{"id":964,"date":"2011-05-27T15:42:47","date_gmt":"2011-05-27T18:42:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/?page_id=964"},"modified":"2011-05-27T15:42:47","modified_gmt":"2011-05-27T18:42:47","slug":"taras-chevtchenko","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/cultura\/personalidades\/taras-chevtchenko\/","title":{"rendered":"Taras Chevtchenko"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_988\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a rel=\"lightbox[slb_964]\" href=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/morentsi-aldeia-taras.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-988\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-988\" title=\"morentsi aldeia taras\" src=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/morentsi-aldeia-taras-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/morentsi-aldeia-taras-300x199.jpg 300w, http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/morentsi-aldeia-taras-610x406.jpg 610w, http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/morentsi-aldeia-taras.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-988\" class=\"wp-caption-text\">Morentsi, aldeia em que nasceu Chevtchenko<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1 quase 200 anos, na Europa Oriental, ao norte do Mar Negro, quase no centro da Ucr\u00e2nia, nasceu em 9 de mar\u00e7o de 1814 TAR\u00c1S CHEVTCHENKO. Cercado de muita ternura materna, mas sem qualquer conforto material, num casebre da aldeia de Morentsi n\u00e3o muito distante da margem direita do rio Dnipr\u00f3, nasceu o futuro g\u00eanio, um fervoroso patriota, um grande artista, o poeta maior da Ucr\u00e2nia. Armado de refinada arte e de inigual\u00e1vel maestria no manejo da palavra, iria redimir a l\u00edngua ucraniana e firm\u00e1-la definitivamente no \u00e2mbito da literatura universal. Iria encorajar seus compatriotas, ent\u00e3o intimidados com a cruel opress\u00e3o dos tzares russos, a reagirem contra o servilismo dos nobres e contra a servid\u00e3o a que estavam submetidos e a continuarem a luta pela independ\u00eancia e autodetermina\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Seu pai, Hrehorii, e sua m\u00e3e, Katerena, eram pobres camponeses ucranianos, como milhares de outros. Outrora livres, agora sem direitos e for\u00e7ados a viver em \u00e1reas determinadas de terra. Como servos destas glebas, eram doados pelo tzar aos seus fi\u00e9is fidalgos e aos seus protegidos, devendo permanecer a servi\u00e7o dos novos senhores. A gleba onde os Chevchenko viviam, que inclu\u00eda v\u00e1rias cidadezinhas e aldeias, fora doada ao nobre russo Vassil Engelhardt.<\/p>\n<p>Tar\u00e1s era o terceiro filho do casal. Antes dele, nasceram Meketa e Katerena. Depois nasceram ainda Iarema, Ossep e Maria, que nasceu cega.<\/p>\n<p>Aos dois anos de idades muda Tar\u00e1s com sua fam\u00edlia de Morentsi para aldeia vizinha, Kerelivka, onde j\u00e1 morava seu av\u00f4 Ivan Chevtchenko e seus tios. Nesta localidade, ambiente r\u00fastico e buc\u00f3lico, ele passa sua inf\u00e2ncia. A casa era pequena; a vida apertada. Mais tarde, ir\u00e1 escrever o poeta:<\/p>\n<p>&#8220;Chego a tremer quando recordo aquela casinha \u00e0 margem da vila&#8230;<\/p>\n<p>Ali m\u00e3e me agasalhava e em panos enrolando-me cantava,<\/p>\n<p>transferindo seus sentimentos de amargura para seu filho;<\/p>\n<p>naquele bosque, naquela casinha, no para\u00edso, o inferno eu via&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Para\u00edso era o lar, o conv\u00edvio familiar, o amor e o carinho da m\u00e3e e da irm\u00e3 mais velha, o bosque a\u00ed nas proximidades, o riacho onde ele gostava de brincar. Inferno era a amargura indisfar\u00e7\u00e1vel, que ele j\u00e1 desde pequeno lia no semblante de todos e pessoalmente sentia.<\/p>\n<p>A vida dos servos n\u00e3o era nada f\u00e1cil. O trabalho extenuante consumia todo o tempo e todas as for\u00e7as, sem nenhum proveito para eles. Tudo era para o senhor da terras. O sofrimento era tanto que a sua m\u00e3e veio a falecer com apenas 37 anos. Este fato tr\u00e1gico aconteceu quando Tar\u00e1s tinha apenas 9 anos e meio, deixando o menino fortemente abalado.<\/p>\n<p>Seu pai sabia ler e sabia que isso era talvez a \u00fanica forma de possibilitar ao filho um futuro melhor. Fez Tar\u00e1s frequentar a escola da aldeia: uma simples sala, em que um sacrist\u00e3o ensinava as crian\u00e7as, sentadas ao redor de uma grande mesa, a ler e a escrever. O rigor, por\u00e9m, da disciplina praticada pelo professor simpl\u00f3rio era excessivo e para um menino esperto e irrequieto como Tar\u00e1s, os castigos eram t\u00e3o frequ\u00eantes que se tornaram insuport\u00e1veis. Mal iniciou a ler e escrever, teve que abandonar a escola.<\/p>\n<p>Mas em casa a situa\u00e7\u00e3o lhe era ainda mais adversa. Tendo ficado vi\u00favo, seu pai, que permanecia os dias inteiros trabalhando no campo ou fazendo viagens de carro\u00e7a para o senhor, n\u00e3o tinha como cuidar da pr\u00f3pria casa. O irm\u00e3o mais velho de Tar\u00e1s tinha ent\u00e3o 13 anos, e a irm\u00e3 menor 4. Era urgente conseguir-se uma nova m\u00e3e para o lar que ficara abandonado. Tal fun\u00e7\u00e3o s\u00f3 p\u00f4de aceitar quem estava em situa\u00e7\u00e3o semelhante: uma jovem, vi\u00fava com 3 filhos pequenos. O pai de Tar\u00e1s casou-se com essa vi\u00fava. O lar, ent\u00e3o, virou um inferno para o menino, que tinha 10 anos.<\/p>\n<p>A madrasta n\u00e3o o suportava, e ele passou a ser alvo de toda sua ruindade. Frequentemente teve que fugir e passar dias e noites seguidas escondido em algum bosque ou caverna, sofrendo fome e frio. Para se ver livre dele, a madrasta obrigava-o a ir apascentar rebanhos alheios, ficando assim dias inteiros completamente abandonado.<\/p>\n<p>Certa vez, no ver\u00e3o, seu pai teve de fazer uma distante viagem de carro\u00e7a para o Sul, a servi\u00e7o do patr\u00e3o. Sabendo do dif\u00edcil relacionamento de Tar\u00e1s com a madrasta, n\u00e3o ousou deix\u00e1-lo indefeso e levou-o para acompanh\u00e1-lo. A viagem durou v\u00e1rias jornadas que se prolongavam noites a dentro. Para o inteligente menino isso foi uma experi\u00eancia fant\u00e1stica: ver e sentir a imensid\u00e3o das estepes, outras povoa\u00e7\u00f5es, acampamentos de ciganos, \u00e0 noite o c\u00e9u estrelado, a &#8220;lua de face clara&#8221; coma qual aprendeu a &#8220;conversar como irm\u00e3o com a irm\u00e3&#8221;. Essa experi\u00eancia da imensid\u00e3o e esse sentimento c\u00f3smico aparecem depois em sua poesias.<\/p>\n<p>Mais vezes Tar\u00e1s acompanhou seu pai em semelhantes viagens, interessantes para ele, extenuantes para o pai. Em uma delas seu pai, j\u00e1 fisicamente alquebrado, resfriou-se e adoeceu gravemente, vindo a falecer em mar\u00e7o de 1825, com 47 anos, deixando Tar\u00e1s, totalmente \u00f3rf\u00e3o com apenas 11 anos.<\/p>\n<p>A madrasta assumiu ent\u00e3o a casa como \u00fanica dona, e Tar\u00e1s, para manter-se afastado dela, ao saber que viera outro professor para a escola da aldeia, um outro sacrist\u00e3o, conseguiu que este o aceitasse em tempo integral, inclusive para morar junto com ele. Este o fez, ent\u00e3o, de chefe da classe e o transformou em seu auxiliar para todas as tarefas. Nos of\u00edcios f\u00fanebres cabia-lhe os salmos. Tar\u00e1s, de tanto repetir, sabia-os de cor.<\/p>\n<p>Essa experi\u00eancia, bem como essa escola, por mais prec\u00e1ria que fosse, foi muito \u00fatil para ele. Assim familiarizou-se com os livros, com a palavra escrita, com a linguagem po\u00e9tica dos salmos, com as gravuras das ilustra\u00e7\u00f5es. Mas, \u00f3rf\u00e3o de pai e m\u00e3e, pobre e abandonado, quase s\u00f3 conheceu mis\u00e9ria e injusti\u00e7a. Pelo trabalho di\u00e1rio nada lhe pagavam. Nem um peda\u00e7o de papel pr\u00f3prio o menino possu\u00eda. A prop\u00f3sito, conta ele mais tarde em um poema: sem outro recurso, chegou certa vez a roubar do sacrist\u00e3o uma moeda. Adquiriu com ela uma folha de papel e, dobrando-a, fabricou um caderno, contornando suas p\u00e1ginas com desenhos e fazendo a\u00ed suas primeiras anota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um dia, o professor-sacrist\u00e3o ficou completamente embriagado, e o menino, revoltado com os maus tratos, viu que esta era a hora oportuna para dar uma basta \u00e0 sua submiss\u00e3o humilhante. Aplicou uma tremenda surra no b\u00eabado e abandonou a sua casa, fugindo para longe, levando consigo t\u00e3o-somente algo que lhe era muito caro: um livrinho com ilustra\u00e7\u00f5es. Isso aconteceu quando ele j\u00e1 tinha 13 anos.<\/p>\n<p>Voca\u00e7\u00e3o Art\u00edstica: Inteligente e de forte personalidade, j\u00e1 desde pequeno ele sentia um irresist\u00edvel impulso de externar seu mundo interior, cheio de m\u00e1goa, de revolta e de sentimentos conflitantes. Na falta de interlocutores e introvertido por temperamento, ele fechava-se em s\u00ed e isolava-se ao ponto de desaparecer por v\u00e1rios dias e permanecer escondido em algum bosque ou numa caverna \u00e0 beira do riacho. Seu passatempo era, como ele mesmo conta, chorar, rabiscar figuras e cantarolar as can\u00e7\u00f5es que aprendera na inf\u00e2ncia, em casa, principalmente com a sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>Chorava de m\u00e1goa e de revolta, pois ainda que bem jovem, j\u00e1 tinha consci\u00eancia e experi\u00eancia de sua condi\u00e7\u00e3o de servo e \u00f3rf\u00e3o e via como paisagem da sua aldeia era ofuscada pela mis\u00e9ria, explora\u00e7\u00e3o e sofriemento. Nessa solid\u00e3o, o momento recordava, certamente com saudade, os bons tempos vividos na inf\u00e2ncia em companhia de seus pais e irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Relembrava como o seu pai lia em voz alta, para toda a fam\u00edlia, aos domingos, a &#8220;Men\u00e9ia&#8221;, um dos poucos livros dispon\u00edveis e largamente difundidos, que participava e era testemunha ocular das recentes revoltas dos camponeses liderados pelos &#8220;Haidamake&#8221;, l\u00edderes sociais revolucion\u00e1rios, contra os latifundi\u00e1rios e senhores, que os exploravam e maltratavam sem d\u00f3 nem piedade.