{"id":613,"date":"2011-05-16T16:03:54","date_gmt":"2011-05-16T19:03:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/?page_id=613"},"modified":"2012-03-18T19:25:24","modified_gmt":"2012-03-18T22:25:24","slug":"igrejas","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/cultura\/igrejas\/","title":{"rendered":"Religi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<ul>\n<li>\n<h5><strong>A Igreja Greco-Cat\u00f3lica Ucraniana<\/strong><\/h5>\n<\/li>\n<\/ul>\n<h5><a href=\"http:\/\/www.ugcc.org.ua\/\">A Igreja Greco-Cat\u00f3lica Ucraniana<\/a>, ou simplesmente Igreja Cat\u00f3lica Ucraniana, foi a primeira igreja crist\u00e3 na Ucr\u00e2nia, fundada em 988 d.C. \u00c9 uma igreja que participa fui j\u00faris, da Igreja Cat\u00f3lica, e segue o rito Bizantino. Estima-se que atualmente conte com cerca 6 a 10 milh\u00f5es de fi\u00e9is, boa parte da Ucr\u00e2nia. H\u00e1 no Brasil <a href=\"http:\/\/www.skyscrapercity.com\/showthread.php?t=1334919\">246 igrejas <\/a>greco-cat\u00f3licas.\u00a0 Em Curitiba localiza-se a sede da <a href=\"http:\/\/www.eparquiaucraniana.com.br\/eparquia\/site\/index.php\">Eparquia S\u00e3o Jo\u00e3o Batista.<\/a> S\u00e3o v\u00e1rias as congrega\u00e7\u00f5es. As Irm\u00e3s <a href=\"http:\/\/www.irmasmi.com.br\/site\/index.php\">Servas de Maria Imaculada <\/a>completam 100 anos de exist\u00eancia no Brasil. A Igreja Greco Cat\u00f3lica tem uma <a href=\"http:\/\/www.caminhonovo.org\/\">pastoral da juventude<\/a> que tem por finalidade atingir principalmente os jovens das comunidades ucranianas.<\/h5>\n<h5><strong> <\/strong><\/h5>\n<h5><strong> <\/strong><\/h5>\n<ul>\n<li>\n<h5><strong>Igreja Ortodoxa<\/strong><\/h5>\n<\/li>\n<\/ul>\n<h5><a href=\"http:\/\/www.ecclesia.com.br\/\">A Igreja Ortodoxa<\/a> possui praticamente a mesma doutrina que a Igreja Cat\u00f3lica, com diferen\u00e7as apenas organizacionais, mas a doutrina \u00e9 muito semelhante, pois se preserva os Sete Sacramentos, o uso de vestes lit\u00fargicas e o respeito a \u00edcones. A Igreja Ortodoxa e Cat\u00f3lica j\u00e1 chegaram a atuar juntas, mas no s\u00e9culo XI elas se separaram, e desde ent\u00e3o a Ortodoxa n\u00e3o reconhece dogmas proclamados recentemente pela Cat\u00f3lica, e n\u00e3o aceita a autoridade do Papa.<\/h5>\n<h5><strong><strong>O Rito Ucraniano e as Igrejas Orientais<\/strong><\/strong><br \/>\nIv\u00e1n Kindra<br \/>\nPublicado em Campo Magro \u2013 Paran\u00e1, 2008. E-mail do autor: ivankindra@gmail.com. Ilustra\u00e7\u00e3o: Catedral S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, da Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica, em Curitiba \u2013 Paran\u00e1 (desenho do autor).<br \/>\nIntrodu\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<h5>Espero que este trabalho seja de alguma utilidade a todos que se interessam pelo rito ucraniano e pelas Igrejas Orientais, apesar de destinar-se basicamente aos ucranianos do Brasil, tanto cat\u00f3licos quanto ortodoxos, pois n\u00f3s, como irm\u00e3os, precisamos nos conhecer mutuamente, reduzindo o distanciamento e a repulsa, e aumentando o amor e a fraternidade crist\u00e3, para concretizar a vontade de Cristo para que \u201ctodos sejam um\u201d (Jo 17, 21).<br \/>\nTamb\u00e9m deixo patente que este n\u00e3o \u00e9 um trabalho cient\u00edfico, mas antes um \u201cpanfleto publicit\u00e1rio\u201d, em que apresento tanto dados objetivos quanto a minha vis\u00e3o \u201cemotiva\u201d sobre o assunto, fruto do grande amor que tenho pela Igreja Ucraniana. Assim sendo, o meu objetivo, al\u00e9m de promover o conhecimento sobre o rito ucraniano e as Igrejas Orientais, \u00e9 tamb\u00e9m incentivar o amor dos ucranianos pela sua pr\u00f3pria Igreja, pois ningu\u00e9m ama o que n\u00e3o conhece!<br \/>\nNo entanto, como as pessoas seguidamente cometem alguns equ\u00edvocos ao tratar da quest\u00e3o religiosa \u2013 comecemos por rever o significado de alguns termos b\u00e1sicos:<br \/>\nRELIGI\u00c3O. \u2013 Um conjunto determinado de cren\u00e7as, dogmas, pr\u00e1ticas e cerim\u00f4nias; uma doutrina que define a rela\u00e7\u00e3o do homem com Deus, por ex.: a religi\u00e3o crist\u00e3. Neste sentido, tamb\u00e9m se utiliza a palavra f\u00e9, por ex.: a f\u00e9 crist\u00e3. Considera-se que a palavra religi\u00e3o venha do verbo latino religare \u2013 religar, significando uma doutrina que busca religar o homem com Deus que o criou.<br \/>\nIGREJA. \u2013 Uma comunidade ou institui\u00e7\u00e3o religiosa; um conjunto de fi\u00e9is que professam os mesmos princ\u00edpios religiosos e se subordinam \u00e0 mesma autoridade eclesi\u00e1stica; neste caso, a palavra geralmente \u00e9 grafada com \u201ci\u201d mai\u00fasculo. A palavra igreja tamb\u00e9m \u00e9 utilizada no sentido de templo, isto \u00e9, edif\u00edcio destinado a cerim\u00f4nias religiosas.<br \/>\nCATOLICISMO. \u2013 Quando se pergunta a um brasileiro qual \u00e9 a sua religi\u00e3o, ent\u00e3o a maior parte responde: cat\u00f3lica, isto \u00e9, religi\u00e3o cat\u00f3lica, ou catolicismo. No entanto, o catolicismo n\u00e3o \u00e9 propriamente uma religi\u00e3o, mas apenas uma corrente ou ramo do cristianismo, este sim uma religi\u00e3o. O catolicismo \u00e9 uma Igreja Crist\u00e3, isto \u00e9, uma comunidade crist\u00e3, unida em torno da autoridade do Papa e espalhada por todo o mundo. A palavra cat\u00f3lico, de origem grega, significa universal. Isto significa que o catolicismo \u00e9 destinado a todo o universo, a todo o mundo.<br \/>\nCRISTIANISMO. \u2013 \u00c9 a religi\u00e3o crist\u00e3, isto \u00e9, baseada no que foi ensinado por Jesus Cristo. Em outras palavras, cristianismo \u00e9 a religi\u00e3o cujo elemento de re-liga\u00e7\u00e3o do homem com Deus \u00e9 Jesus Cristo. Neste sentido, tamb\u00e9m podemos dizer: a Igreja de Cristo.<br \/>\nSurgido na Jud\u00e9ia, o cristianismo foi inicialmente difundido pelos Ap\u00f3stolos no Oriente M\u00e9dio e na regi\u00e3o do Mediterr\u00e2neo. Os Ap\u00f3stolos foram os principais disc\u00edpulos de Cristo. O maior deles foi S\u00e3o Paulo, apesar de n\u00e3o ter conhecido pessoalmente a Cristo. Ele pregou na \u00c1sia Menor, na Gr\u00e9cia e na It\u00e1lia, onde morreu. O primeiro Papa e Bispo de Roma, isto \u00e9, chefe da Igreja em Roma, foi S\u00e3o Pedro. Depois de ter sido muito perseguido, o cristianismo tornou-se a religi\u00e3o oficial do Imp\u00e9rio Romano sob o governo de Constantino I, a partir do \u00c9dito de Mil\u00e3o, no ano 313.<br \/>\nNa Idade M\u00e9dia o cristianismo expandiu-se por muitos pa\u00edses. Entretanto, desde 1054, o cristianismo tradicional est\u00e1 dividido entre orientais ou bizantinos, que basicamente formam a Igreja Ortodoxa, e ocidentais ou latinos, que formam a Igreja Cat\u00f3lica. No entanto, v\u00e1rios agrupamentos orientais, n\u00e3o s\u00f3 ortodoxos, mas tamb\u00e9m monofisistas e nestorianos, voltaram a unir-se com Roma, mantendo por\u00e9m o seu pr\u00f3prio rito, e atualmente constituem as Igrejas Orientais Cat\u00f3licas, entre as quais est\u00e1 a Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica, como dizemos no Brasil, ou Igreja Greco-Cat\u00f3lica Ucraniana, como \u00e9 chamada na Ucr\u00e2nia.<br \/>\nNo decorrer da hist\u00f3ria tamb\u00e9m houve muitas heresias, isto \u00e9, desvios da doutrina crist\u00e3, sendo que as principais s\u00e3o:<br \/>\nArianismo \u2013 doutrina de \u00c1rio negando a divindade de Cristo e condenada nos conc\u00edlios de Nic\u00e9ia (325) e Constantinopla (381).<br \/>\nNestorianismo \u2013 doutrina de Teodoro de Mopsueste difundida por Nest\u00f3rio, segundo a qual se deve distinguir em Jesus Cristo duas pessoas, assim como se distingue duas naturezas, e cujos adeptos romperam com o cristianismo tradicional no Conc\u00edlio de \u00c9feso, em 431. O nestorianismo est\u00e1 hoje reduzido a pequenas comunidades: a Igreja Ass\u00edria ou Cald\u00e9ia (com sede no Iraque) e a Igreja do Malabar, na \u00cdndia. Conv\u00e9m ressaltar que cada uma destas Igrejas tem hoje o seu \u201cbra\u00e7o\u201d cat\u00f3lico, isto \u00e9, existem Igrejas Orientais Cat\u00f3licas que delas prov\u00eam.<br \/>\nMonofisismo \u2013 doutrina que reconhece em Cristo apenas a natureza divina e cujos adeptos n\u00e3o aderiram \u00e0s formula\u00e7\u00f5es do conc\u00edlio de Calced\u00f4nia, em 451, dando origem \u00e0s chamadas Igrejas monofisistas \u201cn\u00e3o calcedonianas\u201d: a Igreja Copta do Egito (Alexandria), a Igreja da Eti\u00f3pia, as Igrejas s\u00edrias monofisistas (jabobitas, malabaritas), e a Igreja Arm\u00eania. Todas t\u00eam hoje o seu \u201cbra\u00e7o\u201d cat\u00f3lico.<\/h5>\n<h5>Iconoclasmo \u2013 movimento que, no Imp\u00e9rio Bizantino, combatia o uso de \u00edcones (imagens sacras) como se fosse idolatria (s\u00e9culos VIII e IX). A palavra prov\u00e9m do grego eikon, imagem + klasmos, quebrar. Esse movimento s\u00f3 terminou em 843, com a reintrodu\u00e7\u00e3o solene dos \u00edcones na igreja de Santa Sofia, comemorada pelos bizantinos em geral, tanto ortodoxos quanto cat\u00f3licos, no primeiro domingo da Grande Quaresma, como Dia da Ortodoxia.<br \/>\nNo s\u00e9culo XVI surgiu o protestantismo, tamb\u00e9m iconoclasta, separando-se da Igreja de Roma, a qual promoveu a Reforma Cat\u00f3lica no s\u00e9culo XVII, para evitar a sua decad\u00eancia.<br \/>\nA partir do s\u00e9culo XVIII, o cristianismo em geral teve que lutar contra o crescimento do racionalismo, filosofia baseada na raz\u00e3o, no dom\u00ednio do conhecimento, que descristianizou a sociedade. Entretanto, gra\u00e7as \u00e0s miss\u00f5es, o cristianismo espalhou-se por todas as partes do mundo, tornando-se a religi\u00e3o que hoje conta com o maior n\u00famero de adeptos. Seus tr\u00eas ramos principais s\u00e3o: o catolicismo, a ortodoxia e o protestantismo (igrejas evang\u00e9licas).<br \/>\nI \u2013 O que \u00e9 Rito?<br \/>\n\u00c9 um conjunto de regras, rituais e cerim\u00f4nias que se praticam numa Igreja, por ex.: o rito ucraniano. A palavra rito tamb\u00e9m \u00e9 utilizada como sin\u00f4nimo de ritual, cerim\u00f4nia, por ex.: o rito do batismo, isto \u00e9, o ritual, a cerim\u00f4nia do batismo.<br \/>\nO c\u00e2non 28, \u00a71, do CCEO (sigla latina do C\u00f3digo de C\u00e2nones das Igrejas Orientais) define rito como \u201co patrim\u00f4nio lit\u00fargico, teol\u00f3gico, espiritual e disciplinar, distinto pela cultura e circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas de povos, que se expressa em um modo de viver a f\u00e9 que \u00e9 pr\u00f3prio de cada uma das Igrejas aut\u00f4nomas\u201d.<br \/>\nO ser humano \u00e9 uma criatura inteligente, e como tal tem o dever de reconhecer a verdade, o que inclui o dever de reconhecer, agradecer e venerar a Deus que o criou, o que \u00e9 feito atrav\u00e9s da adora\u00e7\u00e3o divina. \u00c9 poss\u00edvel adorar a Deus em casa, na rua ou no trabalho, quer seja ele no escrit\u00f3rio, na f\u00e1brica ou no campo; em suma \u2013 \u00e9 poss\u00edvel adorar a Deus em qualquer parte.