e7\u00e3o da obra da escritora. A paix\u00e3o segundo G. H. \u00e9 encenada na capital francesa, no teatro G\u00e9rard Philippe, em montagem de Alain Neddam. Diane E. Marting, em 1993, publica &#8220;Clarice Lispector. A Bio-Bibliography&#8221;, pela Westport: Greenwood Press, nos Estados Unidos. Em 1996, \u00e9 lan\u00e7ada a antologia &#8220;Os melhores contos de Clarice Lispector&#8221;, pela editora Global.<\/p>\n<p>Estr\u00e9ia no Rio de Janeiro &#8220;Clarice \u2014 Cora\u00e7\u00e3o selvagem&#8221;, adaptado e dirigido por Maria L\u00facia Lima, com Aracy Balabanian, em 1998.<\/p>\n<p>No ano seguinte, &#8220;Que mist\u00e9rios tem Clarice&#8221;, adaptado por Luiz Arthur Nunes e M\u00e1rio Piragibe estr\u00e9ia no teatro N. E. X. T.<\/p>\n<p>Fernando Sabino, em 2001, organiza e publica, pela Record, &#8220;Cartas perto do cora\u00e7\u00e3o&#8221;, contendo correspond\u00eancia que manteve com a escritora de 1946 a 1969.<\/p>\n<p>A editora Rocco lan\u00e7a, em 2002, &#8220;Correspond\u00eancias \u2014 Clarice Lispector&#8221;, antologia de cartas de e para a escritora, sele\u00e7\u00e3o de Teresa Montero.<\/p>\n<p>No anivers\u00e1rio de Clarice, 10\/12\/2002, a Embaixada do Brasil na Ucr\u00e2nia e a Prefeitura de Tchetchelnik se associam em homenagem \u00e0 mem\u00f3ria da escritora, inaugurando uma placa com dados biogr\u00e1ficos  gravados em russo e em portugu\u00eas, que \u00e9 afixada na entrada da sede da administra\u00e7\u00e3o municipal.<\/p>\n<p>Em 2004, os manuscritos de A hora da estrela e parte dos livros que pertenciam \u00e0 biblioteca pessoal de Clarice Lispector s\u00e3o confiadas por Paulo Gurgel Valente \u00e0 guarda do Instituto Moreira Salles, que lan\u00e7a, em dezembro, edi\u00e7\u00e3o especial dos &#8220;Cadernos de Literatura Brasileira&#8221;, dedicada \u00e0 vida e \u00e0 obra da autora.<\/p>\n<p>Em artigo publicado no jornal &#8220;The New York Times&#8221;, no dia 11\/03\/2005, a escritora foi descrita como o equivalente de Kafka na literatura latino-americana. A afirma\u00e7\u00e3o foi feita por Gregory Rabassa, tradutor para o ingl\u00eas de Jorge Amado, Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, Mario Vargas Llosa e de Clarice. No dia 13\/01, foi discutido o vi\u00e9s judaico na obra da autora no Centro de Hist\u00f3ria Judaica em Nova York.<\/p>\n<p>O Consulado-Geral do Brasil em C\u00f3rdoba &#8211; Argentina, participou, em 2007, de homenagem, dos alunos do 6\u00ba ano do n\u00edvel m\u00e9dio, \u00e0 escritora Clarice Lispector. O fato mereceu destaque na p\u00e1gina de divulga\u00e7\u00e3o de eventos culturais do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. Naquela cidade encontram-se 47 escolas que ensinam a L\u00edngua Portuguesa e aspectos da cultura e literatura brasileira. O Consulado-Geral tamb\u00e9m conta com uma pequena biblioteca, que atende ao p\u00fablico interessado nesses assuntos, embora n\u00e3o haja ali nenhuma obra da citada escritora. No entanto, t\u00eam sido publicadas, nos \u00faltimos tempos, notas sobre a vida e a obra de Clarice Lispector, na imprensa local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: www.releituras.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1920 Clarice Lispector nasce em Tchetchelnik, na Ucr\u00e2nia, no dia 10 de dezembro, tendo recebido o nome de Haia Lispector, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. 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