<\/p>\n<p>A mais recente dessas revoltas ocorrera ali nas imedia\u00e7\u00f5es e fora cruelmente reprimida pelos senhores, \u00e0 m\u00e3o armada. In\u00fameros camponeses e seu l\u00edderes foram trucidados e posteriormente sepultados num grande cemit\u00e9rio perto de um mosteiro. Esse local tornou-se um centro de peregrina\u00e7\u00e3o. Tar\u00e1s inclusive j\u00e1 tinha estado l\u00e1 com sua irm\u00e3 mais velha Katerena, que a essa altura j\u00e1 estava casada e morava em outra aldeia. A casa dela era por sinal um dos ref\u00fagios seguros de Tar\u00e1s, apesar de provis\u00f3rio e sem maiores perspectivas.<\/p>\n<p>Tendo abandonado a &#8220;escola&#8221; do sacrist\u00e3o, ele estava agora literalmente na rua. Mas sabia o que queria. A necessidade de criar era para ele um impulso interior imperioso, categ\u00f3rico. Seu gosto por cantos populares j\u00e1 deixava entrever seu talento po\u00e9tico. Era fortemente estimulado pela poesia natural, autenticamente human\u00edstica e patri\u00f3tica, contida nesses cantos. Esse seu talento era t\u00e3o inato e cheio de conte\u00fado, que bastaria t\u00e3o-somente que fosse burilado e estimulado pelo exemplo e pela leitura de obras de outros poetas para que explodisse em todo seu vigor.<\/p>\n<p>Isso acontecer\u00e1 mais tarde. Mas naquela \u00e9poca Tar\u00e1s nem sonhava ainda em ser poeta. Sonhava ser pintor, o que j\u00e1 era um decis\u00e3o. Precisava, por isso, de um mestre que o admitisse como aprendiz dos rudimentos da arte. Assim ele inicia a sua busca. Dirige-se \u00e0 vizinha aldeia Lesianke. Havia ali um pintor. Contatado por Tar\u00e1s, ele o admite. Aproveita-se, contudo, do rapaz para faz\u00ea-lo trabalhar gratuitamente, puxar baldes de e mais baldes de \u00e1gua da fonte, fazer linpeza, preparar tinta, limpar pinc\u00e9is. Tr\u00eas dias se passaram, e nada de aula de pintura. O rapaz finalmente percebeu que estava sendo explorado como ajudante gratu\u00edto e que nenhum proveito vinha tendo disso. No quarto dia resolveu ir embora e dirigiu-se \u00e0 aldeia Tarasivka em busca de um outro mestre. Esse, por sua vez, com ares de quiromante, pede-lhe que lhe mostre a palam da m\u00e3o. &#8220;lendo-a&#8221;, tenta dissuadir o rapaz, afirmando-lhe que n\u00e3o v\u00ea nele nenhuma queda para a pintura, nem sequer para trabalhos manuais. Frustado, Tar\u00e1s volta \u00e0 sua aldeia e emprega-se na casa do pope, onde ocupa-se dos afazeres dom\u00e9sticos e cuida do gado e das ovelhas.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, por\u00e9m, insiste em sua busca e vai \u00e0 vila Hlepnivke, onde encontra um pintor, que comprova sua queda e seu talento para a arte. Como Tar\u00e1s era filho de servo, para poder estudar arte com ele, tinha que conseguir autoriza\u00e7\u00e3o da parte de seu senhor, na sede da Vilchane.<\/p>\n<p>A essa altura falece o velho senhor Vassil Engelhardt, e seu filho Pavl\u00f3 Vassilievitch Engelhardt herda aquelas propriedades. Ainda jovem, resolve fazer modifica\u00e7\u00f5es na administra\u00e7\u00e3o e pede para recrutarem novos servi\u00e7ais. Justo quando Tar\u00e1s vem em busca de autoriza\u00e7\u00e3o para estudar pintura, o administrador da propriedade resolve ret\u00ea-lo ali, para ser um dos novos servi\u00e7ais no pal\u00e1cio. Com certeza, esse tentou desconversar, mas aquilo era ordem e devia ser cumprida.<\/p>\n<p>Assim vemo-lo j\u00e1 vestido mais decentemente, aprendendo boas maneiras, trabalhando na cozinha e depois como pagem, postado na ante-sala, aguardando o chamado do seu senhor para trazer-lhe e acender-lhe o cachimbo, cal\u00e7ar-lhe ou descal\u00e7ar-lhe as botas, e coisas do g\u00eanero.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil de se imaginar a frusta\u00e7\u00e3o e a revolta do jovem. Mas escapar dali, nem pensar! As consequ\u00eancias podiam se tr\u00e1gicas.<\/p>\n<p>Sem outra sa\u00edda, permanece ele naquela fun\u00e7\u00e3o humilhante e mon\u00f3tona. Para distrair-se, observa as decora\u00e7\u00f5es e os quadros da ante-sala e de todo o pal\u00e1cio e come\u00e7a a copi\u00e1-los em folhas de papel. O senhor o flagra em tal atividade e o repreende severamente. Mas ele, \u00e0s escondidas, continua com o passatempo.<\/p>\n<p>Meses depois ele j\u00e1 acompanha seu senhor nas frequ\u00eantes viagens, ap\u00f3s ter aprendido a falar alguma coisa, ao menos, em russo e polon\u00eas. Nos pal\u00e1cios dos senhores e entre os nobres naqueles lugares falavam-se ent\u00e3o esssas l\u00ednguas, e ele for\u00e7osamente tinha que ir aprendendo-aos poucos.<\/p>\n<p>Em meados de 1829, quando Tar\u00e1s j\u00e1 tinha 15 anos, seu senhor que era oficial do ex\u00e9rcito russo, parte para uma longa viagem e leva consigo grande comitiva de servi\u00e7ais. Entre eles est\u00e1 o jovem pagem. O destino final \u00e9 Vars\u00f3via, mas primeiro passam por Vilna, na Litu\u00e2nia, onde permanecem um longo tempo, acomodados num pal\u00e1cio em que se hospedou seu senhor.<\/p>\n<p>Numa noite, em Vilna, aconteceu que Pavl\u00f3 Engelhardt saiu para uma festa e nosso jovem candidato a artista, impressionado com a decora\u00e7\u00e3o e a beleza dos quadros do pal\u00e1cio, resolve copiar as pintuas, \u00e0 luz de vela. Estava t\u00e3o mergulhado em sua atividade que nem percebeu a chegada do severo par\u00e3o, que furioso, aplica-le v\u00e1rios pux\u00f5es de orelha e aos tapas e gritos o repreende e manda castig\u00e1-lo com violenta surra com vara por ter ousado estar ali \u00e0 noite com vela acesa, podendo assim ter incendiado n\u00e3o s\u00f3 o pal\u00e1cio, mas toda a cidade! A f\u00faria e ira de Pasvl\u00f3 Engeljardt naquela oportunidade devia ter outros motivos, e s\u00f3 aproveitou a oportunidade para descarrag\u00e1-las sobre uma v\u00edtima inocente, pois a essa altura ele j\u00e1 com certeza conhecia o talento e o gosto do seu pagem pela pintura. Seguiram, pois viagem a Vars\u00f3via e, chegando l\u00e1, ele fez Tar\u00e1s estudar desenho pintura com Lampi, um popular artista pintor de retratos, certamente pensando assim em ter futuramente um artista em sua casa para &#8220;uso pr\u00f3prio&#8221;.<\/p>\n<p>Estudando Desenho: Embora por intersses escusos do patr\u00e3o, finalmente o nosso aprendiz inicia a realizar seus sonhos t\u00e3o insistentemente almejados. \u00d3rf\u00e3o, servo e pagem, agora se vestia com roupa nova, limpa e bem passada, frequentava aulas a que assistiam gente livre e inclusive nobres.<\/p>\n<p>Quem cuidava da roupa de Tar\u00e1s, lavava-a e passava, era uma jovem polonesa, com quem logo travou grande amizade. A essa altura, j\u00e1 devia estar falando e entendendo bastante bem a l\u00edngua polonesa, pois a mo\u00e7a, com certeza, n\u00e3o sabia outra l\u00edngua. Sobre essa amizade e as conversas bastante cordiais, falar\u00e1 Tar\u00e1s mais tarde para seus amigos, dizendo, entre outras coisas, que o que mais o intriga era o fato de que uma jovem, como ele, mas pelo fato de n\u00e3o ser de servos, podia fazer um servi\u00e7o humilde e ser paga por isso, sendo e devendo ser respeitada por outros, enquanto que ele, por ser servo e filho de servos, nada podia dizer quando era tratado por seu senhor e seus prepostos como um c\u00e3o qualquer.<\/p>\n<p>Em 29 de novembro de 1830 inicia-se em Vars\u00f3via uma revolta dos poloneses contra o dom\u00ednio russo, e Pavl\u00f3 Engelhardt \u00e9 for\u00e7ado a retirar-se dali com o seu destacamento militar para S\u00e3o Petersburgo.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Petersburgo, seu senhor permite somente que ele continue o aprendizado e a pr\u00e1tica da pintura com um pintor de paredes e decorador, Cheriaiev. Esse, mau car\u00e1ter que era, sequer leva em considera\u00e7\u00e3o que Tar\u00e1s j\u00e1 estudara desenho e pintura em V\u00e1rs\u00f3via. Humilha-o fazendo-o ocupar-se das tarefas mais simples e cansativas, pintando cerca e muros. Tal atividades era um retrocesso para ele. Mas com o passar do tempo ele passa a executar tarefas mais sofisticadas, tendo o pintor que instru\u00ed-lo e dar-lhe a necess\u00e1ria orienta\u00e7\u00e3o, bem como possibilidade para se especializar no ramo. O sucesso do aprendiz n\u00e3o tardou e inclusive passou a ser fonte de renda para Cheriaiev, que por isso, desvendava-lhe todos os segredos da arte e insistia em mant\u00ea-lo consigo. Vindo a saber disso Pavl\u00f3 Engerlhardt passa a cobrar de Cheriaiev pelo seu servo-artista. Tar\u00e1s nada recebe, mas \u00e9 contratado para um per\u00edodo de 4 anos por Cheriaiev.