<br \/>\nNo entanto, a pessoa humana n\u00e3o foi criada para viver s\u00f3; ela \u00e9 um ser social e precisa conviver com os outros, formando fam\u00edlias, comunidades, organiza\u00e7\u00f5es, na\u00e7\u00f5es, pa\u00edses, e tamb\u00e9m a Igreja, cuja finalidade \u00e9 ensinar as verdades divinas e levar o homem a Deus. E como a pessoa humana \u00e9 obra de Deus-Criador, assim tamb\u00e9m essas institui\u00e7\u00f5es, mesmo que indiretamente, e por isto t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de respeitar a Deus e seguir seus preceitos, especialmente a Igreja, que tem esta finalidade espec\u00edfica. Isto \u00e9 feito atrav\u00e9s de cerim\u00f4nias p\u00fablicas de relacionamento com Deus, ou, em termos corriqueiros, atrav\u00e9s de cultos p\u00fablicos de adora\u00e7\u00e3o a Deus, em que se inserem tamb\u00e9m os pedidos e agradecimentos, decorrentes do reconhecimento de que o ser humano depende de Deus, e tamb\u00e9m a prega\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o ensino de tudo o que se refere a Deus, especialmente dos Seus preceitos \u2013 cuja pr\u00e1tica \u00e9 imprescind\u00edvel para ser fiel a Ele. Em suma, o culto divino abrange o reconhecimento e a adora\u00e7\u00e3o de Deus, os agradecimentos e pedidos, o aprendizado, e a realiza\u00e7\u00e3o de Sua Santa Vontade.<br \/>\nO culto p\u00fablico de Deus \u00e9 aquele realizado de forma comunit\u00e1ria e dirigido por pessoas especialmente para este fim destinadas (os sacerdotes), e de uma maneira formulada pelo pr\u00f3prio Deus ou pela Igreja. O culto p\u00fablico, pela sua pr\u00f3pria natureza, deve ser exterior e se manifestar atrav\u00e9s de atos, de cerim\u00f4nias que o p\u00fablico possa n\u00e3o s\u00f3 assistir, como se fosse um espet\u00e1culo, mas tamb\u00e9m participar. E \u00e9 exatamente este culto p\u00fablico de Deus, \u2013 feito dentro de uma estrutura eclesi\u00e1stica espec\u00edfica e por pessoas espec\u00edficas, seguindo determinados rituais, realizados de uma maneira e numa l\u00edngua espec\u00edfica, em lugares preparados especialmente para isto, e seguindo regras espec\u00edficas, \u2013 que comp\u00f5e um rito. E os ritos, dentro da Igreja Cat\u00f3lica, s\u00e3o conservados principalmente na celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa (que os orientais chamam de Divina Liturgia), na maneira de ministrar os sacramentos e de realizar as demais atividades eclesiais, e na estrutura\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica. Resumindo, rito \u00e9 a forma exterior de manifestar a f\u00e9 em Deus e de se relacionar com Ele.<br \/>\nEste \u00e9 o rito religioso, pois, de maneira geral, rito \u00e9 toda a forma de a\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou em p\u00fablico, consagrada pelo costume e pela tradi\u00e7\u00e3o. Assim sendo, existe o rito do casamento, o rito de cumprimentar as pessoas, o rito do sepultamento, o rito dos festejos de anivers\u00e1rio, do Ano Novo, etc.<br \/>\nDIFEREN\u00c7A ENTRE RITO E F\u00c9<br \/>\nA palavra f\u00e9 tem basicamente dois significados: 1) acreditar, por ex.: eu tenho f\u00e9 em Deus, ele tem f\u00e9 que vai vencer; 2) doutrina religiosa, por ex.: a f\u00e9 crist\u00e3.<br \/>\nF\u00e9 crist\u00e3 (ou religi\u00e3o crist\u00e3, cristianismo) s\u00e3o as verdades de Deus, reveladas por Ele pr\u00f3prio (diretamente ou atrav\u00e9s de Cristo) e conservadas pela Igreja, que as apresenta aos crist\u00e3os para que creiam nelas.<br \/>\nRito, por sua vez, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o exterior da f\u00e9. Rito \u00e9 a forma exterior do crist\u00e3o se relacionar com Deus.<br \/>\nAssim, a f\u00e9 \u00e9 \u00fanica, porque a verdade \u00e9 \u00fanica, Deus \u00e9 \u00fanico. J\u00e1 o rito n\u00e3o tem necessidade de ser \u00fanico, e por isto existem muitos. No rito, isto \u00e9, na manifesta\u00e7\u00e3o exterior da f\u00e9 \u2013 influem os costumes pr\u00f3prios de cada um dos povos crist\u00e3os.<br \/>\nA f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 \u00fanica, pois \u201ch\u00e1 um s\u00f3 Senhor, uma s\u00f3 f\u00e9, um s\u00f3 batismo. H\u00e1 um s\u00f3 Deus e Pai de todos\u201d (Ef 4, 5-6). H\u00e1 uma s\u00f3 Igreja, Corpo de Cristo: \u201cCreio na Igreja, \u00fanica, santa, universal e apost\u00f3lica\u201d (Credo niceno-constantinopolitano). J\u00e1 os ritos s\u00e3o muitos. Eles s\u00e3o como vestimentas, que com sua variedade de formas e colora\u00e7\u00f5es (isto \u00e9, de l\u00ednguas e culturas nacionais) quebram a monotonia e embelezam a Igreja de Cristo. Todas as flores s\u00e3o flores, mas n\u00e3o teria gra\u00e7a nenhuma se todas as flores fossem iguais. Assim tamb\u00e9m se d\u00e1 com os crist\u00e3os: seria muito mon\u00f3tono se todos os crist\u00e3os tivessem que manifestar a sua f\u00e9 da mesma forma e na mesma l\u00edngua, e se todas as igrejas fossem iguais. A beleza reside na variedade, na diferen\u00e7a de detalhes, que n\u00e3o alteram a ess\u00eancia. \u00c9 por isto que existem muitos ritos, classificados basicamente em ocidentais e orientais. E nenhum est\u00e1 ou deveria estar acima dos demais.<br \/>\nAssim sendo, n\u00e3o \u00e9 correto dizer que todos devem pertencer ao rito latino, porque esse \u00e9 o \u201crito certo\u201d, pois \u00e9 \u201co rito do Papa\u201d. Acontece que o pr\u00f3prio Cristo celebrou a primeira Missa, a Santa Ceia, num rito oriental, o judaico, acrescentando ao mesmo algumas coisas novas.<br \/>\nEntre os ritos ocidentais predomina o latino; j\u00e1 entre os orientais est\u00e3o o alexandrino (ou copta), o antioquino (ou s\u00edrio), o arm\u00eanio, o bizantino e o caldeu.<br \/>\nO rito bizantino, que deu origem ao rito ucraniano, prov\u00e9m da cidade de Biz\u00e2ncio e do Imp\u00e9rio Bizantino. Biz\u00e2ncio foi fundada no s\u00e9c. VII a. C. e passou a chamar-se Constantinopla em 324, quando se tornou capital do Imp\u00e9rio Romano Oriental, o qual em 395 passou a chamar-se Imp\u00e9rio Bizantino. O rito bizantino \u00e9 o mais importante do Oriente, pois de Biz\u00e2ncio partiram os mission\u00e1rios que cristianizaram, entre outros, a maioria dos povos eslavos. Com o tempo surgiram muitos ritos nacionais, derivados do rito bizantino: alban\u00eas, bielo-russo, b\u00falgaro, croata, eslovaco, grego, h\u00fangaro, \u00edtalo-alban\u00eas, maced\u00f4nio, melquita, romeno, russo, ruteno (carp\u00e1tico), s\u00e9rvio e ucraniano. No entanto, pouco diferem entre si, pois \u00e0 base comum foram agregados t\u00e3o somente o \u201cesp\u00edrito nacional\u201d, a l\u00edngua e os costumes espec\u00edficos.<br \/>\nPode parecer estranha a exist\u00eancia de um rito bizantino-italiano, mas \u00e9 verdadeira. Durante a \u00e9poca do Imp\u00e9rio Romano, havia muitos gregos na It\u00e1lia e o rito bizantino era bastante popular. Com o passar dos s\u00e9culos, a l\u00edngua latina foi substituindo a grega, e, conseq\u00fcentemente, o rito bizantino-italiano tamb\u00e9m foi sendo substitu\u00eddo pelo latino, apesar de ainda persistir, por exemplo, no mosteiro de S\u00e3o Nilo, em Grottaferrata, perto de Roma, onde se utiliza o grego nas celebra\u00e7\u00f5es. Este mosteiro foi fundado no s\u00e9c. XI. Outro testemunho dessa \u00e9poca \u00e9 a exist\u00eancia at\u00e9 hoje do Patriarcado de Veneza, atualmente integrado ao rito latino e \u00e0 Igreja Romana. Observe-se, por exemplo, o estilo bizantino da bas\u00edlica veneziana de S\u00e3o Marcos. Veneza foi, inclusive, ap\u00f3s a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453, um centro de humanismo e cultura grega, gra\u00e7as \u00e0 presen\u00e7a em seu territ\u00f3rio de s\u00e1bios gregos que fugiram dos turcos.<br \/>\nConv\u00e9m lembrar que Patriarcado \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica das Igrejas Orientais. Para maior informa\u00e7\u00e3o, veja-se, por exemplo, o cap\u00edtulo \u201cOs Patriarcas Orientais\u201d, par\u00e1grafos 7 a 11 do Decreto \u201cOrientalium Ecclesiarum\u201d, do Conc\u00edlio Vaticano II.<br \/>\nA IGREJA CAT\u00d3LICA ROMANA E AS IGREJAS ORIENTAIS<br \/>\n\u201cA Igreja santa e cat\u00f3lica, Corpo M\u00edstico de Cristo, consta de fi\u00e9is que se unem organicamente pela mesma f\u00e9, pelos mesmos sacramentos e pelo mesmo regime, no Esp\u00edrito Santo; coligando-se em v\u00e1rios grupos unidos pela hierarquia, constituem as Igrejas particulares ou os Ritos. Entre elas vigora admir\u00e1vel comunh\u00e3o, de tal forma que a variedade na Igreja, longe de prejudicar-lhe a unidade, antes a manifesta. A inten\u00e7\u00e3o da Igreja cat\u00f3lica (isto \u00e9, universal; obs. do autor) \u00e9 que permane\u00e7am salvas e \u00edntegras as tradi\u00e7\u00f5es de cada Igreja particular ou rito\u2026<br \/>\n\u201cTais Igrejas particulares, tanto do Oriente como do Ocidente, embora difiram parcialmente entre si pelo que chamam de Ritos, isto \u00e9, pela liturgia, pela disciplina eclesi\u00e1stica e pelo patrim\u00f4nio espiritual, s\u00e3o, todavia, igualmente confiadas ao governo pastoral do Pont\u00edfice Romano, que por determina\u00e7\u00e3o divina sucede ao Bem-aventurado Pedro no primado sobre a Igreja universal. Por isso elas gozam de dignidade igual, de modo que nenhuma delas preceda as outras em raz\u00e3o do rito; gozam dos mesmos direitos e se at\u00eam \u00e0s mesmas obriga\u00e7\u00f5es\u2026\u201d (Decreto \u201cOrientalium Ecclesiarum\u201d, Conc\u00edlio Vaticano II, \u00a7 2-3.)<br \/>\nDo acima citado, se deduz que:<br \/>\n1. A Igreja cat\u00f3lica (isto \u00e9, universal) \u00e9 uma s\u00f3 em todo o universo, pois professa a mesma f\u00e9 crist\u00e3.<br \/>\n2. A Igreja cat\u00f3lica \u00e9 composta de diversas Igrejas particulares, que s\u00e3o independentes entre si (isto \u00e9, cada uma tem administra\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria) e diferentes entre si pelo que chamam de rito, mas que, no entanto, s\u00e3o iguais entre si em direitos e obriga\u00e7\u00f5es, de modo que nenhuma precede nem pode preceder outra, e todas est\u00e3o igualmente confiadas ao governo pastoral do Pont\u00edfice Romano. Assim, por exemplo, a Igreja Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Romana \u00e9 apenas uma das Igrejas particulares e est\u00e1 em p\u00e9 de igualdade com a Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica e as demais Igrejas particulares, tamb\u00e9m chamadas de aut\u00f4nomas ou sui juris.<br \/>\n3. O que diferencia as Igrejas particulares s\u00e3o os ritos. No entanto, rito n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de Igreja particular, apesar de muitas vezes ser usado neste sentido. Acontece que as Igrejas particulares cat\u00f3licas orientais s\u00e3o normalmente fruto do chamado uniatismo, isto \u00e9, da uni\u00e3o com Roma de uma parte de uma Igreja oriental. Assim sendo, o rito ucraniano \u00e9 praticado tanto pela Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica quanto pela Igreja Ortodoxa Ucraniana, apesar de j\u00e1 terem surgido pequenas diferen\u00e7as no decorrer de quatro s\u00e9culos de separa\u00e7\u00e3o (a Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica \u00e9 fruto da Uni\u00e3o de Berest, de 1596). Isto quer dizer que o rito, o \u201csistema\u201d das duas Igrejas \u00e9 praticamente o mesmo, apesar de estarem estruturalmente separadas. Em outras palavras, podemos dizer que muitos povos orientais (isto \u00e9, da \u00e1rea de influ\u00eancia do antigo Imp\u00e9rio Romano Oriental) t\u00eam o seu pr\u00f3prio rito, que normalmente \u00e9 comum a duas Igrejas \u2013 uma cat\u00f3lica e outra separada.<br \/>\n\u00c9 por isto que o Decreto \u201cOrientalium Ecclesiarum\u201d, do Conc\u00edlio Vaticano II, afirma em seu par\u00e1grafo 24:<br \/>\n\u201c\u00c0s Igrejas Orientais que vivem em comunh\u00e3o com a S\u00e9 Apost\u00f3lica de Roma compete a peculiar obriga\u00e7\u00e3o de favorecer\u2026 a unidade de todos os crist\u00e3os, principalmente os orientais (ortodoxos, etc.; obs. do autor), pela ora\u00e7\u00e3o e pelo exemplo de vida, pela fidelidade religiosa para com as antigas tradi\u00e7\u00f5es orientais, por um melhor conhecimento m\u00fatuo, pela colabora\u00e7\u00e3o e estima fraterna das coisas e das almas.\u201d (Conf. C\u00e2non 903 do CCEO.) Isto quer dizer que, no caso espec\u00edfico de n\u00f3s, ucranianos, tanto cat\u00f3licos quanto ortodoxos, devemos rezar juntos, devemos conviver, nos conhecer e colaborar mutuamente, buscando a estima fraterna. Ou, como disse o Papa Jo\u00e3o Paulo II na visita \u00e0 Catedral Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica de Buenos Aires no dia 10 de abril de 1987, devemos nos aproximar dos nossos irm\u00e3os ortodoxos e juntos buscarmos a verdadeira uni\u00e3o em Cristo!<br \/>\nResumindo, a Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 uma federa\u00e7\u00e3o de 24 Ritos ou Igrejas particulares (aut\u00f4nomas, sui juris), em completa comunh\u00e3o entre si e com o Papa, como Sumo Pont\u00edfice da Igreja Universal (tamb\u00e9m chamado Pont\u00edfice Romano). O Papa, na sua qualidade de Patriarca de Roma, tamb\u00e9m \u00e9 o chefe da maior das Igrejas sui juris, a Igreja Latina (tamb\u00e9m conhecida como Igreja Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Romana). As restantes 23 Igrejas sui juris, conhecidas coletivamente como &#8220;Igrejas Cat\u00f3licas Orientais&#8221;, s\u00e3o governadas por um hierarca-mor (Patriarca, Arcebispo-Mor, Metropolita, Exarca, ou Administrador Apost\u00f3lico). A C\u00faria Romana administra tanto as Igrejas orientais, quanto a Igreja ocidental. Devido a este sistema, \u00e9 poss\u00edvel que um cat\u00f3lico esteja em comunh\u00e3o plena com o Pont\u00edfice Romano, sem ser um cat\u00f3lico \u201cromano\u201d.<br \/>\nAs Igrejas sui juris utilizam uma das seis correntes lit\u00fargicas tradicionais (que emanam de s\u00e9s hist\u00f3ricas), chamadas Ritos. Os ritos principais s\u00e3o: Romano, Bizantino, Antioquino, Alexandrino, Caldeu e Arm\u00eanio. O Rito Romano, usado pela Igreja Latina, \u00e9 dominante na maior parte do mundo, e \u00e9 usado pela vasta maioria dos cat\u00f3licos (mais de 90%). Antigamente havia muitos ritos ocidentais menores, que foram substitu\u00eddos pelo Rito Romano nas reformas lit\u00fargicas do Conc\u00edlio de Trento. No entanto, alguns desses ritos ocidentais menores ainda persistem.<br \/>\nHistoricamente, o Santo Sacrif\u00edcio da Missa, no Rito Romano, a chamada \u201cMissa Tridentina\u201d \u2013 era celebrada inteiramente em latim eclesi\u00e1stico, mas no Conc\u00edlio Vaticano II, no in\u00edcio dos anos 60 do s\u00e9culo passado, foi promulgada uma nova vers\u00e3o da Missa (Novus Ordo Missae), que \u00e9 celebrada na l\u00edngua vern\u00e1cula, isto \u00e9, local. A celebra\u00e7\u00e3o correspondente das Igrejas Cat\u00f3licas Orientais, a Divina Liturgia, tamb\u00e9m passou a ser feita na l\u00edngua vern\u00e1cula de cada uma das Igrejas, apesar de \u00e0s vezes ser mantido um pouco da l\u00edngua em que cada povo foi evangelizado, por exemplo, no rito ucraniano ainda se mant\u00e9m um pouco de grego e de eslav\u00f4nico (a antiga l\u00edngua eslava).<br \/>\nObserve-se que dentro da Igreja Romana existem quatro ritos, mas que n\u00e3o se constituem em Igrejas \u00e0 parte. S\u00e3o eles:<br \/>\nRito Latino Romano \u2013 o predominante.<br \/>\nRito Ambrosiano \u2013 utilizado na Arquidiocese de Mil\u00e3o; teve sua origem em Santo Ambr\u00f3sio , mentor de Santo Agostinho.<br \/>\nRito Mo\u00e7\u00e1rabe \u2013 oriundo dos \u00e1rabes convertidos ao cristianismo na Espanha, durante a reconquista. Durante muito tempo foi usado apenas numa capela da catedral de Toledo, a diocese primaz da Espanha, e mais nove par\u00f3quias. Desde 1993 pode ser usado em todo o territ\u00f3rio do pa\u00eds.<br \/>\nRito Galicano ou Lion\u00eas \u2013 utilizado na Arquidiocese de Lyon, primaz da Fran\u00e7a.<br \/>\nUltimamente tem se estabelecido um uso anglicano, que n\u00e3o \u00e9 propriamente um rito, para acomodar os anglicanos que adotaram o catolicismo. Trata-se de uma forma adaptada do rito anglicano.<br \/>\nFuncionalmente, as Igrejas Orientais Cat\u00f3licas dependem da Congrega\u00e7\u00e3o para as Igrejas Orientais, criada em 1862 como se\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o de \u201cPropaganda Fidei\u201d (Propaga\u00e7\u00e3o da F\u00e9), e elevada em 1917 \u00e0 categoria de Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm direito can\u00f4nico fala-se de Igrejas rituais ou aut\u00f4nomas, em latim \u2013 sui juris, para referir-se \u00e0s Igrejas particulares, em comunh\u00e3o com o Pont\u00edfice Romano, que t\u00eam uma organiza\u00e7\u00e3o, disciplina e direito pr\u00f3prios, e que respondem a tradi\u00e7\u00f5es espirituais e lit\u00fargicas pr\u00f3prias. O C\u00f3digo de C\u00e2nones das Igrejas Orientas (em latim: Codex Canonum Ecclesiarum Orientalium \u2013 CCEO) define as Igrejas Orientais como \u201ca agrupa\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is crist\u00e3os unidos \u00e0 hierarquia, que a autoridade suprema da Igreja reconhece expressa ou tacitamente como sui juris\u201d (c\u00e2non 27).<br \/>\nII &#8211; As Igrejas Orientais Cat\u00f3licas<br \/>\nDe acordo com o C\u00f3digo de C\u00e2nones das Igrejas Orientais, estas Igrejas sui juris ou aut\u00f4nomas se dividem em quatro categorias: Igrejas Patriarcais (Igreja Arm\u00eania, Cald\u00e9ia, Copta, Maronita, Melquita e Sir\u00edaca); Igrejas Arquiepiscopais Maiores (Igreja Ucraniana, Sir\u00edaco-Malabar, Sir\u00edaco-Malancar e Romena); Igrejas Metropolitanas sui juris (p. ex.: a Igreja Et\u00edope, a Igreja Rutena na Am\u00e9rica, e a Igreja Eslovaca); e as demais Igrejas sui juris, dentre as quais algumas ainda n\u00e3o possuem hierarquia episcopal pr\u00f3pria.<br \/>\nPor outro lado, devido \u00e0s grandes migra\u00e7\u00f5es populacionais dos \u00faltimos tempos, a Santa S\u00e9 erigiu em alguns pa\u00edses ocidentais os Ordinariatos para os fi\u00e9is das Igrejas Orientais que residem em pa\u00edses onde n\u00e3o existe uma hierarquia cat\u00f3lica do pr\u00f3prio rito. Os cat\u00f3licos de rito oriental que residem em pa\u00edses em que n\u00e3o existe nem hierarquia pr\u00f3pria nem ordinariato espec\u00edfico \u2013 dependem do ordin\u00e1rio latino local (p. ex.: os ucra\u00edno-cat\u00f3licos do Paraguai). As Igrejas Cat\u00f3licas Orientais aut\u00f4nomas, em comunh\u00e3o com o Pont\u00edfice Romano, agrupadas segundo a tradi\u00e7\u00e3o a que pertencem, s\u00e3o as que seguem (de acordo com o site www.iuscanonicum.org e outras fontes). Conv\u00e9m ressaltar que, por ocasi\u00e3o da promulga\u00e7\u00e3o do CCEO em 18 de outubro de 1990, elas eram 21; agora s\u00e3o 23, pois a antiga Igreja \u201cIugoslava\u201d foi subdividida em Croata, Maced\u00f4nia e S\u00e9rvia. Em algumas listagens constam 24, incluindo a Igreja Cat\u00f3lica Bizantina Georgiana.<br \/>\nRITO ALEXANDRINO (COPTA)<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Copta (Patriarcado com sede em Alexandria e diversas eparquias no Egito). \u2013 Coptas eram antigos habitantes do Egito que, aceitando o cristianismo, ca\u00edram na heresia monofisista de Eut\u00edquio (morto em 454). Eles reconhecem em Cristo apenas a natureza divina (n\u00f3s reconhecemos duas naturezas em uma s\u00f3 pessoa: a divina e a humana). No s\u00e9culo XVII uma pequena parte dos coptas uniu-se a Roma, e seu patriarcado foi institu\u00eddo em 1899. Em sua liturgia, eles utilizam basicamente tr\u00eas l\u00ednguas: copta, grego e \u00e1rabe.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Et\u00edope (Metropolita com sede em Addis Abeba , na Eti\u00f3pia, e diversas eparquias na Eti\u00f3pia e na Eritr\u00e9ia). \u2013 Os et\u00edopes ou abiss\u00ednios constituem um dos mais antigos povos crist\u00e3os. Eles t\u00eam muitos rituais pr\u00f3prios e s\u00e3o grandes devotos da Sant\u00edssima M\u00e3e de Deus. A maioria absoluta \u00e9 copta monofisista. J\u00e1 os cat\u00f3licos et\u00edopes, que at\u00e9 1961 pertenciam \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica Copta (do Egito), agora s\u00e3o aut\u00f4nomos.<br \/>\nRITO ANTIOQUINO (S\u00cdRIO)<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Sir\u00edaca Malancar (Arquiepiscopado Maior criado em 2005, com sede em Trivandrum, na \u00cdndia, pa\u00eds onde tem diversas eparquias). \u2013 Vivendo na costa do Malabar, \u00cdndia, a maioria dos malancares \u00e9 monofisista, no entanto, os cat\u00f3licos malancares somam algumas centenas de milhares, e por isto sua Igreja foi elevada a Arquiepiscopado Maior.<br \/>\nIgreja Maronita (\u201cPatriarcado Antioquino dos Maronitas\u201d, com sede no L\u00edbano). \u2013 A palavra maronita prov\u00e9m de Maron, um monge que viveu no s\u00e9culo V e \u00e9 considerado o fundador desta Igreja. No s\u00e9culo IX os maronitas emigraram para o L\u00edbano. Uniram-se a Roma na \u00e9poca das Cruzadas, em 1215, uni\u00e3o esta oficializada pelo papa Inoc\u00eancio III atrav\u00e9s da bula \u201cQuia divinae sapientia\u201d, de 4 de janeiro de 1216. At\u00e9 o s\u00e9culo XVIII os maronitas utilizavam a l\u00edngua s\u00edria; hoje usam o \u00e1rabe e o franc\u00eas. No entanto, a l\u00edngua s\u00edria ainda persiste na liturgia. Aqui no Brasil, os maronitas t\u00eam uma Eparquia, sediada em S\u00e3o Paulo (Catedral Nossa Senhora do L\u00edbano, inaugurada em 1971 \u2013 Rua Tamandar\u00e9, 335, Liberdade; bispo atual \u2013 Dom Edgard Madi, que assumiu em 10 de dezembro de 2006), al\u00e9m de par\u00f3quias em Campinas, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Ao todo, h\u00e1 mais de um milh\u00e3o e meio de maronitas, dos quais pelo menos um ter\u00e7o vive fora do Oriente M\u00e9dio. A Igreja Maronita tem arquieparquias e eparquias no L\u00edbano, Chipre, Egito, S\u00edria, Israel, Argentina, Brasil, Estados Unidos, Austr\u00e1lia, Canad\u00e1 e M\u00e9xico, al\u00e9m de exarcados na Jord\u00e2nia e na Palestina.