<\/p>\n<p>Tanto Tar\u00e1s como outros aprendizes e aux\u00edliares moravam e trabalhavam junto com Cheriaiev, em tempo intergral. Somente aos domingos permitia-lhes ir \u00e0 igreja. Como n\u00e3o tinha nenhuma folga, Tar\u00e1s costumava sair de madrugada para o servi\u00e7o e antes de chegar a hora de come\u00e7ar a trabalhar, ou tamb\u00e9m \u00e0 noite quando voltava do servi\u00e7o, aproveitava para ir a um grande parque da cidade e desenhar copiando est\u00e1tuas de deuses mitol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>A sorte finalmente sorriu para ele. Num desses ser\u00f5es foi surpreendido por um estranho que, admirado com a qualidade do seu trabalho, interessou-se em saber quem era aquele an\u00f4nimo artista com tanto talento. E qual foi a supresa deles quando descobriram que ambos eram compatriotas e quase vizinhos na terra natal. Esse estranho era o artista e estudante da Academia de Artes de S\u00e3o Petersburgo, Ivan Sochenko.<\/p>\n<p>Isso ocorreu em meados de 1835. Com o inesperado encontro iria mudar completamente o rumo de sua vida.<\/p>\n<p>Liberta\u00e7\u00e3o de Tar\u00e1s: Conterr\u00e2neos, falando a mesma l\u00edngua e irmanados por id\u00eantica voca\u00e7\u00e3o art\u00edstica, ambos tornaram-se quase que imediatamente grandes amigos. Sochenko, encantado com o talento e a intelig\u00eancia do amigo, procura aux\u00edli\u00e1-lo como pode. P\u00f5e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dele seu modesto ateli\u00ea, e gra\u00e7as ao seu relacionamento e conhecimento com Cheriaiev, consegue que o libere para que possa visit\u00e1-lo, inicialmente aos domingos, e mais tarde inclusive nos dias em que n\u00e3o havia servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Os progressos do aprendiz s\u00e3o fant\u00e1sticos. J\u00e1 domina a t\u00e9cnica do desenho. Come\u00e7a a aprofundar-se na arte da pintura de retratos com aquarela. Com o amigo come\u00e7a a visitar e apreciar as galerias de arte e entra em contato com o mundo art\u00edstico da capital do imp\u00e9rio, onde naquela \u00e9poca estava concentrado o que de melhor havia nos dom\u00ednios do tzar. Tem acesso a cursos e ciclos de estudos da Sociedade de Apoio aos Artistas, cuja diretoria, vendo qualidade de seus trabalhos, assegura-lhe a possibilidade de conceder uma bolsa para que se estude na Academia de Artes de S\u00e3o Petersburgo.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca n\u00e3o era permitido o acesso de servos, pessoas n\u00e3o livres, para serem acad\u00eamicos. Eis mais uma raz\u00e3o para Tar\u00e1s querer ver-se livre de sua dura e humilhante condi\u00e7\u00e3o. E agora isto j\u00e1 era mais vi\u00e1vel. Conhecera muitas pessoas influentes, do mundo art\u00edsticos, que lhe eram favor\u00e1veis. A esperan\u00e7a era grande e seu empenho maior ainda.<\/p>\n<p>Ivan Sochenko logo apresentou Tar\u00e1s a seu amigo Ievhen Hrebinka, escritor e humorista ucraniano, estabelecido em S\u00e3o Petersburgo desde 1834, que escrevia em ucraniano e principalmente em russo, sobre temas ucranianos, era alto funcion\u00e1rio na administra\u00e7\u00e3o do ensino e por isso tinha muito prest\u00edgio e acesso aos meios intelectuais, art\u00edsticos e pol\u00edticos. Essa nova amizade foi de imensa import\u00e2ncia, pois deu acesso para Tar\u00e1s, que ent\u00e3o j\u00e1 era rapaz de 23 anos, \u00e0 biblioteca mais completa dispon\u00edvel naquela \u00e9poca em S\u00e3o Petersburgo, sobre temas ucranianos e de autores ucranianos antigos e mais recentes que tratavam de hist\u00f3ria como tamb\u00e9m da cultura, costumes e arte popular. Hrebinka emprestava todos os livros que Tar\u00e1s queria, e este, como ele pr\u00f3prio testemunhar\u00e1, lia &#8220;tudo o que lhe ca\u00eda nas m\u00e3os&#8221;.<\/p>\n<p>Como trabalhava o dia inteiro com pintura, lia \u00e0 noite, \u00e0 luz de velas, que seu amigo Ivan Sochenko lhe comprava, pois n\u00e3o tinha ent\u00e3o dinheiro nem para isso. Como lia tudo, com certeza leu tamb\u00e9m os melhores autores russos e tamb\u00e9m poloneses, pois conhecia bem essas duas l\u00ednguas. Assim teve acesso ao fant\u00e1stico mundo da literatura, da poesia cl\u00e1ssica e rom\u00e2ntica, esta \u00faltima, ent\u00e3o dominados nos meios art\u00edsticos.<\/p>\n<p>Karl\u00f3 Briullov Karl\u00f3 Briullov, 1838<\/p>\n<p>Por Sochenko e Hrebinka foi Tar\u00e1s apresentado ao secret\u00e1rio da Academia de Artes, Vassil Hrihorovitz, ao artista Venetzianov, ao destacado pintor Karl\u00f3 Briulov, ao preceptor dos filhos do tzar e famosos poeta Vassil Zuk\u00f3vski. A amizade com tais celebridades e intelectuais era de grande import\u00e2ncia para Tar\u00e1s, pois lhe proporcionava acesso \u00e0s \u00faltimas novidades no campo da arte e da literatura. E todos eles, vendo o seu talento, iniciaram gest\u00f5es para que fosse-lhe poss\u00edvel estudar na Academia de Artes. Como isso, devido a sua condi\u00e7\u00e3o de servos, n\u00e3o lhe era permitido, come\u00e7aram a empenhar-se para libert\u00e1-lo. Seu senhor Pavl\u00f3 Engelhardt, n\u00e3o se mostrava sens\u00edvel aos argumentos e apelos filatr\u00f3picos e human\u00edsticos e n\u00e3o concordava em libertar seu servo, ainda mais agora, que j\u00e1 era t\u00e3o prestigiado. Finalmente concordou e deu seu pre\u00e7o: queria pela sua liberta\u00e7\u00e3o 2.500 rubros. A quantia era muito alta e como nenhum dos seus amigos dispunha dela, resolveram arrecad\u00e1-la junto aos nobres com uma rifa. O Pintor Briulov fez um quadro do poeta Zuk\u00f3vski, ent\u00e3o o poeta mais popular e preferido da corte, e rifando-o conseguiram o dinheiro necess\u00e1rio. Compraram assim a carta de alforria de Tar\u00e1s Chevtchenko. Isso ocorreu no dia 22 de abril de 1838, quando ele tinha 24 anos completos. Em mem\u00f3ria a esse seu dia inesquec\u00edvel ele dedicou mais tarde dois poemas aos seu benfeitores e amigos: ao poeta Zuk\u00f3svki o poema &#8220;Katerena&#8221;, e ao secret\u00e1rio da Academia, Vassil Hrihorovitz, o poema &#8220;Haidamake&#8221;.<\/p>\n<p>Livre, Tar\u00e1s Chevtchenko recebeu a bolsa de estudos prometida e come\u00e7ou a frequentar a Academia de Artes. Em pouco tempo tornou-se um dos melhores alunos do grande mestre Briulov, que lhe franqueou o acesso ao seu ateli\u00ea e \u00e0 sua biblioteca, a qualquer hora, tornando-se seu grande amigo e confidente.<\/p>\n<p>Seus contatos e relacionamentos com pessoas cultas e suas amizades aumentavam cada dia, e al\u00e9m disso, Chevtchenko n\u00e3o s\u00f3 lia, mas devorava todos os livros que lhe vinham \u00e0s m\u00e3os, para recuperar o tempo perdido e compensar o que n\u00e3o p\u00f4de aprender antes. E tinha muito o que aprender. Ele mesmo confessa mais tarde, que teve que aprender as mais elementares no\u00e7\u00f5es de matem\u00e1ticas, pois nem as quatro opera\u00e7\u00f5es nunca ainda lhe tinham sido ensinadas at\u00e9 ent\u00e3o, bem como geometria e conhecimentos gerais. Al\u00e9m disso, os teatros, concertos, conversas e debates com pessoas inteligentes e cultas, a Academia, tudo desenvolvia a sua intelig\u00eancia e aumentava seus conhecimentos. T\u00e3o-s\u00f3 a lembran\u00e7a da sua p\u00e1tria, as saudades de seu povo e a consci\u00eancia do jugo da servid\u00e3o a que seus compatriotas estavam submetidos, transtornavam-no e perpassavam de triteza e melancolia esse per\u00edodo t\u00e3o afortunado e feliz.<\/p>\n<p>Surge o Poeta: \u00c9 como um homem livre, que Tar\u00e1s Chevtchenko come\u00e7a a escrever sistematicamente versos, embora suas primeiras tentativas datem do ano de 1837. Desse per\u00edodo somente conservou-se o seu primeiro poema rom\u00e2ntico &#8220;Pretchena&#8221; (Louca), publicado por Evhen Hrebinka em seu almanaque &#8220;Lastivka&#8221;, em 1841.<\/p>\n<p>O que lia, o que sentia e pensava sobre a p\u00e1tria sofrida e t\u00e3o profundamente amada, ele recantava em versos, anotava-os em folhas de papel e guardava em uma caixa debaixo da sua cama, sem mostrar a ningu\u00e9m, exceto a seu amigo Hrebinka, que o admirava e incentivava.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sua liberta\u00e7\u00e3o, passou a morar junto com seu amigo Ivan Sochenko. Ambos dividiam um quarto t\u00e9rreo, que lhes servia de moradia, dormit\u00f3rio e ateli\u00ea. Juntos estudavam na Academia, juntos moravam e trabalhavam.<\/p>\n<p>A maior ocupa\u00e7\u00e3o dos artistas de ent\u00e3o era o desenho e a pintura de retratos, eles os pintavam sob encomenda e geralmente na presen\u00e7a do interessado.<\/p>\n<p>Naquele tempo, um rico senhor ucraniano veio a S\u00e3o Petersburgo e, visitando, entre outros, o seu amigo e escritor Evhen Hrebinka, manifestou-lhe o desejo de fazer um retrato. Este encaminhou-o para o seu amigo e protegido Tar\u00e1s Chevtchenko.<\/p>\n<p>Era o nobre ucraniano Petr\u00f3 Martos, da cidade de Poltava. Ao posar no ateli\u00ea para a confec\u00e7\u00e3o do seu retrato, viu ali uma folha de papel manuscritos uns versos. Ao l\u00ea-los ficou admirado com a beleza do poema e com o seu conte\u00fado patri\u00f3tico. Tratava-se do poema &#8220;Tarassanova nitch&#8221; (Noite de Tar\u00e1s), que retratava um &#8220;Kobzar&#8221; (trovador, geralmente ex-guerreiro cego, que cantava e declarava poemas \u00e9picos, tocando um instrumento musical de cordas chamado &#8220;Kobza&#8221;). O poema iniciava com os seguintes versos:<\/p>\n<p>&#8220;Na encruzilhada um &#8220;Kobzar&#8221; est\u00e1 sentado,<\/p>\n<p>tocando a sua &#8220;Kobza&#8221;&#8230;<\/p>\n<p>Da\u00ed prov\u00e9m o t\u00edtulo da primeira colet\u00e2nea de poesias de Tar\u00e1s Chevtchenko. Pois Petr\u00f3 Martos, com a concord\u00e2ncia do novo poeta, levou esse e mais outros sete poemas para o seu amigo Evhen Hrebinka e, convencido do seu alto valor liter\u00e1rio e art\u00edstico, providenciou sua publica\u00e7\u00e3o, o que ocorreu em 1840, em S\u00e3o Petersburgo. Sob o t\u00edtulo de &#8220;Kobzar&#8221; foram publicados ent\u00e3o 8 poemas. Al\u00e9m de &#8220;Tarassova nitch&#8221;, mais os seguintes: &#8220;Zaspiv&#8221;, &#8220;Dume mo\u00ed dume&#8221;, &#8220;Pereb\u00eandia&#8221;, &#8220;Katerena&#8221;, &#8220;Topolha&#8221;, &#8220;Nastz\u00f3 men\u00ed brove&#8221;, &#8220;Do Osnovianenka&#8221; e &#8220;Ivan Pidkova&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_989\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a rel=\"lightbox[slb_964]\" href=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/kobzars-taras.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-989\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-989\" title=\"kobzars taras\" src=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/kobzars-taras-250x300.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/kobzars-taras-250x300.jpg 250w, http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/kobzars-taras.jpg 438w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-989\" class=\"wp-caption-text\">Kobzars<\/p><\/div>\n<p>O &#8220;Kobzar&#8221; era t\u00e3o-somente um livrinho, mas seu conte\u00fado e a forma fizeram o povo estremecer: antes de Chevtchenko ainda ningu\u00e9m na Ucr\u00e2nia, tinha escrito assim sobre a explora\u00e7\u00e3o do povo, ningu\u00e9m ainda pintara t\u00e3o lindamente o passado da ucr\u00e3nia, ou lamentara de tal forma de o povo daquele tempo nada saber sobre a gl\u00f3ria de outrora, permanecendo calado e submisso. Pessoas idosas, inclusive os mais ricos e livres que j\u00e1 desde muito estavam distanciados e at\u00e9 desacostumados da l\u00edngua materna, choravam lendo o &#8220;Kobzar&#8221;.<\/p>\n<p>Lendo as palavras do jovem poeta, a Ucr\u00e2nia estremece e levanta a cabe\u00e7a. O poeta, com uma sutileza sem igual, conhecendo profundamente sua terra, encontrou uma forma de falar que atingiu diretamente a alma do seu povo, e suas palavras boas e suaves, profundas e humanas, mas sobretudo penetrantes, despertaram o que estava profundamente adormecido, amortecido pelo infort\u00fanio e pela desola\u00e7\u00e3o: o sentimento nacional ucraniano.<\/p>\n<p>O poeta revela um estraordin\u00e1rio amor \u00e0 sua terra e \u00e0 sua gente. E em palavras sedutoras, novas e ardentes, descreve as belezas e os encantos da terra ucraniana, descreve a vida simples e os sentimentos humanos do seu povo. Todos ouvem maravilhados a voz nova: os l\u00e1bios apertados pela dor, entreabrem-se; os cora\u00e7\u00f5es degelam e come\u00e7am a pulsar de uma forma diferente; os olhos das pessoas adquirem na sua express\u00e3o algo de novo, os sentimentos come\u00e7am a vibrar suavemente, em manifesta\u00e7\u00f5es quentes de l\u00e1grimas, de melancolia, de nostalgia, de saudades de algo que era belo, era precioso, mas que se foi. Toda a Ucr\u00e2nia passou a falar do ex-servo, glorificando-o e n\u00e3o poupando-lhe elogios.<\/p>\n<p>Contr\u00e1ria foi a rea\u00e7\u00e3o dos escritores e cr\u00edticos de arte de S\u00e3o Petersburgo e Moscou. Era se se esperar coerente com sua mentalidades imperialistas e chovinistas que viam beleza e arte somente em sua l\u00edngua e em obras de seus pares. Um cr\u00edtico, Visarion Bielinski, esqueceu-se at\u00e9 de tratar do aspecto liter\u00e1rio e art\u00edstico da obra do novo poeta, e baixando o n\u00edvel, atacou-o ferozmente e com ironia, censurando-o por &#8220;pretender&#8221; fazer arte liter\u00e1ria usando a &#8220;l\u00edngua dos camponeses&#8221;, &#8211; assim ele chamava a l\u00edngua ucraniana, considerando-a um simples dialeto, uma corruptela da l\u00edngua russa, para ele, a \u00fanica id\u00f4nea para a literatura no imp\u00e9rio. Censurou-o por ocupar-se com temas que ele considerava banais e desinteressantes, pois a arte liter\u00e1ria, dogmatizava ele, destina-se a pessoas cultas e n\u00e3o ao povo simples, com temas mais interessantes e idealizando a realidade.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o de T\u00e1ras Chevtchenko n\u00e3o tardou. Logo em 1841, publica seu grande poema hist\u00f3rico-patri\u00f3tico &#8220;Haidamake&#8221; e uma passagem ironiza o conselho daquele cr\u00edtico de n\u00e3o esbanjar seu talento, as aproveit\u00e1-lo escrevendo em l\u00edngua russa. &#8220;\u00c9 quente o agasalho, mas, muito obrigado, n\u00e3o me serve.&#8221;<\/p>\n<p>Em 1842 Tar\u00e1s Chevtchenko chega a escrever uma pe\u00e7a de teatro e alguns poemas em l\u00edngua russa, para provar a seus cr\u00edticos mais impertinentes que a conhecia mas que n\u00e3o a usava na sua obra liter\u00e1ria, porque n\u00e3o gostava. Na l\u00edngua materna, sua veia pr\u00f3pria fluia espontaneamente; na estranha, s\u00f3 for\u00e7ando a criatividade. Sobre o seu cr\u00edtico, escreve a um amigo: &#8220;Que ladre o c\u00e3o, o vento dissipar\u00e1 seus latidos&#8221;!<\/p>\n<div id=\"attachment_990\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a rel=\"lightbox[slb_964]\" href=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/chevtchenko_auto_retrato.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-990\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-990\" title=\"chevtchenko_auto_retrato\" src=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/chevtchenko_auto_retrato.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"506\" srcset=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/chevtchenko_auto_retrato.jpg 400w, http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/chevtchenko_auto_retrato-237x300.jpg 237w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-990\" class=\"wp-caption-text\">Auto retrato de Chevtchenko<\/p><\/div>\n<p>Nesse per\u00edodo sua vida \u00e9 muito movimentada. Escreve muito, l\u00ea tudo e o quanto pode. Na Academia de Artes continua seus estudos e j\u00e1 pintando a \u00f3leo. De 1840, justamente deste per\u00edodo pinta seu famoso auto-retrato, com pose, adere\u00e7os e express\u00f5es idealizada no melhor estilo rom\u00e2ntico daquela \u00e9poca. As encomendas de quadros avolumam-se e com elas come\u00e7a a entrar dinheiro, o que lhe permite arrumar-se melhor, frequentar ambientes mais requintados e levar uma intensa vida social, mais compat\u00edvel com a sua crescente fama de artista da pintura e da palavra. Frequenta assiduamente o teatro e participa de todos os eventos culturais. Seu desempenho na Academia de Artes \u00e9 objeto de men\u00e7\u00e3o honrosa da Sociedade de Apoio dos Artitas, que lhe renova, por isso, a bolsa de estudos. Torna-se amigo \u00edntimo do jovem pintor, alem\u00e3o de origem, V. Sternberg, que ap\u00f3s ter passado uma temporada pintando na Ucr\u00e2nia, estava agora em S\u00e3o Petersburgo, cursando a Academia de Artes. Colegas da Academia, com o tempo, dividem o aluguel de quarto e passam a morar juntos. Com Eternberg, Tar\u00e1s Chevtchenko participa dos ser\u00f5es liter\u00e1rios da col\u00f4nia alem\u00e3 em S\u00e3o Petersburgo, e assim conhece as obras dos escritores europeus e a m\u00fasica cl\u00e1ssica e rom\u00e2ntica dos grandes compositores do continente.<\/p>\n<p>Saudades da P\u00e1tria: O relativamente pequeno n\u00famero de exemplares impressos do &#8220;Kobzar&#8221; logo se espalha entre os seus conter\u00e2neos e os seus versos j\u00e1 circulam na Ucr\u00e2nia de m\u00e3o em m\u00e3o em c\u00f3pias manuscritas. Com a sua popularidade crescia tamb\u00e9m o n\u00famero de amigos compatriotas, que passaram a apreciar muito o poeta e procuravam ajud\u00e1-lo como podiam. Eram intelectuais, como o poeta e historiador Mekola Mark\u00e9vitz, artistas como o grande Mechailo Stch\u00e9pkin &#8211; tamb\u00e9m filho de servos e agora muito polpular, patriotas e militares como o comandante do ex\u00e9rcito no Mar Negro, I\u00e1kiv Kucharenko, ricos senhores, como o fazendeiro de Katchanivka, Tern\u00f3vski, e muitos outros. Com eles e com muito outros mantinha, Tar\u00e1s Chevtchenko, viva e frequente correspond\u00eancia, onde falava de suas dificuldades e anseios e recebia deles incentivo e informa\u00e7\u00f5es sobre as \u00faltimas novidades de sua terra e a repercuss\u00e3o da sua obra po\u00e9tica e patri\u00f3tica, e inclusive convites para que viesse visit\u00e1-los, assim que pudesse voltar \u00e0 pr\u00f3pria terra.<\/p>\n<p>Tendo conclu\u00eddo o 5\u00ba ano de estudos na Academia, o curso durava 6 anos, nas f\u00e9rias de ver\u00e3o, em meados de 1843, finalmente realizou seu maior desejo: viajou para a sua terra, foi rever a sua Ucr\u00e2nia, agora como pessoa livre. Partira de l\u00e1 em 1829 com 15 anos e meio. Voltava 14 anos depois com 29 anos.<\/p>\n<p>Permanece ali v\u00e1rios meses, visitando os amigos na regi\u00e3o de Tcherniniv e de Poltava, onde se hospeda \u00e9 recebido com muita festa e calor humano. Ali conhece muitas pessoas de destaque, entre os quais o pr\u00edncipe ucraniano R\u00e9pnin, antigo governador-geral residente em Kiev, atualmente exonerado pelo Tzar. Fica amigo da filha de R\u00e9pnin, a princesa Varvara R\u00e9pnin, que lhe foi de suma import\u00e2ncia mais tarde, amizade que manteve at\u00e9 o fim da vida.