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica S\u00edria ou Sir\u00edaca (\u201cPatiarcado Antioquino dos S\u00edrios\u201d). \u2013 Jacob Baradeu foi um monge s\u00edrio monofisista, que faleceu em Edessa por volta do ano 578. Sagrado bispo em 543, ele revitalizou as comunidades monofisistas da Arm\u00eania e da Mesopot\u00e2mia. Posteriormente, ele criou na S\u00edria uma hierarquia monofisista aut\u00f4noma, que originou a Igreja Jacobita. Uma parte dessa Igreja religou-se a Roma no s\u00e9c. XVIII, dando origem \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica S\u00edria, que aqui no Brasil tem uma par\u00f3quia em Belo Horizonte (Igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus \u2013 Av. Caranda\u00ed, 1010, bairro Funcion\u00e1rios \u2013 30130-060 Belo Horizonte, MG). Esta par\u00f3quia est\u00e1 vinculada ao Ordinariato para os Fi\u00e9is de Rito Oriental \u2013 Arcebispado do Rio de Janeiro. Os cat\u00f3licos sir\u00edacos vivem principalmente na S\u00edria, L\u00edbano, Iraque, Palestina e Egito. Em alguns locais ainda conservam a antiga l\u00edngua aramaica, que era utilizada por Cristo. A maioria dos sir\u00edacos, no entanto, continua sendo monofisista, e pertence \u00e0 Igreja Jacobita, atualmente mais conhecida como Igreja Sir\u00edaca ou Siriana Ortodoxa (representada no Brasil pela ICOSB \u2013 Igreja Cat\u00f3lica Ortodoxa Siriana do Brasil, que faz parte do CONIC \u2013 Conselho Nacional de Igrejas Crist\u00e3s). Os sir\u00edacos utilizam a Liturgia de Jerusal\u00e9m, formulada pelo ap\u00f3stolo S\u00e3o Tiago. A Igreja Cat\u00f3lica Sir\u00edaca tem arquieparquias e eparquias no L\u00edbano, Egito, Sud\u00e3o, S\u00edria, e Estados Unidos e Canad\u00e1 (a eparquia de Newark, Estados Unidos, tem jurisdi\u00e7\u00e3o sobre os fi\u00e9is desse rito em ambos os pa\u00edses), al\u00e9m de exarcados na Jord\u00e2nia, Kuwait, Palestina, Turquia e Venezuela.<br \/>\nRITO ARM\u00caNIO<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Arm\u00eania (Patriarcado sediado na Cil\u00edcia). \u2013 A Igreja Arm\u00eania \u00e9 uma das mais antigas, pois a Arm\u00eania foi cristianizada ainda no s\u00e9c. II. No entanto, foi s\u00f3 no s\u00e9c. IV que o cristianismo tornou-se popular, gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Greg\u00f3rio I, o Iluminador. No s\u00e9c. VI os arm\u00eanios adotaram o monofisismo. Os arm\u00eanios monofisistas (separados) tamb\u00e9m s\u00e3o conhecidos como gregorianos. S\u00e9culos mais tarde, uma parte deles uniu-se a Roma. Na cidade de S\u00e3o Paulo h\u00e1 uma grande col\u00f4nia arm\u00eania, parte da qual \u00e9 cat\u00f3lica (Igreja S\u00e3o Greg\u00f3rio, o Iluminador: Av. Tiradentes, 718, Bairro da Luz \u2013 01102-000 S\u00e3o Paulo, SP). Eles pertencem \u00e0 Eparquia S\u00e3o Greg\u00f3rio de Narek, sediada em Buenos Aires \u2013 Argentina; bispo atual \u2013 Dom Vartan Waldir Boghossian, SDB. A Igreja Cat\u00f3lica Arm\u00eania tamb\u00e9m tem arquieparquias e eparquias no L\u00edbano, Ir\u00e3, Iraque, Egito, S\u00edria, Turquia, Ucr\u00e2nia e Fran\u00e7a, al\u00e9m de um exarcado patriarcal para Am\u00e3 (Jord\u00e2nia) e Jerusal\u00e9m, e de um exarcado para os Estados Unidos e o Canad\u00e1, sediado em Nova York , al\u00e9m de Ordinariatos para os fi\u00e9is de rito arm\u00eanio na Gr\u00e9cia (com sede em Atenas), na Rom\u00eania (com sede em Gherla) e para a Europa Ocidental (com sede em Ghiumri).<br \/>\nRITO BIZANTINO<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Bizantina Albanesa (Administra\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica na Alb\u00e2nia). \u2013 Durante a vig\u00eancia do regime comunista na Alb\u00e2nia, esta Igreja atuava principalmente entre os refugiados albaneses na It\u00e1lia. Ap\u00f3s a re-democratiza\u00e7\u00e3o da Alb\u00e2nia, a Igreja Albanesa est\u00e1 se reorganizando naquele pa\u00eds.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Bizantina Bielo-Russa. \u2013 Esta Igreja atua basicamente na Bielo-R\u00fassia (Bielarus), onde tamb\u00e9m se pratica o rito latino. No entanto, a maioria absoluta dos bielo-russos \u00e9 ortodoxa.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica B\u00falgara (Exarcado Apost\u00f3lico em S\u00f3fia).  \u2013 \u00c9 uma das mais antigas Igrejas eslavas. Atualmente os b\u00falgaro-cat\u00f3licos s\u00e3o muito reduzidos. A maioria dos b\u00falgaros \u00e9 ortodoxa e tem o seu pr\u00f3prio patriarcado, com sede em S\u00f3fia.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Bizantina Croata (uma das partes da antiga Igreja \u201cIugoslava\u201d). \u2013 Os cat\u00f3licos de rito oriental est\u00e3o reunidos numa eparquia, com sede em Krizevci, que, al\u00e9m da Cro\u00e1cia, tamb\u00e9m tem jurisdi\u00e7\u00e3o sobre a B\u00f3snia-Herzegovina e a Eslov\u00eania. A maioria dos croatas, no entanto, \u00e9 cat\u00f3lica romana.<br \/>\nIgreja Greco-Cat\u00f3lica da Eslov\u00e1quia. \u2013 Em 30.01.2008, o Papa Bento XVI elevou a Igreja Eslovaca \u00e0 categoria de metrop\u00f3lia (arquieparquia), com sede em Prasziv, cujo bispo, Jan Babiak, foi elevado a Arcebispo-Metropolita. O exarcado de Kozyczi foi elevado a eparquia, e tamb\u00e9m foi criada a eparquia de Bratislava, ambas vinculadas \u00e0 metrop\u00f3lia. Os membros da Igreja Eslovaca s\u00e3o basicamente eslovacos, ucranianos e rutenos, atendidos por PP. Basilianos e Redentoristas bizantinos, e por Irm\u00e3s Basilianas e Servas de Maria Imaculada &#8211; SMI (http:\/\/www.ugcc.org.ua).<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Bizantina Grega. \u2013 Antigamente, a Igreja Grega englobava todo o Imp\u00e9rio Romano Oriental (ou Bizantino), inclusive parte da It\u00e1lia. Hoje, os gregos cat\u00f3licos n\u00e3o passam de alguns milhares, agrupados em dois exarcados: Gr\u00e9cia e Turquia. A maioria dos gregos \u00e9 ortodoxa, e, al\u00e9m da Gr\u00e9cia, eles habitam tamb\u00e9m no Chipre e na Turquia, onde est\u00e1 sediado o Patriarcado de Constantinopla, que exerce o primado entre os ortodoxos. A Igreja Ortodoxa da Gr\u00e9cia \u00e9 autocef\u00e1lica e chefiada por um arcebispo-mor.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Bizantina H\u00fangara. \u2013 Tem uma eparquia e um exarcado apost\u00f3lico na Hungria.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica \u00cdtalo-Albanesa. \u2013 Tem eparquias na It\u00e1lia. Segundo o Ordinariato para os fi\u00e9is de Ritos Orientais \u2013 Arcebispado do Rio de Janeiro, quem responde pelo rito bizantino de l\u00edngua \u00edtalo-albanesa no Brasil \u00e9 o Pe. Atan\u00e1sio Leonardo Acursi, OSBI \u2013 Rua Marechal Rondon, 1752, apto. 504, Riachuelo \u2013 20950-001 Rio de Janeiro, RJ \u2013 Telefone: (21) 261-9716.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Greco-Melquita (\u201cPatriarcado de Antioquia dos Greco-Melquitas\u201d, com sede em Damasco, na S\u00edria). \u2013 Os melquitas est\u00e3o unidos a Roma desde 1724 e somam algumas centenas de milhares. T\u00eam arquieparquias e eparquias na S\u00edria, L\u00edbano, Jord\u00e2nia, Israel, Brasil, Estados Unidos, Canad\u00e1, M\u00e9xico e Austr\u00e1lia, al\u00e9m de exarcados patriarcais em Jerusal\u00e9m, Egito e Sud\u00e3o, Iraque, Kuwait, e Venezuela. A eparquia brasileira dos melquitas, cujo bispo atual \u00e9 Dom Fares Maakaroun, est\u00e1 sediada em S\u00e3o Paulo (Catedral Nossa Senhora do Para\u00edso \u2013 Rua do Para\u00edso, S\u00e3o Paulo, SP \u2013 Celebram em \u00e1rabe e usam bastante o grego. Os melquitas ortodoxos (Igreja Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Ortodoxa Antioquina) s\u00e3o mais numerosos que os cat\u00f3licos. A Igreja S\u00e3o Jorge, situada \u00e0 Rua Brigadeiro Franco, em frente \u00e0 Sociedade dos Amigos da Cultura Ucraniana, em Curitiba, pertence a eles. A denomina\u00e7\u00e3o melquita prov\u00e9m da palavra \u00e1rabe \u201cmelek\u201d, que significa real, da realeza.<br \/>\nIgreja Maced\u00f4nia (outra parte da antiga Igreja \u201cIugoslava\u201d). \u2013 Com sede em Strumica, tem jurisdi\u00e7\u00e3o sobre a Maced\u00f4nia.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Bizantina Romena (Arquiepiscopado Maior, institu\u00eddo pelo Papa Bento XVI em 16 de dezembro de 2005). \u2013 Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o de 1054, a Igreja da Rom\u00eania permaneceu do lado ortodoxo. Atualmente, a maioria dos romenos \u00e9 ortodoxa e tem o seu pr\u00f3prio patriarcado, com sede em Bucarest. No entanto, mesmo depois de 1054, os romenos continuaram mantendo contatos com Roma. Em 1698 foi realizado um s\u00ednodo na cidade de Alba Julia, e o bispo Atan\u00e1sio aceitou a uni\u00e3o com a Igreja de Roma. Em 1700 outro s\u00ednodo confirmou esta uni\u00e3o. Assim sendo, 1700 \u00e9 considerado o ano em que surgiu oficialmente a Igreja Romeno-Cat\u00f3lica. Atan\u00e1sio foi seu primeiro bispo. Atualmente, a Igreja Romeno-Cat\u00f3lica, que tem quatro eparquias na Rom\u00eania e uma nos Estados Unidos, \u00e9 liderada por Dom Lucian Muresan, Arcebispo-Mor de Fagaras e Alba Julia. Fi\u00e9is: cerca de 750.000.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Bizantina Russa. \u2013 A maioria dos russos \u00e9 ortodoxa. No entanto, existe uma pequena minoria unida com Roma. Desde 20.12.2004, o bispo latino Jos\u00e9 Verta \u00e9 tamb\u00e9m ordin\u00e1rio para os cat\u00f3licos de rito bizantino na R\u00fassia, onde no in\u00edcio de 2007 trabalhavam 18 sacerdotes greco-cat\u00f3licos (UGCC News \u2013 11.02.2007). Em Roma existe o instituto \u201cRussicum\u201d. No Brasil, os cat\u00f3licos russo-bizantinos, dependentes do Ordinariato para os fi\u00e9is de Ritos Orientais \u2013 Arcebispado do Rio de Janeiro, est\u00e3o organizados em torno do Instituto S\u00e3o Vladimir \u2013 Rua Bom Pastor, 460 \u2013 04203-000 S\u00e3o Paulo, SP.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Bizantina S\u00e9rvia. \u2013 \u00c9 uma das partes da antiga Igreja \u201cIugoslava\u201d, junto com as Igrejas Croata e Maced\u00f4nia.<br \/>\nIgreja Greco-Cat\u00f3lica Ucraniana (Arquiepiscopado Maior institu\u00eddo em 1963; sede atual \u2013 Kyiv, ou Kiev, segundo a grafia russa popularizada mundo afora). \u2013 Neste ano a Igreja Ucraniana completa 1020 anos. Hoje ela constitui-se da Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica, com cerca de sete milh\u00f5es de fi\u00e9is (a mais numerosa das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas), e da Igreja Ortodoxa Ucraniana, com cerca de quarenta milh\u00f5es de fi\u00e9is. Infelizmente, os ortodoxos ucranianos est\u00e3o divididos em v\u00e1rias fac\u00e7\u00f5es, sendo que as principais s\u00e3o: Igreja Ortodoxa Ucraniana \u2013 Patriarcado de Kyiv, com o maior n\u00famero de fi\u00e9is da Ucr\u00e2nia; Igreja Ortodoxa Ucraniana (vinculada ao Patriarcado de Moscou), que domina a maior parte das igrejas e mosteiros da Ucr\u00e2nia; Igreja Ortodoxa Autocef\u00e1lica Ucraniana (da Ucr\u00e2nia); e Igreja Ortodoxa Ucraniana da Di\u00e1spora, vinculada ao Patriarcado de Constantinopla, da qual faz parte a Igreja Ortodoxa Autocef\u00e1lica Ucraniana do Brasil, Argentina e Paraguai \u2013uma eparquia sediada em Curitiba.<br \/>\nDepois da re-democratiza\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia, a sede da Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica, ainda na \u00e9poca de Dom Myroslav Ivan Liubachivskyi, foi transferida de Roma para Lviv, na Ucr\u00e2nia Ocidental, onde predominam os cat\u00f3licos; e desde agosto de 2005 sua sede est\u00e1 em Kyiv, capital da Ucr\u00e2nia, onde predominam os ortodoxos, e atualmente \u00e9 liderada pelo Arcebispo-Mor e Cardeal Lubomyr Husar. Um de seus bispos auxiliares \u00e9 Dom Dion\u00edsio Lachovicz, aqui do Brasil. Igrejas ortodoxas (principalmente o Patriarcado de Moscou) protestaram contra esta mudan\u00e7a para Kyiv, afirmando que a mesma seria uma forma de proselitismo e desrespeito a elas, o que foi negado pelo cardeal Husar, dizendo que a mudan\u00e7a decorria simplesmente do desenvolvimento de sua Igreja, e que a mesma devia estar sediada no seu ber\u00e7o de origem \u2013 a cidade de Kyiv. O Vaticano \u201creconheceu\u201d essa mudan\u00e7a em 29.12.2005, quando um comunicado do Vatican Information Service (VIS) se referiu ao Cardeal Husar como &#8220;Arcebispo-Mor de Kyiv e Halych&#8221;, seu novo t\u00edtulo, e n\u00e3o mais como &#8220;Arcebispo-Mor de Lviv&#8221;. \u00c0s margens do legend\u00e1rio Rio Dnipr\u00f3 (Dnieper, em russo), est\u00e1 sendo constru\u00edda a Catedral (Sobor) Patriarcal da Ressurrei\u00e7\u00e3o e o Pal\u00e1cio Patriarcal \u2013 sede administrativa.<br \/>\nAl\u00e9m da Ucr\u00e2nia, os ucra\u00edno-cat\u00f3licos t\u00eam tr\u00eas metrop\u00f3lias (ou metr\u00f3polis, isto \u00e9, arquieparquias) no exterior: Pol\u00f4nia, Estados Unidos e Canad\u00e1 (com diversas eparquias vinculadas), al\u00e9m de eparquias no Brasil (Curitiba), Argentina (Buenos Aires) e Austr\u00e1lia (para Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia e toda a Oceania), e exarcados apost\u00f3licos na Alemanha (Munique), Inglaterra (Londres) e Fran\u00e7a (para Fran\u00e7a, Benelux e Su\u00ed\u00e7a, com sede em Paris). A eparquia brasileira, dedicada a S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, conta atualmente com quatro bispos: Dom Volodemer Koubetch \u2013 Eparca (sediado em Curitiba), Dom Meron Mazur \u2013 Bispo Auxiliar (em Pitanga), Dom Daniel Kozlinski \u2013 Bispo Auxiliar (em Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria), e Dom Efraim Bas\u00edlio Krevey \u2013 Bispo Em\u00e9rito (Curitiba).<\/h5>\n<h5>J\u00e1 os ortodoxos ucranianos no Brasil n\u00e3o chegam a 10% da popula\u00e7\u00e3o de origem ucraniana, e s\u00e3o liderados pelo bispo Jeremias Ferens, residente em Curitiba.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Bizantina Rutena, tamb\u00e9m conhecida como Igreja Ruteno-Ucraniana ou Igreja Carp\u00e1tica Rutena (\u041a\u0430\u0440\u043f\u0430\u0442\u043e-\u0420\u0443\u0441\u044c\u043a\u0430 \u0426\u0435\u0440\u043a\u0432\u0430; metrop\u00f3lia com sede nos Estados Unidos). \u2013 \u201cSeparatistas\u201d ucranianos provenientes da regi\u00e3o dos Montes C\u00e1rpatos (prov\u00edncia da Zakarp\u00e1ttia), que durante s\u00e9culos estiveram som o dom\u00ednio h\u00fangaro, e por isto t\u00eam uma maneira diferente de ser e de pensar, constitu\u00edram nos Estados Unidos a Igreja Carp\u00e1tica Rutena, sediada em Pittsburgh, na Pensilv\u00e2nia. Al\u00e9m da referida metrop\u00f3lia (arquieparquia), eles t\u00eam eparquias em Parma \u2013 Ohio, Passaic \u2013 New Jersey, e Van Nuys. Al\u00e9m dos cat\u00f3licos, a Igreja Rutena conta tamb\u00e9m com uma metrop\u00f3lia ortodoxa, sediada em Johnstown.<br \/>\nDepois da re-democratiza\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia, a Eparquia Greco-Cat\u00f3lica da Zakarp\u00e1ttia seguiu o mesmo rumo.<br \/>\nTamb\u00e9m tem um exarcado apost\u00f3lico na Rep\u00fablica Tcheca (com sede em Praga).<br \/>\nRITO CALDEU<br \/>\nIgreja Cald\u00e9ia ou Caldeana (\u201cPatriarcado da Babil\u00f4nia dos Caldeus\u201d, com sede em Bagd\u00e1). \u2013 Na metade do s\u00e9culo XV essa Igreja uniu-se a Roma. H\u00e1 cerca de 500.000 caldeus cat\u00f3licos, cujo patriarca atual (desde 04\/12\/2003) \u00e9 Karim III Delly. Um caldeu cat\u00f3lico muito conhecido foi Tarik Aziz, ministro das rela\u00e7\u00f5es exteriores de Sadam Hussein. Esta Igreja tem arquieparquias e eparquias no Iraque, Ir\u00e3, L\u00edbano, Egito, S\u00edria, Turquia, Estados Unidos e Oceania (Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia, com sede em Sidney), e um exarcado patriarcal em Jerusal\u00e9m. Os caldeus separados, em menor n\u00famero, s\u00e3o nestorianos.<br \/>\nIgreja Cat\u00f3lica Sir\u00edaco-Malabar (Arquiepiscopado Maior criado em 1992; sede: Ernakulam-Angamaly, \u00cdndia). \u2013 Esta \u00e9 uma das mais antigas Igrejas do sudeste da \u00c1sia, e uma das mais atuantes do Oriente, com mais de um milh\u00e3o de fi\u00e9is. Tem arquieparquias e eparquias na \u00cdndia e nos Estados Unidos. Gostam de ser chamados de crist\u00e3os de S\u00e3o Tom\u00e9, que pregou a f\u00e9 crist\u00e3 nessa regi\u00e3o da \u00cdndia (Malabar). Os malabares separados s\u00e3o nestorianos e n\u00e3o passam de alguns milhares.<br \/>\nORDINARIATOS<br \/>\nAl\u00e9m das estruturas anteriormente descritas, em alguns pa\u00edses existem Ordinariatos para os fi\u00e9is de rito oriental que n\u00e3o t\u00eam ordin\u00e1rio do pr\u00f3prio rito. S\u00e3o os seguintes: Buenos Aires \u2013 Argentina; Rio de Janeiro \u2013 Brasil (Arcebispado do Rio de Janeiro); Paris \u2013 Fran\u00e7a; Vars\u00f3via \u2013 Pol\u00f4nia; e Viena \u2013 \u00c1ustria.<br \/>\nIII \u2013 O Rito Ucraniano<\/h5>\n<h5>O QUE \u00c9 RITO UCRANIANO?<br \/>\nO rito ucraniano \u00e9 um ramo do rito bizantino, seguido pelos ucranianos da Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica e da Igreja Ortodoxa Ucraniana. O povo ucraniano recebeu a f\u00e9 crist\u00e3 atrav\u00e9s de Biz\u00e2ncio (que em 324 passou a se chamar Constantinopla, atual Istambul, na Turquia), e por isto adotou o rito bizantino. Em 988, S\u00e3o Valdomiro, o Grande, oficializou o Cristianismo na Ucr\u00e2nia, promovendo o batismo em massa do povo ucraniano no rito bizantino, em que ele mesmo j\u00e1 havia sido batizado, bem como sua av\u00f3, Santa Olga, que governou a Ucr\u00e2nia de 945 a 964. Esse rito j\u00e1 havia sido difundido em terras ucranianas, principalmente a partir da \u00e9poca dos ap\u00f3stolos dos eslavos, os santos irm\u00e3os Cirilo e Met\u00f3dio. Sup\u00f5e-se que foram eles que, ao pregar em terras b\u00falgaras, no final do s\u00e9culo IX, criaram o alfabeto eslavo, conhecido at\u00e9 hoje como cir\u00edlico. No entanto, sua autoria tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00edda a seu disc\u00edpulo Clemente da Bulg\u00e1ria, falecido no ano 916. Cirilo e Met\u00f3dio introduziram a l\u00edngua eslava no rito bizantino.<br \/>\nNa Ucr\u00e2nia, o rito bizantino, com o passar dos s\u00e9culos, foi sendo ucrainizado. J\u00e1 no in\u00edcio da Igreja na Ucr\u00e2nia, a l\u00edngua grega do rito bizantino foi substitu\u00edda pela antiga l\u00edngua eslava \u2013 o p\u00e1leo-eslavo (\u0441\u0442\u0430\u0440\u043e\u0441\u043b\u043e\u0432\u2019\u044f\u043d\u0441\u044c\u043a\u0430 \u043c\u043e\u0432\u0430), tamb\u00e9m conhecida como \u201ceslav\u00f4nico\u201d, que ent\u00e3o era comum a todos os eslavos.<br \/>\nHoje em dia, por decis\u00e3o do S\u00ednodo dos Bispos Ucranianos e com a aprova\u00e7\u00e3o da S\u00e9 Apost\u00f3lica, as celebra\u00e7\u00f5es da Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica s\u00e3o feitas basicamente em ucraniano. Por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias, tamb\u00e9m \u00e9 utilizada a l\u00edngua local de onde vivem os ucranianos: portugu\u00eas no Brasil, espanhol na Argentina e no Paraguai, ingl\u00eas nos Estados Unidos, Canad\u00e1, Inglaterra, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia, e assim por diante.<br \/>\nNo decorrer de mil anos de Cristianismo na Ucr\u00e2nia, tamb\u00e9m passaram a fazer parte do rito bizantino muitos costumes ucranianos, tais como: festas, can\u00e7\u00f5es e ora\u00e7\u00f5es, maneira de construir, pintar e ornamentar igrejas, artesanato em geral, e muitas outras peculiaridades, pr\u00f3prias dos ucranianos. Com todas estas caracter\u00edsticas ucranianas, o rito bizantino, no seio do povo ucraniano, passou a ser na verdade \u2013 rito ucraniano.<br \/>\nO rito ucraniano tem tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio para a viv\u00eancia crist\u00e3 e a santifica\u00e7\u00e3o de seus membros, e por isto n\u00e3o \u00e9 preciso copiar nada dos outros, bastando-lhes vivenciar, aproveitar e desenvolver o seu pr\u00f3prio rito ucraniano.<br \/>\nALGUMAS CARACTER\u00cdSTICAS  DO RITO UCRANIANO<br \/>\nA l\u00edngua e a cultura ucraniana. \u2013 O primeiro e principal componente do rito ucraniano, \u00e9 \u00f3bvio, s\u00e3o os pr\u00f3prios ucranianos, e o que mais os caracteriza \u2013 \u00e9 a sua l\u00edngua e cultura. Portanto, um dos fatores que caracterizam um rito \u2013 \u00e9 a sua l\u00edngua. \u00c9 a l\u00edngua latina do Imp\u00e9rio Romano Ocidental que classificou o respectivo rito como latino-romano, sendo at\u00e9 hoje a l\u00edngua oficial do Vaticano e da Igreja Romana. \u00c9 a l\u00edngua grega do Imp\u00e9rio Romano Oriental que classificou o respectivo rito como grego-bizantino. E \u00e9 a l\u00edngua ucraniana, al\u00e9m do pa\u00eds, que classifica o rito ucraniano como tal.<br \/>\nH\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos muitos ucranianos se estabeleceram na Rom\u00eania e na Hungria, e quando passaram a utilizar a l\u00edngua romena ou h\u00fangara em suas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas \u2013 ent\u00e3o foram perdendo sua identidade e tornando-se t\u00e3o romenos ou h\u00fangaros como os aut\u00f3ctones, e se desligaram do rito ucraniano, pois perderam o v\u00ednculo. O rito que eles praticam \u00e9 simplesmente bizantino-romeno ou bizantino-h\u00fangaro. Assim sendo, o que classifica e denomina um rito \u2013 \u00e9 a sua origem (bizantino, antioquino, caldeu, etc.) ou a l\u00edngua utilizada (latim, ucraniano, etc.)  \u00c9 por isto que o Papa Jo\u00e3o Paulo II, quando esteve em Curitiba, se dirigiu aos ucra\u00edno-cat\u00f3licos em ucraniano e pediu aos mesmos que mantivessem a sua identidade ucraniana, pois l\u00edngua e identidade s\u00e3o insepar\u00e1veis. Tamb\u00e9m vale lembrar as palavras do falecido Metropolita Ucra\u00edno-Cat\u00f3lico do Canad\u00e1, Maksym Hermaniuk: \u201cN\u00e3o existe Igreja Ucraniana sem a Cultura Ucraniana. N\u00e3o existe Cultura Ucraniana sem a L\u00edngua Ucraniana.\u201d (Revista \u201cEkran\u201d, n\u00ba 138, Chicago, USA, p\u00e1g. 3.)<br \/>\nUm grande exemplo de como \u00e9 poss\u00edvel manter a sua pr\u00f3pria identidade em terras estrangeiras \u2013 \u00e9 o povo judeu. Por todo o mundo eles s\u00e3o judeus e mant\u00eam a sua religi\u00e3o. Nas sinagogas e resid\u00eancias \u2013 rezam e l\u00eaem a Sagrada Escritura em hebraico. Por toda a parte eles t\u00eam suas escolas, em que ensinam a l\u00edngua, a cultura e a religi\u00e3o hebraica a suas crian\u00e7as. Al\u00e9m disto, s\u00e3o sepultados em cemit\u00e9rios pr\u00f3prios, com epit\u00e1fios escritos em hebraico. Tudo isto os ajuda a serem judeus conscientes, conservando a sua pr\u00f3pria identidade, e assim n\u00e3o s\u00e3o apenas um bando de gente, mas constituem um verdadeiro povo, com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, que se identifica e colabora entre si. Por isto, por manterem rigidamente a sua identidade nacional e religiosa, al\u00e9m de serem muito numerosos ent\u00e3o na Ucr\u00e2nia \u2013 \u00e9 que entre 1918 e 1921, quando a Ucr\u00e2nia foi independente, l\u00e1 existia o Minist\u00e9rio de Assuntos Judaicos.<br \/>\nA arquitetura e ornamenta\u00e7\u00e3o das igrejas. \u2013 Tamb\u00e9m faz parte do rito o estilo das igrejas, tanto na arquitetura quanto na ornamenta\u00e7\u00e3o interna e na paramenta\u00e7\u00e3o dos celebrantes. \u00c9 verdade que a arquitetura das igrejas ucranianas tem sua origem na arquitetura bizantina, mas tamb\u00e9m ela j\u00e1 se ucrainizou. As c\u00fapulas ucranianas, por exemplo, t\u00eam caracter\u00edstica pr\u00f3pria, sendo diferentes tanto da original bizantina, quanto da variante russa. Tamb\u00e9m as igrejas ucranianas de madeira dos hutsule, boikos, lemkos e de toda regi\u00e3o carp\u00e1tica \u2013 t\u00eam sua arquitetura pr\u00f3pria, toda especial (vejam a r\u00e9plica da igreja de Serra do Tigre, localizada no Memorial Ucraniano \u2013 Parque Ting\u00fci, em Curitiba). Mesmo aqui no Brasil, especialmente no Paran\u00e1, onde se concentram os ucranianos, quem conhece a c\u00fapula ucraniana \u2013 imediatamente identifica uma igreja se \u00e9 ucraniana ou latina.<\/h5>\n<h5>Tradicionalmente, as igrejas ucranianas eram em forma de cruz. Atualmente, por praticidade e redu\u00e7\u00e3o de custos \u2013 \u00e9 bastante utilizada a forma retangular.<br \/>\nOutra caracter\u00edstica das igrejas ucranianas e bizantinas em geral \u00e9 o \u201cikonost\u00e1s\u201d (ou iconost\u00e1ssio, de forma abrasileirada; tamb\u00e9m se usa \u201cicon\u00f3stase\u201d, do grego), que \u00e9 aquela parede de \u00edcones que separa o santu\u00e1rio da nave. Isto acontece a exemplo do tabern\u00e1culo, o templo judaico do Antigo Testamento, cuja planta foi ditada a Mois\u00e9s pelo pr\u00f3prio Deus: \u201cCuida de faz\u00ea-los conforme o modelo que te foi mostrado na montanha\u201d (\u00cax 25, 40). O \u201cSanto\u201d e o \u201cSanto dos Santos\u201d eram separados por cortinas. No \u201cSanto\u201d entravam apenas os sacerdotes. J\u00e1 no \u201cSanto dos Santos\u201d entrava apenas o sumo-sacerdote uma vez por ano.<br \/>\nO \u201cikonost\u00e1s\u201d, essa parede de \u201csantos\u201d, lembra aos fi\u00e9is que al\u00e9m dela se realiza um santo mist\u00e9rio \u2013 a renova\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio de Cristo pela reden\u00e7\u00e3o da humanidade, o mist\u00e9rio da transforma\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e vinho em Corpo e Sangue de Cristo, que, sendo mist\u00e9rio, n\u00e3o pode ser visto, e assim o ato da consagra\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa ser visto, basta crer nele. \u00c9 por isto que na hora da consagra\u00e7\u00e3o h\u00e1 aquele ar de mist\u00e9rio e venera\u00e7\u00e3o. Tradicionalmente, pelas portas centrais do \u201cikonost\u00e1s\u201d, as portas reais, s\u00f3 passam os bispos e sacerdotes. Do lado direito das portas reais deve haver um \u00edcone de Jesus Salvador, e do lado esquerdo \u2013 um \u00edcone da M\u00e3e de Deus. E al\u00e9m do \u201cikonost\u00e1s\u201d, isto \u00e9, no santu\u00e1rio, s\u00f3 circulam celebrantes e servidores.<br \/>\nTudo isto \u00e9 regulamentado pelas \u201cDiretrizes para as Celebra\u00e7\u00f5es Lit\u00fargicas\u201d, documento da Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o para as Igrejas Orientais, que tamb\u00e9m determina que o altar principal deve ficar no centro do santu\u00e1rio. Na parte detr\u00e1s do santu\u00e1rio, junto \u00e0 parede, do lado esquerdo, deve ficar a mesa das oferendas (proskomedienek); e do lado direito, se necess\u00e1rio, uma mesa com as vestes sacerdotais preparadas para o uso. No centro do altar deve estar o tabern\u00e1culo (kev\u00f3t), em forma de uma pequena igreja, no qual se conserva o Sant\u00edssimo Sacramento da Eucaristia. Atr\u00e1s do altar, no centro da parede, deve ficar um grande \u00edcone do santo patrono da igreja, e n\u00e3o um crucifixo. Deve haver um crucifixo no altar e outro no cume do \u201cikonost\u00e1s\u201d. No centro da parte frontal da nave, isto \u00e9, da parte destinada aos fi\u00e9is, deve ficar uma mesa ou pequeno altar, chamado \u201ctetrap\u00f3d\u201d, no qual deve haver um crucifixo maior, de p\u00e9, ladeado por dois casti\u00e7ais com velas, e deitado sobre a mesa deve haver outro crucifixo, pequeno, al\u00e9m de um quadro do santo patrono da igreja, para serem osculados, beijados pelos fi\u00e9is.<br \/>\nA Missa e demais celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. \u2013 A Missa no rito ucraniano, ou Divina Liturgia, \u00e9 essencialmente a mesma que no rito latino ou nos demais ritos cat\u00f3licos, mas a sua forma \u00e9 diferente. A liturgia ucraniana tem origem na Liturgia de Jerusal\u00e9m, formulada pelo ap\u00f3stolo S\u00e3o Tiago. Ela foi reformada por S\u00e3o Bas\u00edlio Magno e abreviada por S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, no s\u00e9culo IV, e \u00e9 celebrada em ucraniano. Al\u00e9m dos ucra\u00edno-cat\u00f3licos, a Liturgia de S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo \u00e9 tamb\u00e9m utilizada pelos ortodoxos ucranianos e por grande parte dos crist\u00e3os do Oriente. Tradicionalmente, a missa ucraniana \u00e9 cantada. S\u00f3 mais recentemente \u00e9 que foi introduzida a missa \u201crezada\u201d, isto \u00e9, recitada, que ainda n\u00e3o \u00e9 praticada pelos ortodoxos. Outra caracter\u00edstica \u00e9 que na Igreja Ucraniana n\u00e3o se utiliza nenhum instrumento musical. O ucraniano manifesta a sua f\u00e9 em p\u00fablico essencialmente atrav\u00e9s do canto e de um rico cerimonial.<br \/>\nAl\u00e9m da missa, quase todas as demais celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas ucranianas s\u00e3o cantadas. Entre essas celebra\u00e7\u00f5es, podemos citar: \u2013 o \u201cmol\u00e9benh\u201d, culto de venera\u00e7\u00e3o e pedido de gra\u00e7as, sendo que os mais populares s\u00e3o dedicados ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, a Nossa Senhora e a S\u00e3o Jos\u00e9; \u2013 a \u201cpanakh\u00eada\u201d, culto pela alma de uma ou de v\u00e1rias pessoas falecidas; e as celebra\u00e7\u00f5es do Of\u00edcio Divino: \u2013 a \u201c\u00fatrenia\u201d (matinas), culto de adora\u00e7\u00e3o matinal a Deus; \u2013 a \u201cvetch\u00edrnia\u201d (v\u00e9speras), culto de adora\u00e7\u00e3o vespertina a Deus; \u2013 a \u201cpovetch\u00edria\u201d (culto da noite), a \u201cpivnitchna\u201d (culto da meia-noite) e os \u201ctchass\u00ea\u201d (horas), que s\u00e3o quatro cultos diurnos, dividindo o dia em quatro \u201ctempos\u201d. Isto al\u00e9m dos cultos de celebra\u00e7\u00e3o dos demais sacramentos, tamb\u00e9m chamados de ritos: rito do batismo, etc. Estes cultos abrangem todas as verdades e mist\u00e9rios da f\u00e9 crist\u00e3; eles foram compostos no decorrer dos s\u00e9culos por santos e Padres da Igreja. Al\u00e9m destes cultos, h\u00e1 no rito ucraniano muitas can\u00e7\u00f5es religiosas independentes, isto \u00e9 \u2013 que n\u00e3o fazem parte fixa dos cultos: entre elas destacam-se as \u201ckoliad\u00ea\u201d \u2013 can\u00e7\u00f5es da \u00e9poca natalina, que vai do Natal ao dia 1 de fevereiro, v\u00e9spera da festa da apresenta\u00e7\u00e3o e consagra\u00e7\u00e3o de Cristo no templo \u2013 \u201cStr\u00edtennia\u201d (Lc 2, 22-23). Tamb\u00e9m temos as \u201cvoskr\u00e9sni pisni\u201d \u2013 can\u00e7\u00f5es da Ressurrei\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o cantadas desde o dia da P\u00e1scoa at\u00e9 a v\u00e9spera do dia da Ascens\u00e3o de Cristo; as \u201cstr\u00e1sni pisni\u201d \u2013 can\u00e7\u00f5es da grande quaresma; al\u00e9m de can\u00e7\u00f5es a Deus Pai-Criador, a Jesus Cristo, ao Esp\u00edrito Santo, \u00e0 M\u00e3e de Deus e aos Santos.<br \/>\nA Comunh\u00e3o sob duas esp\u00e9cies. \u2013 Pr\u00f3pria do rito ucraniano (e dos bizantinos em geral) tamb\u00e9m \u00e9 a Comunh\u00e3o sob as duas esp\u00e9cies \u2013 p\u00e3o e vinho. Os bizantinos n\u00e3o negam a presen\u00e7a de Cristo na Comunh\u00e3o sob uma s\u00f3 esp\u00e9cie, no entanto, Cristo disse claramente: \u201cTomai e comei, isto \u00e9 o meu corpo\u2026\u201d e \u201cBebei dele todos, pois isto \u00e9 o meu sangue\u2026\u201d (Mt 26, 26-28.)<br \/>\nPOR QUE OS UCRANIANOS DEVEM MANTER O RITO UCRANIANO?<br \/>\nPor causa da lei natural. \u2013 Todas as comunidades \u00e9tnicas, em todo o mundo, t\u00eam, a exemplo do povo judeu, anteriormente citado, a preocupa\u00e7\u00e3o de transmitir a seus filhos a sua pr\u00f3pria l\u00edngua e cultura, al\u00e9m do sentimento de se sentirem membros da sua pr\u00f3pria comunidade e do seu pr\u00f3prio povo. N\u00e3o existe povo na face da terra que deseja que a sua di\u00e1spora se desnacionalize, assimilando-se totalmente e o mais r\u00e1pido poss\u00edvel ao povo do local de imigra\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, os corpos diplom\u00e1ticos, constitu\u00eddos de embaixadores, c\u00f4nsules, adidos culturais, etc., sempre tiveram entre suas incumb\u00eancias a de ajudar os seus emigrantes a manter a sua pr\u00f3pria identidade. Este fato \u00e9 geral e permanente, acontece sempre e com todos os povos, em maior ou menor grau, pois decorre da lei natural que manda a pessoa humana amar e respeitar aquilo que \u00e9 seu, inclusive o pa\u00eds e o povo de seus antepassados. E isto \u00e9 uma virtude, chamada patriotismo. Virtude, porque manda dar aos pais, ao seu povo e seu pa\u00eds \u2013 o tributo de gratid\u00e3o pelo bem, pela vida, pela educa\u00e7\u00e3o, pelos cuidados e tudo o mais que eles proporcionam; algo parecido \u00e0 d\u00edvida de gratid\u00e3o que cada pessoa tem para com Deus-Criador.