<\/p>\n<p>Visitou seu familiares em Kerelivka, esteve em Kiev, foi para Chort\u00eatsia e visitou o mosteiro Mejeh\u00edrskei Spas (que ser\u00e1 depois o palco do seu poema &#8220;Tchernetch&#8221; &#8211; Monge). Visitou lugares de grande import\u00e2ncia hist\u00f3rica. Esteve em Tchegheren, capital dos cossacos; conheceu os saltos do rio Dnipr\u00f3, nos quais, em uma ilha situa-se o quartel general dos cossacos. Foi a Sub\u00f3tiv, propriedade e antiga resid\u00eancia do &#8220;Hetman&#8221; Bohdan Khmelhn\u00eatskei. Reviveu parte do passado hist\u00f3rico, mas s\u00f3 viu ru\u00ednas. O contraste entre as duas realidades o magoa, fere-lhe a alma, a inevit\u00e1vel reflex\u00e3o patri\u00f3ta faz nascer no poeta o desejo indom\u00e1vel de fazer algo para mudar esta realidade. \u00c9 aqui que o Poeta torna-se profeta. Aqui nascem os poemas &#8220;Rosreta Mohela&#8221; (T\u00famulo profanado), &#8220;Tchegheren&#8221;, &#8220;Velek\u00eai Ihokh&#8221; (Grande caverna). Aqui toma forma a concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica anti-moscovita de Tar\u00e1s Chevtchenko.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 10 meses volta a S\u00e3o Petersburgo para o \u00faltimo ano de curso na Academia. Mas volta com o cora\u00e7\u00e3o cheio de dor e amargura devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica da sua p\u00e1tria. Ele viu como o povo da Ucr\u00e2nia era mantido na ignor\u00e2ncia, para que n\u00e3o conhecesse o &#8220;esp\u00edrito da verdade&#8221;, para que n\u00e3o tentasse reagir e reinvendicar seus direitos e a liberdade. Viu que os nobres e os ricos al\u00e9m de n\u00e3o importa-se com a Ucr\u00e2nia ainda por cima ajudavam &#8220;aos moscovitas a dominar e a arrancar dela at\u00e9 a camisa j\u00e1 remendada&#8221;. De sua pena s\u00f3 flui m\u00e1goa e tristeza no poema &#8220;Rosreta Mohela&#8221; (T\u00famulo profanado). No poema &#8220;Son&#8221; (Sonho) condena e satiriza a ordem imposta pelo tzares.<\/p>\n<p>Durante o ano de 1844 conclui seus estudos e diploma-se como artista e pintor profissional, em 22 de mar\u00e7o de 1845. A seguir volta para a Ucr\u00e2nia e fixa-se na Capital, Kiev.<\/p>\n<p>Tar\u00e1s Chevtchenko &#8211; O Profeta Nacional: Em kiev, devido \u00e1 sua condi\u00e7\u00e3o de artista profissional diplomado, logo vincula-se \u00e0 Universidade local e integra a Comiss\u00e3o Arqueogr\u00e1fica criada por essa institu\u00ed\u00e7ao para inventariar e redescobrir o passado da Ucr\u00e2nia, reconstituindo e redesenhando os monumentos hist\u00f3ricos em ru\u00ednas, anotando os usos, costumes e tradi\u00e7\u00f5es do povo, coletando lendas e can\u00e7\u00f5es populares. Mas o seu interesse n\u00e3o era meramente cultural e art\u00edstico. Estudando o passado, a sua preocupa\u00e7\u00e3o era com o presente. Estudando e pesquisando o passado glorioso, ele procurava as raz\u00f5es da atual desgra\u00e7a nacional. Suas constata\u00e7\u00f5es, an\u00e1lises e conclus\u00f5es eram o tema de seus poemas desse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Essas id\u00e9ias patri\u00f3ticas e pol\u00edticas ele j\u00e1 tinha come\u00e7ado a desenvolver nos poemas desde 1843. Mas no ano de 1845 ele aprofunda e detalha mais a sua mensagem. Escreve seu fant\u00e1stico &#8220;Kavk\u00e1s&#8221; (C\u00e1ucaso). Tamb\u00e9m escreve &#8220;Ier\u00e9tek&#8221; (Herege), &#8220;Psalme Dav\u00eadovi&#8221; (Salmos de Davi), &#8220;Nev\u00f3lhnek&#8221; (Prisioneiro), &#8220;Sub\u00f3tiv&#8221;, &#8220;N\u00e1imetchka&#8221; (Empregada). Estes poemas e alguns outros mais curtos, mas n\u00e3o menos importantes, seguem uma linha de pensamento comum. \u00c1 medida que os escrevia, com certeza imediatamente os declamava para os amigos. Estes os transcreviam e espalhavam para o povo e inclusive para pessoas influentes, que os liam entusiamadas. A todos esses poemas faziam pensar. Para muitos abriam os olhos. Estimulavam o surgimento de uma nova mentalidade. Al\u00e9m de poeta, Tar\u00e1s j\u00e1 era de fato o Profeta Nacional.<\/p>\n<p>Tar\u00e1s Chevtchenko, consciente de sua popularidade e da grande autoridade de suas palavras, escreve em 14 de dezembro de 1845 seu famosos &#8220;Posl\u00e1nie&#8221;(Carta). Em tom solene e palavars fortes dirige-se, claramente e sem rodeios, aos patr\u00f5es, ricos e nobres ucranianos, que esquecidos de sua origem, servem a interesses estrangeiros e colaboram com os dominadores, maltratando o povo, submetendo \u00e0 servid\u00e3o os &#8220;irm\u00e3os menores&#8221;:<\/p>\n<p>&#8220;&#8230; repensem&#8221; Sejam gente<\/p>\n<p>Sen\u00e3o a desgra\u00e7a \u00e9 iminente:<\/p>\n<p>Libertar-se-\u00e1 logo o povo acorrentado,<\/p>\n<p>e far-se-\u00e1 justi\u00e7a!&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Como as palavras que lhes dirige valem para todas as gera\u00e7\u00f5es, ele endere\u00e7a esta mensagem aos seus &#8220;conter\u00e2neos mortos, vivos e ainda n\u00e3o nascidos, que est\u00e3o na Ucr\u00e2nia e fora dela&#8221;. Uma passagem deste poema cont\u00e9m um conselho que tem valor universal:<\/p>\n<p>&#8220;Estudem, meus irm\u00e3os!<\/p>\n<p>Pensem, leiam,<\/p>\n<p>e aprendam o que pe dos outros,<\/p>\n<p>n\u00e3o se afastem do que \u00e9 seu&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Era sua inten\u00e7\u00e3o publicar suas poesias de 1843 a 1845. Escreve ent\u00e3o uma poesia chamada &#8220;Trelit\u00e1&#8221; (Tr\u00eas anos), que seria o pre\u00e2mbulo desse livro. A publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o era poss\u00edvel, pois n\u00e3o passaria pela censura tzarista. A colet\u00e2nea permanece manuscrita e desta forma continua sendo divulgada.<\/p>\n<p>Em fins de dezembro de 1845, contrai o tifo e adoece t\u00e3o gravemente que j\u00e1 pensa em morrer. Movido por forte emo\u00e7\u00e3o, unindo os sentimento contradit\u00f3rios de \u00f3dio e supremo amor, revolta-se contra Deus em face das injusti\u00e7as da Ucr\u00e2nia, e com uma piedade singela, escreve seu &#8220;Zapovit&#8221; (Testamento). Esse poema, que \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de amor \u00e0 p\u00e1tria e ao seu povo injusti\u00e7ado, j\u00e1 foi traduzido para v\u00e1rias dezenas de idiomas e \u00e9 um dos mais conhecidos. Literalmente ele diz:<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu morrer sepultem-me<\/p>\n<p>numa colina,<\/p>\n<p>em meio \u00e0 estepe ampla,<\/p>\n<p>na amada Ucr\u00e2nia:<\/p>\n<p>para que eu possa ver<\/p>\n<p>os vastos campos semeados,<\/p>\n<p>o Dnipr\u00f3, os montes retorcidos<\/p>\n<p>e ouvir como, ruidoso, ele ruge!<\/p>\n<p>Quando for levado da Ucr\u00e2nia<\/p>\n<p>ao mar azul o sangue inimigo,<\/p>\n<p>ent\u00e3o eu tudo deixarei, campos e montes<\/p>\n<p>e at\u00e9 Deus voarei para rezar.<\/p>\n<p>Mas at\u00e9 ent\u00e3o, a Deus eu desconhe\u00e7o!<\/p>\n<p>Sepultem-me e levantem-se,<\/p>\n<p>arrebentem as algemas<\/p>\n<p>e com o mau sangue inimigo<\/p>\n<p>reguem a liberdade!<\/p>\n<p>E n\u00e3o deixem de recordar-me<\/p>\n<p>na grande fam\u00edlia,<\/p>\n<p>na fam\u00edlia livre, nova,<\/p>\n<p>com uma boa, suave palavra!&#8221;<\/p>\n<p>Gravemente doente, submete-se aso cuidados do m\u00e9dico A. Kosatchk\u00f3vski, seu grande amigo de Pereyaslav, cidade pr\u00f3xima \u00e0 margem esquerda do rio Dnipr\u00f3. Com a dedica\u00e7\u00e3o do amigo m\u00e9dico, ele consegue recuperar-se em pouco tempo retorna \u00e0s suas atividades.<\/p>\n<p>Comprometimento Pol\u00edtico: Em meados de abril de 1846, Tar\u00e1s Chevtchenko est\u00e1 de volta \u00e0 capital Kiev (Kyiv). No ano anterior, ele visitou in\u00fameras cidades e lugares hist\u00f3ricos, de que fez grande quantidade de esbo\u00e7os e pinturas. Em fevereiro de 1846, faz suas pesquisas hist\u00f3ricas e etnogr\u00e1ficas em Nizen, famoso centro cultural, ao norte de Kyiv. A\u00ed estudou, quando jovem, um dos mais famosos poetas de l\u00edngua russa, Gogol, que era ucraniano de nascimento e era, em sua obra po\u00e9tica, muito admirado por Chevtchenko. Nessa cidade encontrou Tar\u00e1s seu grande amigo e benfeitor e antigo colega de S\u00e3o Petersburgo, Ivan Sochenko, com o qual passou horas amenas, recordando os velhos tempos. Encontrou-se tamb\u00e9m com Mekola Herdelh, que iria futuramente traduzir sua obra po\u00e9tica para a l\u00edngua russa.<\/p>\n<p>A seguir vai para Tchern\u00edhiv, cidade hist\u00f3rica, onde havia muitos vest\u00edgios hist\u00f3ricos do tempo do &#8220;H\u00e9tman&#8221; Ivan Mazepa.<\/p>\n<p>A essa altura j\u00e1 era primavera, o clima mais ameno, e Tar\u00e1s j\u00e1 estava recuperado fisicamente. Em Kiev(Kyiv) o esperam muitos amigos e muito trabalho. Ele volta. A Capital \u00e9 um dos maiores centros hist\u00f3ricos da Ucr\u00e2nia desde remota antiguidade. Tar\u00e1s desenha e reconstitui ali pal\u00e1cios, igrejas, mosteiros antigos. Ele \u00e9 apaixonado pela Capital. Mas sua paix\u00e3o maior ainda \u00e9 o rio Dnipr\u00f3, que a banha caudaloso e \u00e9 a eterna testemunha de sua vida e de sua longa hist\u00f3ria. \u00c0s suas margens Tar\u00e1s passa horas meditando. \u00c9 ali que escreve as poesias &#8220;Russalka&#8221; (Sereia) e &#8220;Lil\u00e9ia&#8221; (L\u00edrio).<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo ele escreve pouco. Dedica-se em tempo integral aos trabalhos da Comiss\u00e3o Arqueogr\u00e1fica, cujo relat\u00f3rio final dever\u00e1 ficar pronto at\u00e9 o final de dezembro de 1946. Em setembro viaja para Volenh e Podilha, na Haletchen\u00e1, parte ocidental da Ucr\u00e2nia, onde faz tamb\u00e9m suas pesquisas. Ali encontra o etn\u00f3logo Tchimk\u00e9vitz e informa-se sobre a situa\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica nessa parte da Ucr\u00e2nia que estava mais sob influ\u00eancia das id\u00e9ias liberais, democr\u00e1ticas e abolicionistas do ocidente da Europa. E no campo liter\u00e1rio havia ali tamb\u00e9m grandes novidades. Haviam passado t\u00e3o s\u00f3 10 anos desde que o grande poeta Markian Schaschk\u00e9vitz publicara a colet\u00e2nea de poesias pr\u00f3prias e de alguns novos poetas da regi\u00e3o, sob o t\u00edtulo de &#8220;Russalka Dnistrov\u00e1&#8221; (Sereia do rio Dnister) em l\u00edngua ucraniana. Este mesmo poeta, entusiasmado com os ideais rom\u00e2nticos e com as id\u00e9ias liberais, fundara com mais dois amigos poetas, I\u00e1kiv Holov\u00e1tskei e Ivan Vehel\u00e9vetz, uma associa\u00e7\u00e3o, que chamaram de &#8220;Ruska tr\u00editcha&#8221; (Trintade rutena) em que se comprometiam a trabalhar para o bem do povo, cuidando da sua instru\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o no esp\u00edrito nacional e ajudando-o assim a libertar-se. Markian morreu em 1837, mas seus amigos continuaram e ampliaram sua obra.