<br \/>\nEm termos religiosos, isto \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o moral, \u00e9 a devo\u00e7\u00e3o para com o seu pr\u00f3prio povo e o seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Contra esta devo\u00e7\u00e3o, segundo moralistas cat\u00f3licos, peca-se atrav\u00e9s do nacionalismo exagerado, assim como comer exageradamente \u00e9 pecado. Peca-se tamb\u00e9m atrav\u00e9s do racismo \u2013 que \u00e9 odiar outros povos. Note-se bem que racismo n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que nacionalismo. Nacionalismo \u00e9 amar o seu pr\u00f3prio povo e tudo o que lhe pertence, por\u00e9m respeitando os demais povos e o que lhes pertence. Contra a devo\u00e7\u00e3o nacional tamb\u00e9m peca-se atrav\u00e9s da omiss\u00e3o, da pregui\u00e7a e da vergonha, como aqueles \u201cque n\u00e3o querem nada com nada\u201d ou que freq\u00fcentam a igreja mais pr\u00f3xima \u201cporque tudo \u00e9 a mesma coisa\u201d, ou que t\u00eam pregui\u00e7a de aprender ou ent\u00e3o vergonha de falar a l\u00edngua dos seus pais e antepassados.<br \/>\nTodas estas faltas s\u00e3o contra a lei natural, que manda cada um amar, sustentar e desenvolver o que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, porque \u00e9 de sua responsabilidade, e respeitar tudo o que \u00e9 dos outros, al\u00e9m de colaborar com eles quando necess\u00e1rio, para que eles tamb\u00e9m respeitem o que \u00e9 dele, e colaborem com ele quando necess\u00e1rio.<br \/>\nA lei natural exige que cada um conserve o seu pr\u00f3prio rito; portanto, os ucranianos devem conservar o seu pr\u00f3prio rito ucraniano, e freq\u00fcentar a Igreja Ucraniana.<br \/>\nPor isto, ningu\u00e9m, nenhum governo, pa\u00eds ou Igreja tem o direito de ignorar, menosprezar, desprezar, discriminar, ou, pior ainda, perseguir qualquer minoria \u00e9tnica, impedindo-a de ter sua vida nacional e religiosa, pr\u00f3pria e aut\u00f4noma, j\u00e1 que a mesma \u00e9 de sua \u00fanica e exclusiva compet\u00eancia. De acordo com o direito natural, todas as etnias e minorias nacionais t\u00eam os mesmos direitos que as maiorias. Sobre esta s\u00e9ria quest\u00e3o de justi\u00e7a, muito bem escreveu o Papa Jo\u00e3o XXIII em sua enc\u00edclica \u201cPacem in Terris\u201d, dada a p\u00fablico em 11.04.1963: \u201c&#8230;dentro de uma na\u00e7\u00e3o vivem n\u00e3o raro minorias de ra\u00e7a diferente e da\u00ed surgem graves problemas (\u00a7 94). Deve-se declarar abertamente que \u00e9 grave injusti\u00e7a qualquer a\u00e7\u00e3o tendente a reprimir a energia vital de alguma minoria, e muito mais se tais maquina\u00e7\u00f5es intentem extermin\u00e1-la (\u00a7 95). Pelo contr\u00e1rio, corresponde plenamente aos princ\u00edpios da justi\u00e7a que os governos procurem promover o desenvolvimento humano das minorias raciais, com medidas eficazes em favor da respectiva l\u00edngua, cultura, tradi\u00e7\u00f5es, recursos e empreendimentos econ\u00f4micos (\u00a7 96).\u201d<br \/>\nPorque Deus o quer. \u2013 A lei natural faz parte da vontade de Deus. No entanto, a vontade de Deus n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a lei natural.<br \/>\nPor exemplo, \u00e9 por vontade de Deus que uma pessoa nasce num determinado rito, e n\u00e3o por vontade pr\u00f3pria; portanto, rejeitar o seu pr\u00f3prio rito \u2013 \u00e9 rejeitar a vontade de Deus.<br \/>\nCristo disse ao jovem que O procurou perguntando o que fazer para ser salvo: \u201cSe quiseres entrar na vida (eterna), observa os mandamentos\u201d (Mt 19, 17). E o quarto mandamento de Deus diz: \u201cHonra teu pai e tua m\u00e3e, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te d\u00e1\u201d (\u00cax 20, 12). Conseq\u00fcentemente, quem quer agradar a Deus \u2013 deve honrar seu pai e sua m\u00e3e, respeitando, por conseguinte, tudo aquilo que lhes pertence.<br \/>\nEsta \u00e9 a lei de Deus, que deve ser conhecida e respeitada por aqueles que se dizem filhos de Deus. Caso contr\u00e1rio, vale aquilo que Cristo afirmou em Jo 7, 49: \u201cesta corja que ignora a Lei, s\u00e3o uns amaldi\u00e7oados!\u201d No entanto, n\u00e3o podemos esquecer que a responsabilidade maior \u00e9 dos l\u00edderes religiosos, que devem ser a \u201cluz do mundo\u201d (Mt 5, 14) e instruir o povo.<br \/>\nPor causa do exemplo de Cristo e dos Santos. \u2013 Jesus Cristo nasceu, viveu e morreu no Imp\u00e9rio Romano, cuja l\u00edngua oficial era o latim. \u00c9 por isto que colocaram a inscri\u00e7\u00e3o latina \u201cIesus Nazarenus Rex Iudaeorum\u201d (INRI) em sua cruz. A cultura ent\u00e3o dominante na regi\u00e3o oriental do Imp\u00e9rio Romano era a grega; e por isto a inscri\u00e7\u00e3o na cruz de Cristo tamb\u00e9m estava em grego, al\u00e9m da l\u00edngua local, o hebraico (Jo 19, 19-20). No entanto, Cristo viveu como judeu, falando e ensinando em sua pr\u00f3pria l\u00edngua.<br \/>\nO Novo Testamento da B\u00edblia come\u00e7a mencionando a genealogia de Jesus Cristo, para provar que Ele era de fato o Messias descendente de Abra\u00e3o (Gn 22, 18) e que pertencia ao povo judeu (Mt 1, 1-17). Se isto n\u00e3o fosse importante para Deus, n\u00e3o seria mencionado t\u00e3o claramente e j\u00e1 no in\u00edcio do Novo Testamento.<br \/>\nCristo amava o seu povo e lhe servia: \u201cN\u00e3o fui enviado sen\u00e3o para as ovelhas perdidas da casa de Israel\u201d (Mt 15, 24). Perante uma mulher estrangeira, Cristo chegou a comparar os estrangeiros a cachorrinhos, com certeza n\u00e3o para desprez\u00e1-los, mas para deixar claro que em primeiro lugar v\u00eam os filhos do seu pr\u00f3prio povo: \u201cN\u00e3o \u00e9 conveniente tirar o p\u00e3o dos filhos e atir\u00e1-lo aos cachorrinhos\u201d (Mt 15, 26). Cristo sofria por causa do seu povo desobedecer a Deus e estar numa situa\u00e7\u00e3o lament\u00e1vel (Mt 23, 29-39; Lc 13, 34). E apesar do seu pr\u00f3prio povo n\u00e3o aceit\u00e1-lo e tra\u00ed-lo, permaneceu fiel ao mesmo at\u00e9 a morte: \u201cVeio para o que era seu, mas os seus n\u00e3o o receberam\u201d (Jo 1, 11).<br \/>\nMaria, a M\u00e3e de Cristo, tamb\u00e9m prezava o seu povo, conhecia e mantinha a sua identidade (Lc 1, 55), apesar de viver sob o dom\u00ednio do Imp\u00e9rio Romano. Ela e S\u00e3o Jos\u00e9 cumpriam fielmente os preceitos do seu pr\u00f3prio rito religioso, e \u201ctodo ano na festa da P\u00e1scoa\u2026 iam a Jerusal\u00e9m\u201d (Lc 2, 41).<br \/>\nOutro grande exemplo de como se deve amar e servir a seu pr\u00f3prio povo, mesmo nascendo e vivendo toda a sua vida no estrangeiro \u2013 \u00e9 Mois\u00e9s. Paulo trata do assunto em sua ep\u00edstola aos Hebreus 11, 23-27, onde tamb\u00e9m explica como conseguir for\u00e7as para isto: \u201cpela f\u00e9\u201d.<br \/>\nO pr\u00f3prio S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m \u00e9 um grande exemplo. Ele distinguia claramente nacionalidade \u2013 perten\u00e7a a um povo, de cidadania \u2013 perten\u00e7a a um pa\u00eds. \u201cNo entanto, eu tamb\u00e9m poderia confiar na carne. Se h\u00e1 quem julgue ter motivos humanos para se gloriar, maiores ainda os possuo eu: circuncidado ao oitavo dia, da ra\u00e7a de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu, filho de hebreus\u201d (Fl 3, 4-5). Mas em Atos 22, 28, Paulo afirmou que era cidad\u00e3o romano \u201cde nascimento\u201d. Afinal, Paulo era romano ou hebreu? \u2013 Na verdade, era tanto romano (cidadania) quanto hebreu (nacionalidade). Em outras palavras, Paulo era hebreu-romano, pertencia ao povo hebreu e ao pa\u00eds romano (primeiro o povo, pois \u00e9 anterior ao pa\u00eds). Assim sendo, este autor \u00e9 ucra\u00edno-brasileiro, ou simplesmente \u2013 um ucraniano do Brasil, e se quiser ser honesto \u2013 deve prezar tanto a sua nacionalidade ucraniana quanto a sua cidadania brasileira. Pena que a legisla\u00e7\u00e3o brasileira confunda estas coisas.<br \/>\nA verdadeira nacionalidade, \u2013 perten\u00e7a a uma na\u00e7\u00e3o, a um povo, \u2013 n\u00e3o se define pelo local de nascimento, mas pelo sangue e pelos genes, pelos pais, pela cultura, pela l\u00edngua e pelas cren\u00e7as. Por exemplo, um filho de negros africanos que nascer no Brasil \u2013 n\u00e3o ser\u00e1 tupi-guarani! Assim sendo, o local de nascimento de uma pessoa, como fator determinante de como ela ser\u00e1 \u2013 \u00e9 secund\u00e1rio. J\u00e1 a cidadania, \u2013 perten\u00e7a a um pa\u00eds, \u2013 \u00e9 definida essencialmente pelo local de nascimento, podendo tamb\u00e9m ser comprada (como aquele tribuno, citado em At 22, 28, que comprou a cidadania romana), ou conseguida por concess\u00e3o do governo do respectivo pa\u00eds \u2013 a assim chamada \u201cnaturaliza\u00e7\u00e3o\u201d. A nacionalidade real \u00e9 heredit\u00e1ria e imut\u00e1vel (s\u00f3 depende de Deus, que a escolhe; por exemplo: foi Deus Pai que escolheu para Cristo a nacionalidade judaica, foi Deus que escolheu para mim a nacionalidade ucraniana); j\u00e1 a cidadania \u2013 \u00e9 adquir\u00edvel e mut\u00e1vel (depende da pessoa, pode ser definida pela pr\u00f3pria pessoa).<br \/>\nPorque a Igreja assim o quer. \u2013 A Igreja quer que cada um mantenha o seu pr\u00f3prio rio de origem. Vejamos agora as principais disposi\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica sobre o assunto:<br \/>\n&#8211; \u201cA inten\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 que permane\u00e7am salvas e \u00edntegras as tradi\u00e7\u00f5es de cada Igreja particular ou Rito\u201d (Decreto \u201cOrientalium Ecclesiarum\u201d, do Conc\u00edlio Vaticano II sobre as Igrejas Orientais Cat\u00f3licas, \u00a7 2).<\/h5>\n<h5>&#8211; \u201cConhecer, venerar, conservar e fomentar o riqu\u00edssimo patrim\u00f4nio lit\u00fargico e espiritual dos Orientais \u00e9 de m\u00e1xima import\u00e2ncia para guardar fielmente a plenitude da tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e realizar a reconcilia\u00e7\u00e3o dos Crist\u00e3os Orientais e Ocidentais\u201d (Decreto \u201cUnitatis Redintegratio\u201d, do Conc\u00edlio Vaticano II sobre o Ecumenismo, \u00a7 15). \u00c9 por isto que os cat\u00f3licos e os ortodoxos ucranianos devem deixar de lado todo e qualquer ressentimento e reaproximar-se, pois sem reaproxima\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o haver\u00e1 reconcilia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haver\u00e1 a reunifica\u00e7\u00e3o t\u00e3o desejada por Cristo.<br \/>\nPor respeito \u00e0 Igreja da Ucr\u00e2nia e aos nossos irm\u00e3os perseguidos. \u2013 Ap\u00f3s a segunda guerra mundial, em 1945-46, St\u00e1lin liquidou a Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica, aprisionando ou executando todos os seus bispos, muitos sacerdotes e religiosos, e milhares de fi\u00e9is, al\u00e9m de fechar as igrejas e proibir a pr\u00e1tica religiosa, p\u00fablica e privada. Mas nem por isto a Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica deixou de existir. Apenas passou a funcionar na clandestinidade. Al\u00e9m disto, em 1946 foi promovido em Lviv um pseudo-s\u00ednodo que liquidou \u201coficialmente\u201d a Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica, incorporando-a \u00e0 Igreja Ortodoxa Russa.<br \/>\nConsta que o l\u00edder da Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica, Metropolita I\u00f3ssyf (Jos\u00e9) Slip\u00eai, foi convidado a ser Patriarca de Moscou, mas preferiu sofrer 18 anos de pris\u00e3o e trabalhos for\u00e7ados, a trair seu povo e sua Igreja. Assim sendo, ele foi preso em 11 de abril de 1945, tornando-se um m\u00e1rtir vivo. Permaneceu em c\u00e1rceres sovi\u00e9ticos e campos de trabalhos for\u00e7ados at\u00e9 sua liberta\u00e7\u00e3o em 26 de janeiro de 1963, gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do Papa Jo\u00e3o XXIII e do presidente americano John Kennedy, passando ent\u00e3o a viver no Vaticano, de onde liderou a Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica at\u00e9 7 de setembro de 1984, quando faleceu aos 92 anos de idade. At\u00e9 sua morte ele perseverou na luta pelos direitos da Igreja Ucra\u00edno-Cat\u00f3lica, especialmente para que o Conc\u00edlio Vaticano II ou o Papa reconhecessem o Patriarcado Ucra\u00edno-Cat\u00f3lico, de acordo com o Decreto \u201cOrientalium Ecclesiarum\u201d, \u00a7 11. A Institui\u00e7\u00e3o Patriarcal, para uma Igreja Oriental, \u00e9 sin\u00f4nimo de independ\u00eancia administrativa.<br \/>\nEm mem\u00f3ria de todos esses irm\u00e3os e irm\u00e3s l\u00e1 da Ucr\u00e2nia, e talvez at\u00e9 de nossos pais e outros parentes, que tanto sofreram ou at\u00e9 entregaram a vida em defesa da sua pr\u00f3pria Igreja, mas foram fi\u00e9is at\u00e9 o fim \u2013 \u00e9 que os ucra\u00edno-cat\u00f3licos do Brasil tamb\u00e9m devem ser fi\u00e9is \u00e0 sua Igreja! Na Ucr\u00e2nia sovi\u00e9tica eles eram perseguidos e n\u00e3o se entregaram, mesmo quando tiveram que sacrificar sua pr\u00f3pria vida! J\u00e1 aqui \u201cna amada terra do Brasil\u201d \u2013 os ucra\u00edno-cat\u00f3licos s\u00e3o livres para manter e desenvolver a sua cultura, a sua l\u00edngua, o seu rito e a sua Igreja, portanto, sejamos fi\u00e9is a tudo isto que o pr\u00f3prio Deus nos concedeu! N\u00f3s somos respons\u00e1veis por tudo isto! Assim sendo, n\u00e3o sejamos traidores de Deus, nem de nossos pais, de nosso povo, e de nossa Igreja!<br \/>\nA INCUMB\u00caNCIA DO CLERO UCRANIANO<\/h5>\n<h5>Os Padres Basilianos, Redentoristas, Studitas e Salesianos, as Irm\u00e3s Servas de Maria Imaculada, as Basilianas, as da Sagrada Fam\u00edlia, as de S\u00e3o Jos\u00e9 e outras, como tamb\u00e9m os membros do clero eparquial, isto \u00e9, diocesano \u2013 todos acompanharam os fi\u00e9is de rito ucraniano, em sua dispers\u00e3o pelo mundo, para manter esses fi\u00e9is dentro da Igreja Ucraniana, e tamb\u00e9m para ajud\u00e1-los a manter a cultura e a l\u00edngua ucraniana, sem o que o rito e a Igreja Ucraniana deixam de existir. A mesma incumb\u00eancia t\u00eam as congrega\u00e7\u00f5es e institutos religiosos ucranianos fundados na di\u00e1spora, como aqui no Brasil as Irm\u00e3s de Sant\u00b4Ana e as Catequistas do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Nenhum desses grupos foi trazido ao Brasil ou ent\u00e3o aqui fundado com a finalidade de trabalhar entre os n\u00e3o-crist\u00e3os ou entre os fi\u00e9is de outro rito. Por vontade da Igreja de Cristo, e, portanto, por vontade do pr\u00f3prio Cristo, todas as nossas comunidades religiosas e tamb\u00e9m o clero eparquial (isto \u00e9, diocesano) t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de permanecer num campo de trabalho bem definido: a Igreja Ucraniana de rito ucraniano. E como paralelamente eles tamb\u00e9m t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de manter e divulgar a cultura e a l\u00edngua ucraniana \u2013 eles devem primeiro conhecer profundamente a cultura ucraniana e saber se expressar fluentemente em ucraniano.  O Decreto \u201cAd Gentes\u201d sobre a atividade mission\u00e1ria da Igreja, do Conc\u00edlio Vaticano II, diz o seguinte: \u201cQualquer um que se vai aproximar dalgum povo deve ter em grande estima seu patrim\u00f4nio, l\u00ednguas e costumes\u2026 Aprendam t\u00e3o bem as l\u00ednguas, que pronta e corretamente as possam usar. Assim ter\u00e3o mais f\u00e1cil acesso \u00e0 intimidade dos homens\u201d (\u00a7 26). O Conc\u00edlio diz que qualquer estrangeiro que queira desenvolver um trabalho religioso no seio de outro povo \u2013 deve conhecer profundamente o patrim\u00f4nio, a l\u00edngua e os costumes desse povo. Assim sendo, qualquer religioso estrangeiro que pretenda trabalhar entre o povo ucraniano \u2013 deve conhecer profundamente e amar o nosso patrim\u00f4nio, l\u00edngua e costumes. Logicamente, os religiosos ucranianos devem conhecer e amar muito mais a sua pr\u00f3pria cultura e a sua pr\u00f3pria l\u00edngua. Se n\u00e3o conhecerem nem amarem, como \u00e9 que poder\u00e3o trabalhar produtivamente para o bem do povo ucraniano, se n\u00e3o o amam, porque n\u00e3o conhecem e n\u00e3o amam a sua cultura e a sua l\u00edngua?<br \/>\nO certo \u00e9 seguir o conselho do pr\u00edncipe dos poetas ucranianos, Tar\u00e1s Chevtchenko:<br \/>\n\u201cAprendei o que \u00e9 dos outros,<br \/>\nMas n\u00e3o vos afasteis do que \u00e9 pr\u00f3prio!<br \/>\nPorque quem esquece a sua m\u00e3e \u2013<br \/>\nPor Deus ser\u00e1 castigado!\u201d<br \/>\nA INCUMB\u00caNCIA DOS FI\u00c9IS DE RITO UCRANIANO<br \/>\nS\u00f3 a cabe\u00e7a n\u00e3o constitui um corpo. S\u00f3 o clero n\u00e3o constitui uma Igreja. Por isto, os fi\u00e9is, os membros \u2013 s\u00e3o essenciais para a exist\u00eancia da Igreja, al\u00e9m, \u00e9 claro, da estrutura, que une os membros \u00e0 cabe\u00e7a, permitindo que todo o conjunto funcione.<br \/>\nA fun\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a, isto \u00e9, do clero \u2013 \u00e9 liderar, organizar, fazer que o conjunto funcione. S\u00f3 que o conjunto n\u00e3o vai funcionar sem a participa\u00e7\u00e3o dos membros. E \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 a incumb\u00eancia dos fi\u00e9is de rito ucraniano, para que o mesmo funcione, e para que a Igreja Ucraniana persista e se desenvolva aqui no Brasil.<br \/>\nBasicamente, a incumb\u00eancia desses fi\u00e9is \u00e9 a mesma que do clero ucraniano, principalmente na esfera que lhes \u00e9 pr\u00f3pria \u2013 a fam\u00edlia. Se as fam\u00edlias n\u00e3o forem ucranianas, elas jamais constituir\u00e3o uma Igreja Ucraniana. Assim sendo, a verdadeira base da Igreja Ucraniana, a sustenta\u00e7\u00e3o do rito ucraniano \u2013 \u00e9 a fam\u00edlia ucraniana. Por isto, \u00e9 na fam\u00edlia ucraniana que se deve criar o amor por todo o patrim\u00f4nio, pela l\u00edngua, pelo povo e pela Igreja Ucraniana. S\u00f3 que n\u00e3o pode haver um verdadeiro amor sem o conhecimento. Ningu\u00e9m ama o que n\u00e3o conhece! Sem o conhecimento, constante e progressivo \u2013 o amor vai definhar constante e progressivamente. Por causa disto, principalmente os casais ucranianos e os jovens que se preparam para o casamento \u2013 devem conhecer e aprender sempre mais sobre tudo o que se refere \u00e0 vida do povo ucraniano, n\u00e3o s\u00f3 aqui no Brasil, mas em todas as partes do mundo, e principalmente na Ucr\u00e2nia. (Vejam, por exemplo, o site oficial da Igreja Greco-Cat\u00f3lica Ucraniana: www.ugcc.org.ua.)<br \/>\nNo entanto, o amor tamb\u00e9m exige participa\u00e7\u00e3o, porque quem n\u00e3o participa das atividades da vida \u2013 ou est\u00e1 morrendo, ou j\u00e1 est\u00e1 morto! Assim \u00e9 o descendente de ucranianos que n\u00e3o conhece, n\u00e3o ama e n\u00e3o participa das coisas ucranianas. Para a comunidade ucraniana \u2013 \u00e9 como se essa pessoa n\u00e3o existisse! E se a comunidade ucraniana, se a Igreja e o rito ucraniano dependessem dessa pessoa \u2013 tamb\u00e9m deixariam de existir!<br \/>\nPortanto, n\u00e3o sejamos os respons\u00e1veis pela morte do nosso povo e da nossa Igreja aqui no Brasil, ou de qualquer outro povo ou Igreja, caso o leitor n\u00e3o seja ucraniano, pois o que se refere aqui aos ucranianos \u2013 vale para os membros de qualquer povo ou Igreja, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que lhes \u00e9 pr\u00f3prio.<br \/>\nAssim sendo, Amigo Leitor ou Amiga Leitora, lembre-se sempre que a sobreviv\u00eancia e o desenvolvimento da sua fam\u00edlia, do seu povo, do seu rito e da sua Igreja \u2013 dependem de Voc\u00ea! Que Deus o aben\u00e7oe, a aben\u00e7oe, e lhe ajude no cumprimento de suas responsabilidades!<br \/>\n\u0421\u043b\u0430\u0432\u0430 \u0411\u043e\u0433\u0443!<\/h5>\n<h5>Bibliografia<br \/>\n\u201cApresentado oficialmente pelo Santo Padre o C\u00f3digo de C\u00e2nones das Igrejas Orientais.\u201d Seman\u00e1rio Cat\u00f3lico Atualidade. Curitiba, 9 a 15 dez. 1990, p. 4-5.<br \/>\nB\u00edblia Sagrada. Petr\u00f3polis, RJ: Editora Vozes e Editora Santu\u00e1rio, 44\u00aa ed.<br \/>\nComp\u00eandio do Vaticano II. Petr\u00f3polis, RJ: Editora Vozes, 1982.<br \/>\nEkran (em ucr.), n\u00ba 138. Chicago, USA.<br \/>\nGrande Enciclop\u00e9dia Larousse Cultural. Nova Cultural, 1998.<br \/>\nhttp:\/\/www.arquidiocese.org.br\/paginas\/jurisd3.htm \u2013 Acessado em 09 fev. 2007 \u2013 00:54 h.<br \/>\nhttp:\/\/www.iuscanonicum.org\/articulos\/art081.html \u2013 Acessado em 09 fev. 2007 \u2013 01:16 h.<br \/>\nhttp:\/\/www.nnavirai.com.br\/acolitos\/modules\/ Evangelizando\/liturgias.php \u2013 Acessado em 09 fev. 2007 \u2013 00:52 h.<br \/>\nhttp:\/\/www.ugcc.org.ua\/ukr\/press-releases\/ article;4794\/ \u2013 Acessado em 20 fev. 2007 \u2013  23:41 h.<br \/>\nLa Voz de la Iglesia Ucrania , n\u00ba 237. Buenos Aires, Argentina, dez. 2007\/jan. 2008.<br \/>\nPapa Jo\u00e3o XXIII. Enc\u00edlica \u201cPacem in Terris\u201d. 1963.<br \/>\nPequeno Dicion\u00e1rio Enciclop\u00e9dico Koogan Larousse. Rio de Janeiro: Editora Larousse do Brasil, 1980.<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja Greco-Cat\u00f3lica Ucraniana A Igreja Greco-Cat\u00f3lica Ucraniana, ou simplesmente Igreja Cat\u00f3lica Ucraniana, foi a primeira igreja crist\u00e3 na Ucr\u00e2nia, fundada em 988 d.C. \u00c9 uma igreja que participa fui [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":572,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/613"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=613"}],"version-history":[{"count":34,"href":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/613\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2546,"href":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/613\/revisions\/2546"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/572"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.rcub.com.br\/rcub\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}