<\/p>\n<p>Isso tudo interessava sobremaneira a Tar\u00e1s Chevtchenko. Em Kiev (Kyiv) ele pertencia a um c\u00edrculo de jovens intelectuais e patriotas irmanados por ideais semelhantes, inclusive bastante ousados. Chamavam o c\u00edrculo de &#8220;Tovarestvo Sviatekh Kerela i Met\u00f3dia&#8221; (Sociedade dos Santos Cirilo e Met\u00f3dio) em homenagem aos grandes ap\u00f3stolos dos eslavos. Essa irmandade, de forma clandestina, debatia e divulgava a unidade cultural e pol\u00edtica de todos os povos eslavos, mantendo cada povo sua independ\u00eancia e seu pr\u00f3prio governo nacional. Advogavam tamb\u00e9m pela imediata aboli\u00e7\u00e3o da servid\u00e3o e pela liberdade para todos os camponeses.<\/p>\n<p>A Sociedade f\u00f4ra fundada pelo professor Kostom\u00e1riv e dela faziam parte jovens intelectuais idealistas e patriotas, tais como Pantal\u00eaimon Kulisz, Mekola Hulak, Vasselh Bilos\u00e9rskei e muitos outros.<\/p>\n<p>Com o aparecimento de Tar\u00e1s Chevtchenko, ele \u00e9 logo convidado a associar-se a eles, que o admiravam e o adotaram como um ide\u00f3logo revolucion\u00e1rio, &#8220;uma luz vinda do c\u00e9u&#8221;.<\/p>\n<p>A amizade entre eles se consolida cada vez mais e as reuni\u00f5es s\u00e3o freq\u00fcentes. Durante o Natal re\u00fanem-se no quarto do amigo e estudante Mekola Hulak. Cantam can\u00e7\u00f5es de Natal. Debatem pol\u00edtica. Resolvem editar um jornal em l\u00edngua ucraniana. Tar\u00e1s Chevtchenko entusiasmado declama suas poesias revolucion\u00e1rias. A reuni\u00e3o festiva e ruidosa prolonga-se at\u00e9 a madrugada e n\u00e3o agrada ao estudante Ol\u00e9kcii Petrov, que mora no quarto ao lado.<\/p>\n<p>Em 31 de dezembro de 1846, Tar\u00e1s Chevtchenko e outros membros da Comiss\u00e3o Arqueogr\u00e1fica entregam ao Governador Geral em Kiev(Kyiv), Bibikov, o relat\u00f3rio, os desenhos e todo o material coletado. Tar\u00e1s pleiteia do Governador a nomea\u00e7\u00e3o para professor de desenho na Universidade de Kyiv.<\/p>\n<p>Enquanto aguarda a nomea\u00e7\u00e3o, aproveita para viajar. \u00c9 convidado pelo amigo Pantal\u00eaimon Kulisz para ser padrinho de casamento. O casamento foi em 24 de janeiro e transformou-se numa grande festa patri\u00f3tica. Os noivos, que muito admiravam o genial poeta e artista, comunicam-lhe seu plano de viajar a estudos para a It\u00e1lia e convencem a Tar\u00e1s que viaje tamb\u00e9m, que eles custeariam a viagem e a estadia. Surpreso mas feliz com a id\u00e9ia, que era seu antigo sonho, devido \u00e0 insist\u00eancia ele concorda e decide-se a viajar. Isso deveria ocorrer nos pr\u00f3ximos meses. Mas antes, vai para S\u00e9dniv, passar uma temporada na resid\u00eancia de seu amigo Lizogub. Permanece ali at\u00e9 abril.<\/p>\n<p>Ali, em 7 de mar\u00e7o de 1847, escreve seu grande oema &#8220;Vidma&#8221; (Feiticeira) e no dia seguinte escreve o pref\u00e1cio do segundo livro de suas poesias, que pretendia editar no exterior, de comum acordo com seu amigo Pantal\u00eaimon Kulisz, possivelmente na Alemanha, com uma introdu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios em alem\u00e3o, &#8220;para que o nome ucraniano fosse glorificado em todas as l\u00ednguas&#8221;, como escrevia ent\u00e3o. No pref\u00e1cio advogava a necessidade de uma literatura ucraniana de alta qualidade, mas casti\u00e7a, genu\u00edna, patri\u00f3tica e ligada ao povo e \u00e0s suas necessidades e anseios.<\/p>\n<p>Em fins de mar\u00e7o recebe uma carta de seu amigo de Kyiv, Kostom\u00e1riv. Uma boa not\u00edcia: estava confirmada sua nomea\u00e7\u00e3o para professor de desenho na Universidade. E junto um convite para ser padrinho de casamento de Kostom\u00e1riv.<\/p>\n<p>J\u00e1 era Semana Santa. Passa a\u00ed as festas de P\u00e1scoa e em 5.4.1847 viaja de barco rio Dnipr\u00f3 abaixo para a capital, para o casamento do amigo, que seria naquele mesmo dia.<\/p>\n<p>Mas uma terr\u00edvel supresa o espera na chegada em Kyiv. Ao descer do barco \u00e9 preso e lhe confiscam a mala com todos os manuscritos que levava consigo. Protesta e pede que o deixem ir ao casamento do amigo. Informam-lhe que n\u00e3o haver\u00e1 casamento, pois o noivo tamb\u00e9m f\u00f4ra preso! O estudante Petrov tinha dado parte da reuni\u00e3o deles e entregue \u00e0 pol\u00edcia o nome de todos os membros da &#8220;associa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica clandestina&#8221;.<\/p>\n<p><a rel=\"lightbox[slb_964]\" href=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/chevtchenko.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-991\" title=\"chevtchenko\" src=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/chevtchenko-228x300.jpg\" alt=\"\" width=\"228\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/chevtchenko-228x300.jpg 228w, http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/chevtchenko.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 228px) 100vw, 228px\" \/><\/a>Preso e Exilado: Preso, \u00e9 submetido a inqu\u00e9rito. Os seus escritos o incriminam. Principalmente o poema &#8220;Son&#8221; que insulta a fam\u00edlia do tzar russo, e o &#8220;Posl\u00e1nie&#8221;, que fala em revolu\u00e7\u00e3o armada e sangrenta. Junto com todos seus manuscritos e o inqu\u00e9rito, ele \u00e9 mandado, sob escolta, para S\u00e3o Petersburgo, onde chega em 17 de maio de 1847 e fica preso aguardando o julgamento. Na solid\u00e3o escreve 13 poesias &#8220;miniaturas&#8221;, no estilo de &#8220;baladas&#8221;, dedicadas aos seus amigos de infort\u00fanio, presos com ele. O julgamento \u00e9 r\u00e1pido. A senten\u00e7a n\u00e3o tarda. Dia 30 de maio de 1847, Tar\u00e1s e todos seus amigos tamb\u00e9m presos e julgados, ouvem as senten\u00e7as. A maior \u00e9 a dele: 10 anos de pris\u00e3o e ex\u00edlio para a cidade de Orenburg, onde devia servir como simples soldado, sujeito \u00e0 dura disciplina militar. O tzar Nicolau acrescentou por pr\u00f3pria conta na senten\u00e7a: &#8220;sob a vigil\u00e2ncia mais severa, com a proibi\u00e7\u00e3o de escrever e pintar&#8221;.<\/p>\n<p>Todos foram condenados ao ex\u00edlio e proibidos de voltar \u00e0 Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>O golpe \u00e9 duro. Mas n\u00e3o consegue fazer calar a musa do grande Poeta.<\/p>\n<p>A senten\u00e7a \u00e9 cumprida imediatamente. No dia seguinte levam Tar\u00e1s para Orenburg. A viagem dura 8 dias. Em 18 de junho de l847 \u00e9 incorporado ao batalh\u00e3o que parte para a fortaleza de Orsk, onde chega em 23 de junho de 1847. Ali come\u00e7a seu duro calv\u00e1rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse o ex\u00edlio e a disciplina militar, tinha que submeter-se ainda ao vexame de executar as mais humildes tarefas. Mas o pior de tudo para ele era a proibi\u00e7\u00e3o de escrever e pintar. Estas duas atividades eram para ele uma necessidade vital do seu esp\u00edrito. E por ser insuport\u00e1vel essa priva\u00e7\u00e3o, ele logo come\u00e7a a escrever \u00e0s escondidas. \u00c0 noite, enquanto todos dormiam, ele, \u00e0 luz de vela, escrevia seus versos. E o fazia em folhas de papel que ele dobrava em quatro, cortando-as antes ao meio e depois costurando-as em forma de caderninhos. Para n\u00e3o ser flagrado em qualquer inspe\u00e7\u00e3o, ele levava esses caderninhos sempre consigo, escondendo-os dentro do cano de suas botas. Por isso tais caderninhos s\u00e3o conhecidos como &#8220;zakhalh\u00e1vni&#8221;, ou seja &#8220;de dentro do cano da bota&#8221;.<\/p>\n<p>Eles eram para o poeta toda a sua riqueza. Seus primeiros versos, cheios de melancolia, assim iniciam:<\/p>\n<p>&#8220;Poemas meus, poemas meus!<\/p>\n<p>Sois s\u00f3 o que me resta!<\/p>\n<p>Ao menos v\u00f3s n\u00e3o me abandoneis<\/p>\n<p>na hora da desgra\u00e7a!&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Desta forma ele legou \u00e0 posteridade dezenas de suas obras escritas de 1847 a 1850.<\/p>\n<p>A distante fortaleza de Orsk ficava na regi\u00e3o dos montes Urais. O clima a\u00ed era muito insalubre e rigoroso. N\u00e3o tarda muito e Tar\u00e1s Chevtchenko, enfraquecido, adoece. Inicialmente era o reumatismo que o torturava. A seguir, devido \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o inadequada e fraca, \u00e9 acometido pelo escorbuto, que o transfigura fisicamente.<\/p>\n<p>Debilitado fisicamente e psiquicamente abatido, recupera-se gra\u00e7as ao grande apoio que lhe d\u00e1 a sua influente amiga ucraniana, a princesa Varvara R\u00e9pnin, da cidade de Iah\u00f3ten, filha do antigo governador-geral da Ucr\u00e2nia. Possibilitam-lhe corresponder-se, e \u00e9 ela a sua maior interlocutora. Informada por ele do seu estado de esp\u00edrito, ela o anima e o incentiva com grande eleva\u00e7\u00e3o m\u00edstica.<\/p>\n<p>Um outro amigo que lhe escreve e posteriormente lhe envia livros e at\u00e9 material para pintura \u00e9 Lizogub, em cuja resid\u00eancia Tar\u00e1s estivera nos \u00faltimos m\u00eases na Ucr\u00e2nia, antes de ser preso.<\/p>\n<p>Esta correspond\u00eancia \u00e9 vital para ele, rompendo-lhe um pouco a solid\u00e3o e mantendo-o, ao menos parcialmente, ligado \u00e0 sua amada p\u00e1tria e \u00e0 literatura, pelos livros que lhe conseguem remeter.<\/p>\n<p>Em maio de 1848, o militar e ge\u00f3logo russo Grigory Ivanovich Butakov organiza uma grande expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que parte do forte de Orsk sob escolta militar at\u00e9 o distante mar Aral.<\/p>\n<p>A finalidade da expedi\u00e7\u00e3o era perquisar o descrever o mar Aral, ainda ent\u00e3o desconhecido, e que ficava na imensa regi\u00e3o anexada ao imp\u00e9rio russo.<\/p>\n<p>Essa regi\u00e3o corresponde aos atuais Turkmenist\u00e3o e Uzbequist\u00e3o.<\/p>\n<p>Como precisavam de um desenhista para esbo\u00e7ar as paisagens daquelas regi\u00f5es e sabendo da aptid\u00e3o profissional de Tar\u00e1s Chevtchenko, Bukakov consegue inclu\u00ed-lo na comitiva. Tar\u00e1s parte com a expedi\u00e7\u00e3o em 11 de maio de 1848. A viagem pelas estepes des\u00e9rticas \u00e9 feita em ritmo lento e geralmente \u00e0 noite. De dia o calor \u00e9 quase insuport\u00e1vel. O sofrimento \u00e9 grande, mas para Tar\u00e1s h\u00e1 uma regalia. Ele \u00e9 tratado como profissional e n\u00e3o como simples soldado e por sua tarefa na expedi\u00e7\u00e3o, desenha e pinta livremente, mesmo sem ter sido oficialmente suspensa a proibi\u00e7\u00e3o constante em sua senten\u00e7a de condena\u00e7\u00e3o. Somente em 19.6.1848, portanto 5 semanas depois, chegaram ao mar Aral. Acampam e os membros da expedi\u00e7\u00e3o montam o barco \u00e0 vela que trouxeram na comitiva. Com esse barco, o comandante Butakov e limitado n\u00famero de profissionais, inclusive Tar\u00e1s, iniciam as pesquisas e atravessam o mar indo estabelecer-se na margem oposta, no forte Kos-Aral. Tar\u00e1s trabalha desenhando e pintando e aproveita da relativa liberdade para escrever, se bem que discretamente e sempre em seus caderninhos. Um quarto de sua obra po\u00e9tica data desse per\u00edodo.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o termina somente em fins do ano seguinte. Voltam a Orenburg em primeiro de novembro de 1849.<\/p>\n<p>Devido ao seu relacionamento e seu prest\u00edgio com os oficiais, ele tem grande regalia, n\u00e3o usa mais uniforme militar, mora na casa do amigo K. Gern e consegue dedicar-se \u00e0s artes. A\u00ed at\u00e9 fins de abril de 1850 escreve v\u00e1rias poesias, que constituem seu quarto caderninho &#8220;Zakhulh\u00e1vnei&#8221;.<\/p>\n<p>Mas em abril desentende-se com um oficial, que vingando-se denuncia-o de n\u00e3o estar cumprindo sua pena. Por sorte o amigo Gern consegue por a salvo seus quatro caderninhos de poesias, pois \u00e9 feita uma devassa em seu quarto, apreendida toda a correspond\u00eancia e tudo o que pertencia ao Poeta, e Tar\u00e1s Chevtchenko \u00e9 preso em 27 de abril de 1850 e levado novamente ao forte de Orsk, sendo da\u00ed remetido em regime carcer\u00e1rio servero para o forte de Novopetrovsk \u00e0s margens do mar C\u00e1spio, em 8 outubro de 1850. \u00c9 confiado ao carcereiro Potapov, que o submete \u00e0 mais severa vigil\u00e2ncia e a vistorias di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Somente com o passar do tempo Tar\u00e1s consegue a simpatia do comandante Uskov e este o inclui numa expedi\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica que vai pesquisar as montanhas Kara-Tau.<\/p>\n<p>Assim ele fica 5 meses fora do forte e j\u00e1 pode desenhar e at\u00e9 escrever.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o durou de maio a outubro de 1851. De volta ao forte, a disciplina continua r\u00edgida. Mas o comandante j\u00e1 tem um comportamento mais brando com Tar\u00e1s Chevtchenko. Tar\u00e1s por vezes tem at\u00e9 acesso ao seu c\u00edrculo familiar, manifestando grande admira\u00e7\u00e3o e simpatia pela esposa do comandante. Pinta o retrato do comandante e da sua esposa e j\u00e1 est\u00e1 mais \u00e0 vontade. Nesse per\u00edodo n\u00e3o escreve poesias. Mas a partir de 1851 come\u00e7a a dedicar-se \u00e0 prosa e escreve diversos contos. Em 1856 escreve o conto &#8220;Khud\u00f3znek&#8221; (Artista), sua autobiografia do per\u00edodo de estudante, e muitos outros. E pinta bastante, mas discretamente.<\/p>\n<p>Desde que f\u00f4ra condenado, muitos dos seus grandes e fi\u00e9is amigos, mesmo sem que ele soubesse disso, estavam lutando por ele. Inicialmente empenhavam-se para mitigar sua pena, principalmente tentando relevar a proibi\u00e7\u00e3o de pintar. Quem mais se empenhou foi a sua maior amiga, a princesa Varvara R\u00e9pnin, que usou de toda a sua influ\u00eancia para ajud\u00e1-lo. Outros grandes amigos que muito lhe ajudaram foram os influentes irm\u00e3os Lazav\u00e9vski, muito bem relacionados. Mas a palavra final sempre tinha que ser do tzar Nicolau I e este era inflex\u00edvel.<\/p>\n<p>A Liberta\u00e7\u00e3o: Finalmente em 1855 morre o terr\u00edvel tzar Nicolau I. \u00c9 sucedido pelo seu filho Alexandre II, jovem e de forma\u00e7\u00e3o mais liberal.<\/p>\n<p>Com isto as esperan\u00e7as dos amigos de Tar\u00e1s se reacendem e eles empenham-se freneticamente em sua liberta\u00e7\u00e3o. Mas passa o ano de 1856 e j\u00e1 chega ao fim o seu d\u00e9cimo ano de ex\u00edlio em maio de 1857. S\u00f3 ent\u00e3o, em 21.7.1857 ele \u00e9 finalmente solto. Dia 2 de agosto parte de Novopetrovsk, &#8211; hoje denominado forte Chevtchenko -, de barco, atrav\u00e9s do mar C\u00e1spio, para a R\u00fassia. Para a Ucr\u00e2nia n\u00e3o lhe foi permitido voltar.<\/p>\n<p>Permanece na cidade de Nizni Novgorod durante 5 meses e meio, recuperando-se fisicamente. Mas sem demora lan\u00e7a-se a escrever, e logo saem da sua pena o poema &#8220;Ne\u00f3fite&#8221; (Ne\u00f3fitos) e v\u00e1rias poesias menores. Amigos de todas as partes v\u00eam ao seu encontro. Tudo \u00e9 festa. As boas surpresas se sucedem. E qual n\u00e3o foi a alegria quando recebeu, remetidos de Orenburg por seu amigo K. Gern, os quatro caderninhos com as suas poesias! Eram seus &#8220;filhos&#8221; que lhe voltavam \u00e0s m\u00e3os!<\/p>\n<p>Para o Natal vem visit\u00e1-lo seu grande amigo e famoso artista Stch\u00e9pkin e durante seis dias comemoram as festividades com grande alegria e emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua genialidade \u00e9 a mesma, sua musa mais amadurecida e mais m\u00edstica. Mas Tar\u00e1s fisicamente \u00e9 quase irreconhec\u00edvel. A viol\u00eancia psicol\u00f3gica do ex\u00edlio, a rudeza da vida nos fortes, a m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o, as doen\u00e7as e as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas transfiguraram o seu f\u00edsico. Alquebrado, aparenta um velhinho setent\u00e3o, parcialmente calvo, de cabelos encanecidos e de longos bigodes.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera de seu 44\u00b0 anivers\u00e1rio, dia 8.3.1858, ele parte em dire\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Petersburgo passando por Moscou, onde chega dois dias depois. Passa ali a P\u00e1scoa com os numerosos contempor\u00e2neos que ali viviam e com seus in\u00fameros amigos. Emocionante foi o dia 17.3.1858: ele visita a sua grande amiga e benfeitora, a princesa Varvara R\u00e9pnin, que agora residia em Moscou. Se grande foi a emo\u00e7\u00e3o, maior foi o espanto da jovem, que desde muito sonhava rever aquele que fora sua grande paix\u00e3o juvenil, seu &#8220;pr\u00edncipe encantado&#8221;, e que de comum acordo ela passara a admirar e amar com seu pr\u00f3prio irm\u00e3o. Como ele estava fisicamente acabado e velho! Pouco sobrava da beleza juvenil que a encantara outrora. Felizmente, o esp\u00edrito permanecera intacto!<\/p>\n<p>Em fins de mar\u00e7o de 1858, Chevtchenko chega a S\u00e3o Petersburgo e \u00e9 recebido festivamente pelos amigos. E ali os tinha muitos. Eram ucranianos e poloneses, muitos inclusive ex-colegas de ex\u00edlio, bem como russos que o admiravam. Vai logo agradecer ao amigo Mehailo Lazarevski, cujos apelos \u00e0 intermedia\u00e7\u00e3o do bar\u00e3o Fedir Tolst\u00f3i, ent\u00e3o vice-presidente da Academia de Artes, e da baronesa Nast\u00e1cia Tolst\u00f3i, foram decisivos para a obten\u00e7\u00e3o da sua liberta\u00e7\u00e3o por parte do tzar Alexandre II. Chevtchenko como agradecimento pinta dois belos retratos para o bar\u00e3o e para a baronesa.<\/p>\n<p>Entre comemora\u00e7\u00f5es e festas, a vida entra no ritmo de outrora. Volta \u00e0 Academia de Artes para especializar-se na arte da gravura. Reencontra os amigos Kulisz e Kostom\u00e1riv e junta-se a eles que continuavam trabalhando para o bem do povo ucraniano, editando livros e um jornal em ucraniano. Conhece a escritora ucraniana Maria Mark\u00f3vetz, um jovem talento, que com o pseud\u00f4nimo art\u00edstico de Mark\u00f3 Vovtzok, escrevia bel\u00edssimos livros. Encantado com suas obras, Chevtchenko dedica-lhe uma poesia em que a considera sua sucessora na obra liter\u00e1ria. Ele faz a revis\u00e3o de seus contos e a incentiva para que continue neste caminho, em que estava tendo grande sucesso.<\/p>\n<p>Tar\u00e1s Chevtchenko come\u00e7a a ocupar-se com a publica\u00e7\u00e3o de suas poesias em um livro que ele intitula &#8220;Poesias de Tar\u00e1s Chevtchenko&#8221;. Mas tem grandes dificuldades com a censura tzarista. Os censores temem problemas com o governo e s\u00e3o excessivamente cautelosos. Fazem muitos cortes e mudam at\u00e9 o t\u00edtulo do livro. Insistem que tem que continuar, como o anterior, chamando-se &#8220;KOBZAR&#8221;. Esta publica\u00e7\u00e3o somente sai em janeiro de 1860, bastante desfigurada e incompleta.<\/p>\n<p>Para salvar em parte a integridade de sua obra, Tar\u00e1s Chevtchenko mandar\u00e1 imprimir em separado e por pr\u00f3pria conta os textos censurados e os colar\u00e1 em alguns exemplares com que brindar\u00e1 seus melhores amigos.<\/p>\n<p>De Volta \u00e0 P\u00e1tria: Enquanto aguarda a publica\u00e7\u00e3o de suas poesias, ocupa-se com a pintura, para conseguir recursos para o pr\u00f3prio sustento, e continua a sua especializa\u00e7\u00e3o na t\u00e9cnica da gravura.<\/p>\n<p>Pessoalmente, por\u00e9m, o que mais o preocupa \u00e9 a sorte dos seus contempor\u00e2neos. A quest\u00e3o fundamental \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o dos camponeses-servos, o que daria condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento geral da na\u00e7\u00e3o ucraniana e a obten\u00e7\u00e3o da liberdade pol\u00edtica total bem como a independ\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com motivos dos salmos e das profecias b\u00edblicas, escreve poemas contra a servid\u00e3o e procura ali figuras para descrever o futuro que ele sonha para o seu povo.<\/p>\n<p>Preocupado com a sorte de seu povo e com a situa\u00e7\u00e3o em sua P\u00e1tria, Tar\u00e1s Chevtchenko esfor\u00e7a-se para poder voltar \u00e0 Ucr\u00e2nia. A liberdade dele era condicional. Em S\u00e3o Petersburgo ele vivia e trabalhava, mas sob vigil\u00e2ncia dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a e sob a responsabilidade direta da Academia de Artes, &#8220;para que n\u00e3o fizesse novamente mau uso de seu talento&#8221;. Por isso, para ausentar-se daquele domic\u00edlio, s\u00f3 poderia faz\u00ea-lo com expressa permiss\u00e3o. Com grande dificuldade e demora, finalmente consegue autoriza\u00e7\u00e3o para viajar.<\/p>\n<p>Em 25.5.1859 parte de S\u00e3o Petersburgo. Al\u00e9m de saudades da P\u00e1tria e dos amigos, tr\u00eas motivos concretos levam-no de volta \u00e0 Ucr\u00e2nia. Ele pretende resgatar seus familiares da servid\u00e3o, comprar uma ch\u00e1cara numa colina junto ao rio Dnipr\u00f3 para ali ter sua pr\u00f3pria casa e encontrar uma alma g\u00eamea, que tenha as mesmas origens, com quem pretende casar-se.<\/p>\n<p>Em junho j\u00e1 est\u00e1 na parte oriental da Ucr\u00e2nia. Como sempre, ele vai de cidade em cidade, visitando e encontrando os amigos e documentando sua estada com obras po\u00e9ticas. Assim, em junho, est\u00e1 em L\u00eakhven, perto de Kh\u00e1rkiv, onde no dia 7 comp\u00f5e uma can\u00e7\u00e3o (&#8220;P\u00edsnia&#8221;), e outra no dia 10, em Peri\u00e1ten: ambas falam de namoro. Em junho est\u00e1 em Tserkasse, visita seus familiares e a vila Kerelivka, da sua inf\u00e2ncia. Escreve ent\u00e3o o poema &#8220;Sestri&#8221; (\u00e0 irm\u00e3) dedicado \u00e0 sua irm\u00e3 Iarena, lamentando o duro destino que lhes coube, mas cheio de esperan\u00e7a acrescenta:<\/p>\n<p>&#8220;Reze, irm\u00e3! Estando vivos,<\/p>\n<p>Deus nos ajudar\u00e1 a superar. &#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Em Korsun visita seu primo Varfolom\u00e9i Chevtchenko, e v\u00e3o juntos ver e at\u00e9 fazer a medi\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea que este havia visto para Tar\u00e1s adquirir. Enquanto est\u00e3o no campo, aparece um estranho que vem ao encontro deles. Diz que est\u00e1 ca\u00e7ando. Chevtchenko e seus amigos estranham seu traje muito fino para a ca\u00e7a, mas nem lhes vem \u00e0 mente que aquele senhor, o polon\u00eas Kozl\u00f3vski, um propriet\u00e1rio de terras na regi\u00e3o, \u00e9 um emiss\u00e1rio para investigar o que ele vinha fazendo. Em tom provocador ele os interpela. A conversa se prolonga e vira at\u00e9 debate de cunho religioso, de tom pouco amistoso.<\/p>\n<p>Terminada a medi\u00e7\u00e3o, Tar\u00e1s Chevtchenko despede-se e parte para outra cidade. Dias ap\u00f3s \u00e9 preso, devido \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o de Kozl\u00f3vski, de ter blasfemado contra a religi\u00e3o e ter-se declarado contra as autoridades constitu\u00eddas.<\/p>\n<p>\u00c9 feito um inqu\u00e9rito e a promotoria pede que lhe seja proibido viajar pela Ucr\u00e2nia e que seja mandado de volta a S\u00e3o Petersburgo. Julgado em Kyiv, \u00e9 absolvido, mas mandado de volta a S\u00e3o Petersburgo por ser &#8220;pessoa comprometida sob aspecto pol\u00edtico, pass\u00edvel de ser mal-entendida&#8221;, n\u00e3o sendo conveniente, por isso que se estabele\u00e7a em sua terra&#8230;<\/p>\n<p>Antes de partir ainda lhe \u00e9 permitido ir \u00e0 vizinha cidade de Pereiaslav, onde havia uma igreja matriz dedicada a Nossa Senhora. Festejava-se a\u00ed no dia 15 de agosto a grande festa da Assun\u00e7\u00e3o, para a qual acorriam multid\u00f5es e traziam muita vida \u00e0 discreta cidade, cheia de ru\u00ednas de constru\u00e7\u00f5es ainda do tempo dos pr\u00edncipes. Essa cidade f\u00f4ra o palco do ingl\u00f3rio tratado de Pereiaslav feito pelo comandante cossaco Bohdan Khmelhn\u00eatzkei com o tzar russo, que possibilitou toda a posterior desgra\u00e7a nacional da Ucr\u00e2nia. Chevtchenko revive isso e escreve a\u00ed, no dia 18 de agosto, versos de censura e revolta contra o &#8220;H\u00e9tman&#8221; Bohdan.<\/p>\n<p>\u00daltimos anos e a Gl\u00f3ria: Em 7.9.1859 est\u00e1 de volta a S\u00e3o Petersburgo. A Academia de Artes, considerando seus trabalhos art\u00edsticos, confere-lhe a gradua\u00e7\u00e3o acad\u00eamica de mestre em gravura. Com a pintura ele obt\u00e9m recursos para o pr\u00f3prio sustento. Mas em fins de 1859, quando finalmente a censura autorizou a publica\u00e7\u00e3o de sua obra po\u00e9tica, tamb\u00e9m esta arte passa a lhe render dinheiro. Consegue do seu editor, Semerenko, logo um adiantamento de 1.100 rublos. Remete-os ao seu primo Varfolom\u00e9i, que lhe adquire uma pequena \u00e1rea, em K\u00e1niv, a montanha do monge, \u00e0s margens do rio Dnipr\u00f3. Era ali que Tar\u00e1s Chevtchenko queria ir morar.<\/p>\n<p>Com a publica\u00e7\u00e3o do novo &#8220;KOBZAR&#8221; e sua divulga\u00e7\u00e3o em 1860, a fama do Poeta e sua popularidade chegam ao auge. Fica feliz com o sucesso de sua obra junto ao seu povo. O que ele mais queria era justamente que o povo se instru\u00edsse, conhecesse a sua hist\u00f3ria e finalmente conseguisse a sua liberta\u00e7\u00e3o. Destina, por isso, seu dinheiro, arrecadado com a venda do seu livro, para as escolas dominicais e elabora uma cartilha, o seu &#8220;Bukvar&#8221; (Abeced\u00e1rio). Escreve os poemas &#8220;Platchz Iaroslavne&#8221; (Lamenta\u00e7\u00e3o de Iaroslavna, esposa do pr\u00edncipe \u00cdhor) e &#8220;Betva na Kai\u00e1li&#8221; (Batalha em Kaiala), que s\u00e3o uma adapta\u00e7\u00e3o, para a l\u00edngua ucraniana atual, do poema \u00e9pico dos prim\u00f3rdios da literatura ucraniana, intitulado &#8220;Slovo o p\u00f3lku \u00cdhorevi&#8221; (Narrativa da campanha de \u00cdhor).<\/p>\n<p>A sua preocupa\u00e7\u00e3o maior, por\u00e9m, \u00e9 que chegue o quanto antes o dia em que se acabe finalmente o regime de servid\u00e3o que pesava sobre os camponeses. As id\u00e9ias j\u00e1 se impunham entre as classes dominantes e este grande dia j\u00e1 se avizinhava. Mas o Poeta n\u00e3o espera passivo. Continua fustigando aquele cruel regime com suas poesias de fundo b\u00edblico.<\/p>\n<p>A essa altura a sua sa\u00fade j\u00e1 est\u00e1 bastante abalada. Queixa-se de fortes dores. Submete-se a tratamento. Dois m\u00e9dicos o assistem. Deve observar r\u00edgida dieta. Mas chegam as festas de Natal e de Ano Novo. Como n\u00e3o comemorar? Tem forte reca\u00edda e j\u00e1 n\u00e3o abandona o leito. Em 10 de mar\u00e7o seus amigos comemoram com ele seu 47\u00b0 anivers\u00e1rio. No dia seguinte, dia 11 de mar\u00e7o de 1861, morre. Em S\u00e3o Petersburgo, longe de sua P\u00e1tria, morre o maior patriota da Ucr\u00e2nia. Morre o Poeta da Liberdade sem sequer ter tido a felicidade de saber que o decreto extinguindo o regime da servid\u00e3o acabara de ser assinado pelo tzar e somente seria publicado alguns dias ap\u00f3s sua morte.<\/p>\n<p>Tanto lutou pela liberdade, mas dos seus 47 anos de vida, durante 24 anos esteve sob o regime da servid\u00e3o, 10 anos esteve preso, tr\u00eas anos e meio esteve sob vigil\u00e2ncia policial e somente 9 anos e poucos meses p\u00f4de sentir-se livre!<\/p>\n<p>A qualidade e a vastid\u00e3o da obra que legou \u00e0 posteridade \u00e9 digna da maior admira\u00e7\u00e3o. S\u00e3o centenas de poesias e poemas, prosa, seu di\u00e1rio, sua valiosa correspond\u00eancia (de que conservou-se somente parte). S\u00e3o centenas de valiosos retratos, alguns auto-retratos, expl\u00eandidos quadros a \u00f3leo, s\u00e9pia e aquarela e mais de 1.300 desenhos e esbo\u00e7os, sem contar os extraviados.<\/p>\n<p>Apesar de todos os percal\u00e7os, pela sua genialidade e incompar\u00e1vel talento, Tar\u00e1s Chevtchenko elevou a literatura ucraniana ao n\u00edvel de reconhecimento mundial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: www.pessoal.utfpr.edu.br\/zasycki\/chevtchenko.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quase 200 anos, na Europa Oriental, ao norte do Mar Negro, quase no centro da Ucr\u00e2nia, nasceu em 9 de mar\u00e7o de 1814 TAR\u00c1S CHEVTCHENKO. 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